No Dia Internacional de Combate à Homofobia – 17 de maio –, o Rio não teve muito o que comemorar. A defesa de políticas públicas para a população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e trans) foi a marca dos eventos. Um ato intitulado “Essa Parada é Nossa”, organizado na noite de terça-feira pelo vereador David Miranda (Psol), no plenário da Câmara de Vereadores, contou a presença de representantes de entidades voltadas para esses grupos da sociedade. O vereador defendeu a realização da Parada do Orgulho LGBT e políticas municipais para o segmento. Houve a apresentação do abaixo-assinado, que reuniu 11 mil signatários em cinco dias e será levado à Prefeitura.

Além da questão financeira, o prefeito Crivella não informou se vai liberar as licenças para a realização do evento. Crivella tem falado ainda que pretende mudar os critérios de realização da Parada e, em 2018, vai escolher os organizadores por meio de licitação. A comunidade LGBT também encontra dificuldade para manter entendimento com a Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS) da Prefeitura.

Durante o ato, os presentes lembraram que a Parada do Orgulho LGBT de Copacabana é muito importante para a cidade por seus aspectos social, humanista e econômico. Um dos exemplos foi o fator econômico, cujo peso deve ser reforçado neste momento de crise financeira. A última pesquisa, feita em 2014, revelou que 22% do público freqüentador da Parada do Rio eram de turistas brasileiros e estrangeiros. Levantamentos indicaram que naquele ano foi gerado um impacto econômico direto para o município de cerca de R$ 470 milhões. Vale destacar que é o terceiro maior evento da cidade, ficando atrás apenas do Réveillon e do Carnaval.

“O gasto que a Prefeitura teria com a Parada seria muito menor do que o retorno financeiro”, disse David. A comunidade LGBT também não aceita qualquer tipo de medida que relacione o evento à licitação para contratar empresas que organizem a Parada LGBT – surgida no Rio por livre iniciativa de representantes da sociedade civil com o apoio do Grupo Arco-Íris, em 1995.

“Podíamos ter muito o que comemorar: nossa comunidade, nossos avanços, nossos sonhos. No entanto, a realidade é que as políticas públicas para a população LGBT estão regredindo na cidade e, por isso, comemoramos o 17 de maio em luta.”, explicou David.

O ato “Essa Parada é Nossa” teve a presença de Cláudio Nascimento, um dos fundadores da Parada LGBT no Rio; de Marcelle Esteves, do Grupo Arco-Íris; do trans João Nery; e da trans Bárbara Aires. Houve performance das drags Sara e Nina, que cantaram músicas dedicadas à visibilidade dos LGBTs, e da transformista Lorna.

Comentários

Comentários