Depois do fiasco que foi a revolução teflon, que levou pra rua milhares de pessoas indignadas e incapazes de articular tais insatisfações, a polêmica da semana foi o beijo lésbico da novela Babilônia, que estreou na programação global. Como não poderia deixar de ser, esse pequeno gesto da ficção escancarou pra todo o país a fragilidade dos alicerces da tradicional família brasileira. Alguns poucos segundos de cena foram suficientes para estremecer o infame pilar da nossa sociedade.

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Xinga, humilha, engana, rouba, sequestra, abusa, violenta, tortura, mata e até ensina como fazer todas essas coisas… Mas, por tudo que é mais sagrado, não mostra alguém do mesmo sexo se beijando no horário nobre! A família brasileira não está preparada para esse choque, e ninguém é obrigado a aceitar esse tipo de coisa goela a baixo.

Não falo por maldade nem preconceito. Minha preocupação é com as crianças. Sei que a indicação etária não é a apropriada para elas, mas todo mundo sabe que elas assistem e adoram. O problema é que elas são muito influenciáveis e é muito forçado esperar que um pai de família saiba explicar a seus filhos porque duas mulheres se amam. A mulher foi feita para o homem. Tá escrito! Deus a fez sob medida e não deu vale-troca.

E não vá achando que é homofobia. Simplesmente é bem mais fácil assistir um filho matar seu pai pelas costas, oras! Foi um momento de clímax da última novela, e se você olhar bem, no fundo, trata-se de uma questão de princípios, de valores. Desde Édipo que assistimos filhos matando o pai ou casando com a mãe. Parricídio e incesto são os alicerces da instituição familiar. Faz parte da nossa tradição dramatúrgica e até uma criança entende sem ficar fazendo um monte de perguntas. São tabu? Sim, mas promovem o debate. Agora um beijo despudorado daqueles… Só faz dar ideias erradas a essa nova geração.

Assassinato, por exemplo, é bem mais fácil de explicar prum baixinho. Faz parte da vida e é bom elas se acostumarem a essa realidade desde cedo. O ser humano, infelizmente, é mau. Não podemos evitar isso.

Recentemente as feminazi chiaram com as cenas de estupro, sequestro e tortura na novelinha infanto-juvenil. Evidentemente, coisa de quem não tem tarefas domésticas pra fazer e quer destruir a família através da emasculação dos nossos meninos. Todo mundo sabe que pra conquistar sua fêmea, um verdadeiro macho tem que estar disposto a tudo, e as meninas precisam entender que esse tipo de comportamento hediondo faz parte da natureza do homem. Elas precisam aprender a interpretar abusos físicos, psicológicos e sexuais como demonstrações de afeto genuinamente masculinas. O que me leva àquele desnecessário beijo…

Como podemos esperar que uma mente ainda em formação entenda que um relacionamento homossexual pode ser longevo sem a presença masculina?! Como explicar que existe afeto e dedicação entres duas mulheres e dois homens? Como aceitar que uma mulher pode ser feliz sem ter que cuidar do lar de um marido?! É inaceitável romper com a imagem que temos de que homossexuais só ficam juntos pelo sexo! É pedir demais da nossa infantilizada compreensão. Além de inverossímil…

Repito, não tenho nada contra gays e nem contra haver personagens lésbicas. Pelo contrário! Uma das minhas personagens favoritas da nossa dramaturgia é a Geni. Essa representação é boa de apoiar. Ela é boa de repetir! E não há homofobia nenhuma nisso. Apenas acho que é mais fácil pra sociedade lidar com o tema quando eles ficam restritos aos programas de humor ou aos maus exemplos.

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