Texto da página Eu e Ele.

LadoPositivo2Muita, mas muita gente me procura por inbox com dúvidas sobre relações sorodiscordantes, então nós decidimos, eu e meu namorado, que é soronegativo, levantar alguns pontos fundamentais para um relacionamento discordante saudável.

1 – Muito diálogo e compreensão.

Em uma relação sorodiscordante, é imprescindível que haja muito diálogo entre as partes. Afinal, estamos lidando não só com saúde física, mas com a saúde mental e social. Seja o motivo que for, sejam claros e transparentes em suas pontuações. Em relação ao medo, ao sexo, às DST, à prevenção, ao relacionamento em si, às intenções da relação.

2 – É preciso acompanhar o estado de saúde do seu/sua companheiro(a).

Acompanhar de perto, à risca, como anda a saúde do seu cônjuge é essencial para um relacionamento sorodiscordante saudável.

Em relação ao soropositivo, é importante que o soronegativo tenha conhecimento sobre como anda a carga viral de seu cônjuge, como o mesmo lida com a doença, quais os impactos sociais que ele está sentindo, como a relação está ou pode estar sendo afetada pela doença, se o cônjuge está fazendo o tratamento direito, qual a importância que ele dá para o tratamento, se existem outros fatores que impossibilitam o tratamento de seu/sua parceir@. É importante também que ambos tenham conhecimento dos efeitos colaterais da medicação, para que possam dialogar sobre uma vida saudável.

Em relação ao soronegativo, é importante que o soropositivo acompanhe de perto se seu/sua parceira faz exames constantes (o essencial é que seja de três em três meses) para as DST e AIDS. É importante que o soropositivo tenha consciência de que eventualmente o soronegativo pode sentir medo ou ter uma crise em relação ao HIV. Portanto, é muito importante que o soropositivo tenha muito diálogo e transparência em relação ao seu estado de saúde, e o modo como o/a parceiro/a encara a doença. Assim como o soronegativo deve ter clareza e conhecimento sobre seu quadro de saúde, afinal não é só a AIDS ou as DST que existem como doenças.

3 – Não é preciso viver com medo de tudo, mas prevenção é fundamental.

Um dos principais erros das relações sorodiscordantes é a perda do medo da doença, e, devido a isso, os parceiros pararem de se cuidar – talvez pela indetectabilidade da pessoa sorodiscordante, ou então, pela falsa impressão de que a doença, nos dias atuais, não mata e/ou não é séria. É preciso o uso de preservativos, lubrificante ou saliva – tipo, muita, se estivermos falando de sexo anal, até pra não doer, né?. Entretanto, não é preciso viver às sombras do medo. Deem à vontade, gozem muito e sejam muito felizes. Sexo protegido, principalmente se a pessoa soropositiva é indetectável, anula em cerca de 96% da chance de contágio. Por isso ressalto a importância de seguir o tratamento direitinho e ambos fazerem exames constantemente.

Importante: Não façam sorologia apenas para HIV. Façam todos os exames para DST possíveis. Os indicados aos soropositivos são Hemograma, CD4 e CD8 (linfócitos – responsáveis pelo sistema imunológico), outras DST, carga viral, etc.
Aos soronegativos, é importante que façam exames de todas as DST possíveis.

4 – Na dúvida, converse.

É importante que o casal tente não trazer para a relação o peso que o HIV pode trazer, tanto de cunho social como individual. E nisso eu ressalto a importância do acompanhamento, principalmente psicoterápico, no CTA. Conversando, tirando dúvidas, “abrindo o jogo” em relação à doença com o/a outro, de modo simples e que tenha como intuito resolver os questionamentos é imprescindível. Dialogar como uma conversa comum, como de fato é – ou deveria ser, ajuda muito a naturalizar a doença, sem banalizá-la. Afinal, não dá pra viver com medo o tempo todo. É importante que esse diálogo parta dos dois. E não unicamente de uma das partes.

5 – Atenção às relações de poder!

Existe, em um relacionamento sorodiscordante abusivo, formas muito cruéis e profundas de relação de poder. Portanto, o respeito mútuo é essencial.

– Jamais usar, em brigas, discussões, termos pejorativos contra o soropositivo – como Aidético, sujo, etc.

– Jamais culpabilizar o outro pela infecção. Lembrem-se, vocês  estão numa relação sexual consensual em que ambos optaram por não se proteger, mesmo que para o soropositivo o peso da infecção seja mais para ele, do que para o soronegativo.

E mais uma coisa: ao soropositivo, nunca pense que não haverá outra pessoa que te aceitará por sua condição.

– NUNCA se submeta às ofensas e ataques, e jamais aceite que @ parceir@ te diminua ou te reduza por sua sorologia.

– Ao soronegativo, jamais pense que você esteja em privilégio em relação ao soronegativo. São condições distintas e não existe hierarquia na relação, apenas cuidados distintos que precisam ser tomados, tanto do ponto de vista individual, como social e na própria relação.

6 – Toda relação precisa de cuidado.

Estes métodos são importantes em qualquer relação amorosa, seja sorodiscordante ou soroconcordante negativa ( – – ), ou positivamente (+ +). Afinal, não existe apenas o HIV como doença sexualmente transmissível, apesar de, em termos de cura, ela ser a mais perigosa e exigir mais cautela

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