Aos historiadores do futuro: “Faz outra história meu Brasil”

Há uma rica produção cultural de resistência ao golpe. Uma profusão tão imensa de música, espetáculos, shows, festas populares que os historiadores da cultura e especialmente os da música terão dificuldades de fazer compilamento. No intuito de ajudá-los vou...

Há uma rica produção cultural de resistência ao golpe. Uma profusão tão imensa de música, espetáculos, shows, festas populares que os historiadores da cultura e especialmente os da música terão dificuldades de fazer compilamento.

No intuito de ajudá-los vou tentar mapear algumas das produções mais interessantes. Começo com duas pérolas refinadas da cultura negra musical de resistência ao golpe.

A primeira com mestres do samba, partido alto cuja letra e melodia são primorosas.

O clipe foi dirigido por Ana Petta que tem feito excelentes produções sobre a resistência ao golpe e antes sobre a luta contra o golpe.

O segundo vídeo vai além da produção artística, perpassa o universo religioso de nossa herança africana.

A cantora Rita Beneditto faz do #ForaTemer um ponto cantado: “Vovó não quer o Michel Temer no governo/Que é pra não levar o povo pro cativeiro”.
Pontos cantados são capazes de movimentar as forças sutis da Natureza e atrair as entidades espirituais. Grosso modo, ao som de atabaques, o ponto chama a entidade, o corpo do iniciado vibra em sintonia com os deuses e se refaz o encontro dos homens com os deuses (a incorporação nas religiões de matrizes africanas). Entoados de forma harmônica e repetitiva os pontos curtos são os mantras com efeito poderoso. O fora temer é um mantra da resistência.