Por Camila Marins

No dia 11 de Março, sábado, ocorreu o primeiro evento de ocupação da Feira de São Cristóvão pelo coletivo Xica Manicongo. O espaço é o mais tradicional reduto da cultura do Nordeste no Rio de Janeiro. Pessoas trans apresentaram-se no Palco Padre Cícero recitando o Cordel SERTRANSNEJA, caracterizados com roupas de cultura nordestina. Os ritmos de maracatu e bumba meu boi foram apresentados e foram entoadas palavras de luta pela vida das pessoas trans lembrando as mortes quase diárias que vêm acontecendo no Brasil

De acordo com a artista e sertransneja, Tertuliana Lustosa a ocupação acontecerá todos os sábados, no palco principal com apresentação de recital de poemas, cordel, músicas e danças protagonizadas por pessoas trans.

“Muitas vezes, nós nos retiramos de espaços por transfobia e, por isso, ocupar a feira significa ocupar um espaço que sempre foi nosso. Queremos mostrar nossa cultura, tensionando a tradição e aliando o movimento à nossa ancestralidade, redistribuindo o nosso legado histórico, cultural e nordestino”, disse.

No primeiro evento foi apresentado por LGBTs um cordel chamado “Sertransnejo”. “Nosso objetivo é ter uma programação e uma barraca na feira para que pessoas trans sejam empregadas e obtenham do seu trabalho a renda para seus sustentos”, concluiu Tertuliana. O dinheiro obtido com a venda dos livretos será usado para a manutenção do projeto.

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A conquista da ocupação se deu após um ato realizado, no último dia 5, na porta da Feira de São Cristóvão, pelo fim da violência contra as pessoas trans, devido ao assassinato brutal de Dandara, travesti nordestina. Xica Manicongo foi a primeira mulher trans negra no Nordeste e escravizada.

Fotos: Caetano Manenti

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