Comandada por Levy, a República dos Economistas quer interditar o debate. Quer fazer crer que a “única saída” é fazer (de novo?!) a “lição de casa” liberal. Ora, o Mundo entrou em crise em 2008 porque os países centrais do capitalismo aceitaram a desregulamentação total – sob domínio do mundo financeiro.
por Rodrigo Vianna

O Brasil já teve sua “República dos Bacharéis”. Durante a primeira fase republicana (1889-1930), o ambiente político era dominado pelo vocabulário jurídico e recheado de frases pomposas em latim – forjadas nas “Academias” de Direito (especialmente, a Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo).
Era um saber disponível para poucos. Era a marca distintiva do poder.
Numa aproximação simplista, penso nos bacharéis e suas frases barrocas ao deparar-me com o ambiente que vai dominando o debate político no Brasil nesse início do segundo mandato de Dilma. Em vez de “República dos Bacharéis”, vivemos sob uma espécie de “República dos Economistas”.
Reparem nos símbolos, nas operações poucos sutis – escancaradas pela capa de “Veja”. A revista conservadora paulista contrapõe Dilma e Joaquim Levy, sob o título: “O Poder e o Saber”. É como se a legitimidade não estivesse nas mãos de quem elegemos pelo voto. Mas no “saber” de poucos escolhidos – que sabem adotar a “verdadeira” cartilha econômica.
É um saber disponível para poucos. É a marca distintiva do poder.
FGVs, PUCs do Rio, UFRJs e FEAs/USP substituem a velha academia do Largo São Francisco. Só há hoje um vocabulário aceitável no trato das coisas de Estado. O poder está nas mãos dos economistas e consultores. É uma questão “técnica”.
O “mercado” e seus consultores são os únicos ouvidos pelo Banco Central antes de definir a taxa Selic. A razão de Estado está seqüestrada por um saber “técnico” que encobre interesses claros: os consultores que pedem juros mais altos trabalham para bancos que ganham com os juros.
Simples, mas bem disfarçado.
Habilidoso, Levy usou no discurso de posse como novo Ministro da Fazenda o conceito de “patrimonialismo” – que, segundo ele, é preciso combater. Trata-se da apropriação clara, por uma visão anti-Estado, de um conceito forjado pela sabedoria de Raimundo Faoro, no precioso livro “Os Donos do Poder”.
Levy é festejado pela velha mídia (em tudo – ela mesma – patrimonialista, familiar e conservadora) como um bom “liberal”, capaz de se contrapor aos excessos estatistas da era Guido Mantega.
Estamos salvos pela sabedoria de Levy!
Somos informados que alguns dos escolhidos pelo novo ministro estudaram em Chicago – que há tempos substituiu a velha Coimbra, como meca acadêmica para onde a elite envia seus filhos e netos. Afonso Arinos de Melo Franco Neto (reparem na grandiloquencia do sobrenome) é um dos neo-sábios assessores de Levy; carrega o nome de um senador udenista dos velhos tempos (e carrega o mais importante: a chancela de Chicago e da FGV-RJ).
Em verdade, desde a redemocratização, em 1985, o debate político vinha sendo dominado pelos economistas. Mesmo aqueles nem tão liberais -como Sayad e Bresser, nos idos do governo Sarney…
Foi, aliás, o mais medíocre dos “economistas” sarneyzistas quem virou dono da principal “Consultoria” econômica liberal: o ex-ministro Mailson da Nóbrega criou a “Tendências” – com escritório (sintomaticamente) na rua Estados Unidos, em São Paulo. Nos anos 90, jovem repórter da Globo, era na “Tendências” que eu colhia as entrevistas de “especialistas” que endossavam a política neoliberal de Malan/FHC.
Reparem: Maílson – um funcionário público de carreira, um quadro forjado no Estado brasileiro e que chegou quase por acaso a Ministro da Fazenda com Sarney – colocou-se alguns anos depois a serviço de um projeto que defendia o desmonte do Estado.
Naquela época, Gustavo Franco, Malan e Armínio Fraga – secundados pela rapaziada das “consultorias”, e pelos “colunistas” ligados ao mercado – fizeram crer que só havia uma saída para o país: “fazer a lição de casa” (expressão que ainda hoje me revira o estômago).
