Quando se iniciou o processo de impeachment contra a presidenta eleita Dilma Rousseff, sob a alegação de crime de responsabilidade, a imprensa brasileira, ou melhor, as oligarquias familiares midiáticas, que sempre estão prontas a servir o capital, logo começaram a bombardeá-la de todas as formas, tudo para que sua idoneidade ficasse maculada.
 
Seu único erro não foi ter um governo que fosse totalmente subserviente à elite e consequentemente ao empresariado. Esse foi seu crime de fato. Assim, em um movimento urdido por uma nova e velha Direita, com muito traços do fascismo – se levarmos em conta quem compõe o Centrão, o bloco majoritário da Câmara dos Deputados -, Dilma foi deposta devido à alegação desse crime, quando não foi nada disso. Apenas seu programa de governo foi considerado desastroso e outro deveria ser implementado, o mais rápido possível … E mesmo hoje, sob o ponto de vista jurídico, não há provas consistentes que embasem sua deposição pela Câmara e pelo Senado.
 
Na época, seu vice, em um aceno aos políticos descontentes e à elite brasileira, apresentou indiretamente um programa econômico de um novo futuro governo chamado “Ponte para o Futuro”, cujo corpo é uma série de medidas para o avanço da economia, mas que na verdade, tratou-se de vários projetos neoliberais que lapidariam ano de conquistas socio-econômicas das camadas populares, poupando o empresariado brasileiro.
 
Agora, que o vice não é mais interino, é o Presidente de fato, seus quase 7 meses de governo se mostram um fiasco. Suas reformas não tem o mínimo pudor em esmagar o trabalhador, como pro exemplo, a Reforma da Previdência. 6 de seus ministros deixaram suas pastas, por denúncias de corrupção. E os mesmos partidários do golpe, travestido de impeachment, o Centrão o PSDB, já não lhe dão o apoio de outrora; muito ao contrário, já circula o que alguns jornalistas políticos chamam de “tempestade perfeita”. Essa “nova-velha” seria um movimento parlamentar para “depor” Michel Temer do posta de presidente, e dessa forma teríamos eleições diretas já no ano que vem, em 2017.
Para que isso ocorra, porém, é necessário um novo apoio popular, mesmo que seja daquele que o pôs no posto que agora ocupa. Nas últimas manifestações ocorridas no dia 4 de dezembro, foram citados vários apoiadores de Temer, principalmente Renan Calheiros e Rodrigo Maia, menos o próprio presidente.
Já juridicamente, os Ministros do STF já demonstraram que seus votos, pareceres e sentenças são muito mais de cunho político do que técnico, como se pôde ver no episódio deflagrado pelo Presidente do Senado. Assim, não se espera que, em troca de alguns vantagens, como a manutenção de seus supersalários, não ratifiquem um outro golpe parlamentar.
Esse “golpe dentro do golpe” seria fomentado pelo PSDB, que cogita mais e mais o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a candidatura à Presidência. Eles usariam o pretexto da recusa do nome do deputado Antônio Imbassahy para o posto da Secretaria de Governo, que pertencia a Geddel Vieira Lima (PMDB – BA) para a oficialização da ruptura com o governo Temer e às vesperas da superdelação da Odebrech, o PSDB, o partido de FHC já se articularia com esse motivo para sair incólume e ser o novo salvador da nação, ou seja, passar a perna em quem apoiou, para chegar ao poder sem voto direto.

Tudo de sempre na velha forma de se fazer nova política no Brasil.

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