o papel das pessoas privilegiadas

não sou culpado pelos crimes da nossa sociedade outrofóbica, mas, como beneficiário deles, tenho a responsibilidade de me tornar parte da solução.   Read More

Quando afirmo minha condição de privilegiado, não estou me gabando.

Simplesmente não quero ser uma daquelas pessoas privilegiadas que nunca se reconhecem privilegiadas… justamente para não assumirem as responsabilidades do privilégio.

As pessoas privilegiadas devem reconhecer seus privilégios não para se gabar (ou para se envergonhar), mas porque só assim podem assumir sua responsabilidade de ajudar as não-privilegiadas. Só assim podem começar a compensar a sociedade por tudo o que receberam em excesso. Só assim podem começar a abrir mão de alguns privilégios em prol de quem tem menos.

E eu sou uma pessoa privilegiada em quase todos os quesitos.

Isso não me faz o vilão. Isso não me faz o inimigo. Isso não significa que sou culpado pelos crimes da nossa sociedade outrofóbica, machista, racista, elitista, homofóbica, transfóbica, intolerante.

Mas significa que, como beneficiário desses crimes, tenho a responsibilidade de ajudar. De me tornar parte da solução e não do problema.

Sou um homem branco hétero cis, classe média alta e pós-graduado (e também pró-feminista, esquerdista, ateu, praticante de BDSM e poliamor), que consciente do lugar de privilégio que ocupa em nossa sociedade outrofóbica, racista, machista, homofóbica, transfóbica e elitista, tenta utilizar esses privilégios para melhor pesquisar, refletir e promover pautas como feminismo, lutas sociais, consumismo, movimento negro, narcisismo, escravidão, trabalho doméstico.

as pessoas privilegiadas podem 1) defender seus privilégios; 2) se omitir sobre o assunto; 3) falar contra seus próprios privilégios.

eu escolho sempre a última opção.

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leia também minha carta aberta às pessoas privilegiadas

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Golpe 16 - O livro da blogosfera em defesa da democracia

Golpe 16 é a versão da blogosfera de uma história de ruptura democrática que ainda está em curso. É um livro feito a quente, mas imprescindível para entender o atual momento político brasileiro

Organizado por Renato Rovai, o livro oferece textos de Adriana Delorenzo, Altamiro Borges, Beatriz Barbosa, Conceição Oliveira, Cynara Menezes, Dennis de Oliveira, Eduardo Guimarães, Fernando Brito, Gilberto Maringoni, Glauco Faria, Ivana Bentes, Lola Aronovich, Luiz Carlos Azenha, Maíra Streit, Marco Aurélio Weissheimer, Miguel do Rosário, Paulo Henrique Amorim, Paulo Nogueira, Paulo Salvador, Renata Mielli, Rodrigo Vianna, Sérgio Amadeu da Silveira e Tarso Cabral Violin. Com prefácio de Luiz Inácio Lula de Silva e entrevista de Dilma Rousseff.




Comentários

2 comments

  1. Juliano Responder

    Por isso as notas baixas no Eném.
    Ninguém mais sabe interpretar texto.
    Oh my God!!
    Parabéns pelo belíssimo posicionamento Alex!