A gravíssima crise financeira do Estado do Rio de Janeiro ganhou mais um capítulo dramático. A Secretaria de Direitos Humanos do Governo do Estado confirmou à reportagem dos Entendidos o fim do atendimento especializado à população LGBT nos quatro centros de referência existentes no estado. Na prática, a medida representa o fim do pioneiro programa que oferecia assistência jurídica e psicológica gratuita a gays, lésbicas, travestis e transexuais em situação de vulnerabilidade.

Em nota, a Secretaria de Direitos Humanos informou que os casos de LGBTs que procurarem o centro de referência localizado no prédio da Central do Brasil, o único ainda em atividade, serão encaminhados para a Defensoria Pública.

O criador do programa Rio Sem Homofobia, Claudio Nascimento, lamentou o fim do atendimento à população LGBT. Ele foi exonerado em fevereiro deste ano.

Nascimento lamentou o fim do atendimento no Rio Sem Homofobia. “Retrocesso”.

“É um momento muito triste. Quando fui exonerado em fevereiro passado, eu falava que apesar de se quer ter sido comunicado entendia que cargo é passageiro e que a minha preocupação era com a continuidade do Programa e seus serviços. Agora vejo que ela foi parte de um processo de desmonte dentro da secretaria. Muitos setores conservadores cobravam ao governo o porquê de ter um programa para a cidadania lgbt tão ativo. Toda vez que podiam agiam ou pediam para fechar o Programa. É um grande retrocesso para o enfrentamento da discriminação e violência contra a população LGBT.”, disse o ex-coordenador.

Para o lugar de Nascimento foi nomeado Fabiano Abreu. Evangélico e desconhecido pela militância LGBT carioca, ele foi procurado pela nossa reportagem para comentar o desmonte do Rio Sem Homofobia, mas não foi encontrado.

A crise do Programa Rio Sem Homofobia se arrasta há pelo menos três anos. Em 2015, os funcionários ficaram sem receber os salários no primeiro e no último trimestre daquele ano. No fim de 2016, novos atrasos.

Os funcionários começaram o ano de 2017 novamente com os salários atrasados. A equipe técnica adotou o sistema de rodízio, já que não conseguia sequer pagar o transporte para chegar ao trabalho. No início desta semana, o coordenador do Rio Sem Homofobia reuniu os poucos funcionários que ainda compareciam ao Centro de Referência, no prédio da Central do Brasil, e informou o encerramento do atendimento. Na reunião, o coordenador informou que todos os esforços serão para pagar os últimos salários atrasados dos funcionários

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