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Movimentos Sociais criticam construção de ponte em São Paulo

Por Redação
[12 de maio de 2008 - 16h23]
Neste sábado, 10 de maio, autoridades de São Paulo inaugurarão a ponte jornalista Octavio Frias. Apelidada pelos movimentos sociais da capital paulista de "Estilingão", a ponte custou ceca de R$275 milhões e esta construida em uma das áreas de maior capital especulativo do país, que tem um entorno uma série de favelas como a Paraisópolis, Jardim Edith e Real Parque, esta última alvo de violento despejo em dezembro de 2007.

Com 138 metros de altura, a ponte, iniciada na gestão Marta Suplicy (PT), é a maior obra do governo Gilberto Kassab (DEM). Na teoria a obra existe para desafogar o tráfego na marginal, fazer a ligação com a rodovia dos Imigrantes e se tornar um cartão-postal da cidade.

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Confira o texto distribuído durante o ato

São Paulo pra Debaixo da Ponte
Erguendo os olhos para o alto, vemos o World Trade Center brasileiro, o Blue Tree Tower, as obras faraônicas do Shopping Cidade Jardim, os prédios da Rede Globo. Ao redor, os barracos amontoados das Favelas do Jd. Edith, do Real Parque, do Jd. Panorama. Mas não se descuide nessa apreciação da paisagem! Porque você pode ser atropelado por um carro importado adentrando em alta velocidade uma academia de ginástica ou uma Daslu da vida, a poucos metros das entradas destas favelas. Esse é o cenário: ao lado da opulência e da ostentação, a miséria. E agora, uma nova aberração: a Ponte Estaiada Octavio Frias, também conhecida como Estilingão e Nave da Xuxa.

Além das cifras astronômicas que envolvem a construção da Ponte – de um orçamento inicial de 70 milhões de reais, a ponte custou mais de 275 milhões -; além da corrupção, do superfaturamento, dos desvios – que não podemos estimar -; além das relações incestuosas entre empresa que construiu a ponte, a OAS, o Estado, e os grandes beneficiários de um mega-empreendimento como este – por exemplo, a filha de Antônio Carlos Magalhães, ex-ministro das comunicações e um dos patronos do império Globo, é casada com o dono da OAS -; o que está em jogo aqui é que tipo de cidade existe e está sendo construída em São Paulo? Para quem e o que ela serve? Como esse processo está acontecendo? E às custas de quem?

Quem construiu os prédios da Globo? Quem ergueu os gigantescos hotéis da região? Quem despendeu sua força e energia para construir a Ponte Estaiada? Será que o Roberto Marinho assentou algum tijolo? Ou o Octávio Frias fez alguma fiação? Ou algum morador dos condomínios luxuosos colocou os encanamentos? E quanto suor derramaram os especuladores gringos, outros tantos vampiros, que jamais pisarão aqui, mas que tem na cidade de São Paulo uma fonte de sangue que deve ser sugada rápido antes que apodreça e morra?

Foi o povo pobre que ergueu e ainda ergue as mega-construções e todos os monumentos do capital; foram os moradores do Jd. Edith, do Real Parque, do Jd. Panorama, do Jd. Colombo, do Paraisópolis. Enquanto se necessitava explorar sua força de trabalho e sua energia vital lhes foi permitido erguer seus barracos de madeira em áreas ainda esquecidas pelo capital. Tão logo as enormes favelas que se constituíram passaram a atrapalhar as necessidades da especulação imobiliária. Mobiliza-se todos os meios, legais ou ilegais, públicos ou privados, para expulsar para bem longe os moradores das favelas, e acabar com elas.

Se as Operações Urbanas se legitimam através da promessa de utilizar parte dos recursos monetários para a construção de habitações populares e realização de projetos de urbanização nas comunidades pobres da região (que são “Zonas Especiais de Interesse Social” – as ZEIS), na prática elas revelam seu verdadeiro significado, já que nenhuma moradia foi construída. Eis a verdade da Operação Urbana: expulsão dos pobres, lucros imensos para os ricos. Eis aí a lógica que determina a construção da cidade de São Paulo.

Apesar disso, de toda essa violência, não nos calamos nem acovardamos, nem vemos tudo acontecer boquiabertos, estarrecidos ou acomodados. Ao contrário, erguemos nossas vozes, de maneira pacífica e criativa, contra a festa dos Frias, dos Marinhos e de toda a elite podre (como as águas do Rio Pinheiros sobre as quais brindarão mais um de seus monumentos nesta manhã de sábado) e elite predatória – como não pode deixar de ser – que assola a cidade de São Paulo. A eles deixamos nosso recado: hoje os donos da festa são vocês; hoje vocês mandam São Paulo pra debaixo da ponte. Mas amanhã, fiquem certos, cobraremos a nossa conta histórica.
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