Sobre um garoto que beija garotos, publicado em 2014, é uma produção independente de Enrique Coimbra, que comanda o canal no YouTube Enrique Sem H e é produtor de conteúdo no site Discípulos de Peter Pan, mais conhecido como DPP.

Estante2

sobre-um-garoto-que-beija-garotos-livro-enrique-coimbraNas história, que eu classificaria pela dimensão, como um conto ou uma novela já que são apenas 81 páginas, temos Enzo, um carioca que vive meio que na onda Cazuziana da música “Pro dia nascer feliz”, em que geralmente ele vai dormir, quando “o mundo inteiro” está acordando, devido às festas e sociais das quais participa. Outra característica de Enzo é o constante uso de aplicativos como Grindr, para encontros casuais com gente desconhecida.

No entanto, os dias de Enzo não nascem felizes, ele vive de uma ressaca quase depressiva, porque seus dias se repetem, como em alguns momentos ele mesmo diz, sempre são as mesmas imagens, as mesmas pessoas. E aí, que temos Ian.

Ian é o ficante oficial de sua amiga Amanda, uma menina egocêntrica que só sabe falar dela e de seu relacionamento com esse cara, que ela jura se tornará algo mais sério, mas que nunca fica. Ian e Enzo se conhecem numa festa, e aquele sem ter como voltar pra casa e não querer ter Amanda agarrada nele como uma coleira, topa dormir na casa de Enzo.

A partir daí eles começam a se conhecer e vão meio que vendo qual é a deles. Quer dizer, Ian vai tentando experimentar coisas novas, porque Enzo se apaixona.

Enzo beija outros meninos. Enzo não acredita em namoro. Enzo sofre da maldição de se apaixonar por quem não se apaixonará por ele. Na verdade, está mais para uma desculpa: se envolver com impessoais o poupa de se tornar responsável pelos sentimentos de alguém. Mas quando Ian, o ficante heterossexual de uma amiga, diz que tem curiosidade em Enzo, o desapegado aceita ser uma experiência (e só isso). Aos poucos, se percebe apaixonado por Ian, que não liga para Enzo — ou para ninguém. Por que gostamos de quem não gosta da gente? Por que preferimos bad boys? O que queremos de um relacionamento? (p. 05)

Então temos tudo àquilo que já sabemos sobre se apaixonar por um cara hétero de mente aberta que tem namorada e não nos deixa seguir em frente, mesmo sabendo (e nós também) que ele nunca nos dará o que precisamos. Fica-se nesse jogo de gato e rato, pelas festas e sociais do Rio.

Então, aparece aquele cara. Porque sempre tem aquele cara, que nos trata como príncipes e a gente vai ficando, mas não se apaixona. Somos otários e gostamos do que é mais difícil, né? Queremos mostrar pro mundo que somos deuses capazes de converter os canalhas de plantão. Só que não somos.

O nome dessa coisa fofa que aparece na vida de Enzo? Breno.

Breno é um cara playboyzinho, cheiroso, educado e APAIXONADO (também encontrado no Grindr, rs) . O cara cogita até a se assumir pros pais por Enzo e o que este FDP faz? Isso! Acaba tudo pra ir correr atrás de Ian, que num daqueles porres no qual ligamos ou vamos para a casa do ex, que a gente jura ainda amar, mas que só ama mesmo quando tá bêbado, que nem na música do Mika “Love you when I’m drunk”, se declara pro Enzo.

No fim, ele fica sem um ou sem outro, porém, esse não é o fim da história e nem serei eu quem o contarei.

O livro no geral é até arrumadinho, desde a diagramação e trabalho gráfico até a escrita. Fala de algo que se não vivemos, já escutamos ou lemos muito por aí, da capacidade de querer quem não nos quer, mesmo sabendo que tudo o que a gente precisa é justamente quem nos quer. Essa lógica ilógica do desejo. Sobre o acabamento, assim como do geral do livro, não esperem algo fodão, porque, como eu disse lá no comecinho é produção independente e a impressão é feita por demanda, ou seja, é simples, porém agradável. Pequenas besteirinhas de revisão? Há. Todavia, se levarmos em consideração que isso existe até em publicações de grandes editoras e em maior quantidade até, o livro do Enrique Sem H é um feito por ter tão pouquinho.

O livro pode ser adquirido no Per.Se, mas rola aquela paradinha de ter que se cadastrar para fazer pedido e tem versão digital e versão física. A versão digital é quase de graça, gente! Sério. Mas se você tá sem grana, dá para ler o livro no wattpad, de graça! Mas gente, bora ajudar o carinha, né? Nem que seja comprando a versão digital, fora que é uma ótima pedida pra passar à tarde.

Lá você também encontra os outros livros do Enrique, Um gay suicida em Shangri-la e os Hereges de Santa Cruz, que já tem uma continuação em andamento.

Não deixem de comentar, curtir e compartilhar! 😉

Ah, lembrando que o sorteio do livro Garotos invisíveis, lá na página do Folhetim Felino continua, só clicar aqui e ficar por dentro das regras e participar! Sorteio dia 15/04.

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