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Bastidores do PT e da imprensa

por Renato Rovai

Dirigentes, deputados, vereadores e militantes do PT ainda estão atordoados com o assassinato do prefeito Celso Daniel. De qualquer forma começa um debate que deve mobilizar o partido nos próximos tempos.

Em primeiro lugar, discute-se o fato em si e como caracterizá-lo. Há uma concordância quase geral de que o assassinato tem relação com o crime organizado e conotação política, mas há avaliações diferentes na forma de tratar a questão.

Há quem entenda que não se deva dar dimensão política ao assassinato, pois dessa forma o partido estaria se isolando do resto da sociedade, que também sofre com a violência (que não é política), ainda estaria colocando seus quadros como alvos/inimigos de gangues do país inteiro e poderia ser acusado por seus adversários como oportunista.

Por outro lado, há quem julgue (Lula e Zé Dirceu pelos discursos que fizeram parecem estar mais próximos deste diagnóstico) que a onda de crimes contra petistas já passou dos limites e que elas têm ligação e isso precisa ser dito. Lula chegou a dizer que não tem provas, mas que gente muito grande desse país tem interesses nesses crimes e pode vir a estar por trás disso.

Nas conversas informais lideranças petistas repetiam isso de forma mais clara. Falava-se que o crime organizado poderia estar fazendo o papel de braço armado da extrema direita, que teria braços em muitos setores da sociedade (empresarial, rural, judicial, policial e político).

De qualquer forma (e como não poderia deixar de ser), o PT vai tomar enorme cuidado para tratar do caso publicamente. O partido vai pressionar os governos estadual e federal a apurar o crime e vai exigir proteção para as suas lideranças. Vai também mobilizar a sociedade para discutir a questão da violência e preparar um plano alternativo de segurança para o estado e o país. Ou seja, o PT vai desfraldar (com razão e motivos) a bandeira da segurança na eleição deste ano.

Para consumo interno a palavra segurança também ganhou outra dimensão. Prefeitos e lideranças populares sentiram que precisam se cuidar mais.

 

Na imprensa - É verdade que alguns manifestantes gritavam por pena de morte na caminhada de ontem (21/01). É mentira deslavada e sensacionalismo barato dizer que era nessa hora que o coro ganhava mais volume. Mas não é apenas em pequenas distorções como essa (que aparece em texto assinado e divulgado pelo Uol às 18h18 de hoje) que deve se dar a cobertura do assassinato de Celso Daniel.

O empresário Sérgio Gomes da Silva que acompanhava o prefeito na hora do atentado já se tornou alvo de investigação jornalística e, ao que se comenta, policial.

Pela proximidade que tinha com Daniel, o empresário era chamado de Sérgio Sombra. O que alguns veículos de comunicação estão apurando é se ele teria sido beneficiado na administração Daniel ou enriquecido de forma suspeita nesse período. Há indícios de que alguns veículos (principalmente da mídia eletrônica) venham a dar tratamento sensacionalista à investigação.

*Renato Rovai é editor da Revista Fórum

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