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Protesto de estudantes se transforma em choque com polícia no Chile

Por Redação
[28 de março de 2008 - 15h19]
Estudantes chilenos entraram em choque com a polícia no centro de Santiago, nesta sexta-feira, 28 na véspera do "Dia do Jovem Combatente", uma data extra-oficial que lembra a morte de opositores à ditadura militar e que, nos últimos anos, tornou-se sinônimo de distúrbios no país.
Dezenas de jovens distribuíram panfletos contrários à "educação de mercado" e, segundo informações da Reuters, jogaram pedras contra a polícia e interromperam o tráfego na avenida Alameda, a principal da capital chilena.
Os policiais reprimiram os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo.
Meios de comunicação do país disseram que ao menos 30 estudantes foram detidos, a maior parte deles estudantes do ensino médio.
O "Dia do Jovem Combatente", que não é feriado, lembra a morte dos irmãos Eduardo e Rafael Vergara Toledo, militantes de um grupo armado esquerdista. Os dois perderam a vida nas mãos da polícia, no dia 29 de março de 1985, durante a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990).
"Acreditamos que a educação deve atender ao povo e acreditamos que se deve acabar com o sistema neoliberal que o governo instalou dentro da educação", afirmou a estudante Saray Acevedo, membro da direção da entidade de alunos do ensino médio responsável pela convocação do protesto.
Jorge Gálvez, que diz ser porta-voz da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), disse que a "idéia consiste em manifestar o descontentamento, além de indicar que o tema da educação não é um tema apenas dos estudantes mas de toda a sociedade, de todo o país." A FPMR realizou ações armadas contra a ditadura de Pinochet.
Nos últimos anos, o "Dia do Jovem Combatente" tornou-se palco habitual de choques entre a polícia e jovens encapuzados, especialmente durante a noite, no bairro Villa Francia, na zona oeste de Santiago, onde moravam os irmãos Vergara Toledo.
Em 2007, os conflitos foram acompanhados por fogueiras, queima de pneus, tentativas de saque e tiroteios em algumas das áreas da periferia de Santiago. No total, 859 pessoas foram detidas em virtude desses fatos.
Depois da ditadura de Pinochet, o Chile elegeu quatro governos consecutivos da coalizão de centro-esquerda Concertación, uma aliança entre socialistas e democratas-cristãos.

(Com informações da Reuters)
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