Divino Fogão e a saudade da escravidão - Questão de Gênero

Divino Fogão e a saudade da escravidão

O racismo brasileiro é tão escrachado quanto não tem vergonha na cara. A empresa Divino Fogão, rede de restaurantes que também publica uma revista, parece ter a intenção de reivindicar o pódio entre aqueles que sentem mais saudade da escravidão....

O racismo brasileiro é tão escrachado quanto não tem vergonha na cara. A empresa Divino Fogão, rede de restaurantes que também publica uma revista, parece ter a intenção de reivindicar o pódio entre aqueles que sentem mais saudade da escravidão.

O típico racismo brasileiro. Imagem: Reprodução

Na revista da empresa, que pode ser acessada online, é possivel conhecer o “mascote” da marca: uma mulher negra, vestida com roupa de cozinheira e que, segundo a própria explicação da Divino Fogão, deve ter mais de 50 anos de idade. As “mascotes” devem ser simpáticas e acolhedoras, para fazer com que os clientes se sintam saboreando a verdadeira comida da fazenda. Para completar a palhaçada, o nome da mascote é “Sinhá”.

Será que os responsáveis pela rede Divino Fogão têm a ilusão de que ninguém entende o contexto? O nome “Sinhá” faz alusão ao período de escravidão, pois era utilizado para designar as mulheres brancas donas de escravos; ironicamente, esse mesmo termo está sendo atribuído a mulheres negras fardadas como serviçais. A impressão que dá é que a empresa tem o objetivo de levar os clientes de volta ao clima “colonial” da fazenda, completo com a opção de possuírem escravas domésticas que os sirvam com passividade.

No mesmo documento, eles ainda têm a audácia de reclamar da dificuldade para conseguir “profissionais” para o teatro colonial. Talvez se contratassem mulheres negras para posições de chefia, com roupas alinhadas e postura de gerente, quem sabe mais candidatas não apareceriam para preencher a vaga. Mas a ideia que a Divino Fogão tem da mulher negra é de que deve ser uma cozinheira submissa e sorridente, a própria figura da Tia Anastácia, subalterna da família rica branca.

Qualquer que seja a desculpa esfarrapada, a Divino Fogão precisa entender, de uma vez por todas, que esse tipo de racismo cordial não passará em silêncio.

Foto de capa: Reprodução


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1 comment

  1. Cristina Boesewill Reply

    Porque que Brasileiro esquecem o que tem/teve de bom na história do país e gosta de fazer piadas para se ressair com os defeitos ou falhas da história. Imagino se na Itália abrisse uma Pizzaria com nome de Mussoline ela não teria lucros. Ou na Alemanha uma cervejaria com nome de nazista tb não seria visitada. Igual se tivesse o melhor sabor. A culinária brasileira tem tanta facetas que passam com atual cultura de alimentação. O povo já gosta de criar polêmica . Falta de classe.