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Atitude de Bolsonaro no dia que saiu da embaixada dá certeza ao STF que ele fugiria

Após descoberta da ida à representação húngara, uma ação de seus advogados na mesma data da “volta para casa” mostrou as verdadeiras intenções do ex-presidente

Créditos: NYT/Reprodução
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Depois que a escapada de Jair Bolsonaro para a embaixada da Hungria em meados de fevereiro veio à tona com a perturbadora reportagem do jornal norte-americano The New York Times, uma outra atitude do ex-presidente de extrema direita foi interpretada de maneira diferente pelos ministros do Supremo Tribunal Federal em relação à primeira leitura feita do episódio.

Bolsonaro ficou de 12 a 14 de fevereiro na companhia do embaixador Miklós Halmai, representante de seu amigo extremista Viktor Orbán, premiê húngaro, chegando ao prédio com travesseiro e mala. Ao sair de lá, no próprio dia 14, seus advogados entraram com um pedido no STF para que o passaporte do líder radical fosse devolvido. O motivo, já que o ex-presidente é um investigado por tentar dar um golpe de Estado? Um convite do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para uma visita ao Estado judeu, que previa recebê-lo de 14 a 18 daquele mês, ou seja, era sair da embaixada, onde esteve "protegido" por dois dias, tomar um avião e chegar a outro país.

Para os mais desavisados, Netanyahu é outra figura proeminente da extrema direita mundial e muito próxima de Jair Bolsonaro, da mesma forma que Orbán. Uma ida para a nação do Oriente Médio, dizem ministros do Supremo e agentes ligados à investigação, seria certamente para se manter fora do alcance das garras da Justiça brasileira. A história da embaixada, no mesmo dia, interpretam esses atores, é o sinal inequívoco de que naquele momento Bolsonaro tentava se evadir do Brasil de qualquer forma.

As chances de devolução do documento, mesmo antes da revelação feita pelo The New York Times, era praticamente inexistentes. Já agora, com “o plano” escancarado, não há a menor hipótese de isso acontecer.