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O crime político

por Renato Rovai*

O crime organizado tem lado, posição, caráter ideológico, partidos. O crime organizado é político. Há tempos dá tiros certeiros. Há tempos faz política.

Antes matava lideranças comunitárias, gente do MST e dos sindicatos. Agora, caça lideranças públicas populares.

Mas o crime faz política, porque está na política. Não é coisa de preto, pobre e favelado. É de gente de terno, gravata e rolex no pulso. Conta na Suíça. De gente do poder. Gente que não quer perder o poder.

Gente que desfila nas colunas sociais e que grita por armas, mais armas, violência. Fazendo o jogo político do crime.

Gente que faz do crime seu palanque. E acolhe gente do crime em seus grupos, partidos. Gente que elege criminosos e desfila com eles. Só os abandonando quando desmascarados.

O crime não é só violento. É político. Não basta pedir o fim da violência. É preciso política para derrotá-lo. O crime sabe disso. Por isso tem alvos certos, definidos.

Não é coincidência: Celso Daniel, Toninho do PT, Zé Rainha, Geraldo Cruz (prefeito do Embu), Fausto Figueira (vereador e potencial candidato do PT em Santos) e os prefeitos de Catanduva e Ribeirão Corrente. Crimes políticos.

São crimes de quem lava dinheiro em paraísos fiscais, defende as armas e sua indústria, vive de licitações fraudulentas, tem latifúndios, se locupleta com o contrabando, narcotráfico e seqüestros. São crimes de quem compra juízes, policiais, jornalistas, deputados. São crimes de juízes, policiais, donos da imprensa, deputados e empresários badalados. Criminosos do poder. Que sustentam o crime e são sustentados por ele.

Eles já declararam guerra. Estão preparados. Definiram inimigos. Não se trata de um partido, um grupo, um núcleo. São os criminosos do poder. Algo multifacetado e ideologicamente organizado.

Difícil dizer como agir daqui para frente. Mas só gritar não à violência é basbaque. Tolo. É preciso mais. Contrapor com o Estado, com a lei, com justiça é o correto. Mas até onde esses instrumentos democráticos não estão contaminados? Qual é o verdadeiro alcance deles? Quem os controla? Quem manda na polícia, na justiça, nos meios de investigação e repressão?

É preciso pensar rápido. Buscar outras respostas. Antes que mais líderes sem-terras, sindicalistas, vereadores, prefeitos, lutadores populares sejam assassinados. Uma resposta radicalmente democrática, que venha da sociedade e que seja dura com o mal que vem de cima. Dos poderosos de fato e de direito. Que espalham o crime e a violência para todos. Que detém o poder. E que matam por ele.

*Renato Rovai é editor da Revista Fórum

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