Os economistas sabiam o que era melhor para o Brasil: privatizar, financeirizar, reduzir o tamanho do Estado, abrir o país, “enterrar a Era Vargas” (como ousou dizer FHC – o arrogante sociólogo que chefiava a tropa de economistas liberais).
O Mercado devia trabalhar. Era isso. Ponto final. A história havia terminado com a derrocada da União Soviética. O resto era “nhem-nhem-nhem”.
Lula aceitou o jogo em 2002. Rendeu-se (ou parecia ter-se rendido) ao discurso da lição de casa. Iniciou o primeiro governo com a dupla Palocci/Meirelles e sob a égide mercadista. Mas, a partir de 2005/2006, mudou a tática, com a preciosa parceria de Guido Mantega.
Nascido em Gênova, próximo do PT desde os anos 80, Mantega – o mais longevo Ministro da Fazenda da história brasileira – no futuro será certamente estudado nas universidades (nas PUCs do Rio e FGVs, seria hoje massacrado): há que se compreender de forma honesta o papel dissonante – e grandioso – que ele cumpriu, ao adotar políticas econômicas em parte antagônicas ao chamado “mercado”.
Economia não é uma ciência pura (aliás, nenhuma ciência o é, nem a Matemática). Há um aparato técnico, evidentemente. Mas há escolhas. E no caso das Ciências Humanas, há injunções e interesses de classe em muitas formulações.
A República dos Economistas quer interditar o debate. Quer fazer crer que a “única saída” é fazer (de novo?!) a “lição de casa” liberal.
O Mundo entrou em crise em 2008 porque os países centrais do capitalismo aceitaram a desregulamentação total – sob domínio do mundo financeiro. O Brasil saiu-se razoavelmente bem da crise porque Mantega/Lula não escolheram a receita liberal diante da crise. Fizeram uma escolha.
Grécia, Espanha e Portugal adotaram a “lição de casa”, e seguem patinando em uma gravíssima crise que já não é “econômica” – mas social e política.
Claro que o Brasil precisa agora de algum ajuste em suas contas (gastou-se demais para incentivar o mercado interno). Claro que a conjuntura externa (com queda do preço das chamadas “commodities”) mudou.
Mas alto lá!
No Brasil, o Estado sempre puxou o desenvolvimento. Com Vargas e o trabalhismo, com a ditadura militar, com Lula/Mantega.
Dilma tentou dar mais um passo, reduzindo juros. Mas emparedada pela mídia financista, e com a falta de apetite para o bom debate público, foi derrotada.
Ganhou a eleição, mas perdeu o debate. É o que parece.
Com Levy, o setor financeiro está agora reocupando as posições estratégicas na gestão econômica – e tenta fazer crer que “não há saída”.
Na República dos Bacharéis, o Parlamento e as posições estratégicas de Estado também eram ocupados por uma elite que esgrimia o típico Liberalismo de fachada. Discurso liberal, prática política baseada no coronelismo e no voto de cabresto (quem quiser mais informação sobre isso, pode ler “Coronelismo, Enxada e Voto”, de Victor Nunes Leal).
O discurso bacharelesco, rococó (que ainda hoje ecoa pelo Poder Judiciário de gilmares e fuxes), encobria a real dominação dos fazendeiros – paulistas e mineiros, sobretudo.
Já naquela época, ouviam-se discursos de que o Estado devia estar a postos para garantir o “bom funcionamento do mercado”. Era um discurso encobridor da realidade.
Quando os fazendeiros perdiam dinheiro com as variações do preço do café no mercado externo, aí o Estado era chamado para acudi-los. Liberalismo de araque: na política e na economia.
Da mesma forma, os ultraliberais da Era FHC/Malan falavam grosso com o “excesso de direitos trabalhistas”, mas aceitavam que os bancos deviam ser salvos pelo Estado para evitar “crises sistêmicas”. O PROER, lembram-se?
Era o ponto cego da política “liberal” de FHC. Uma vez revelado, mostrou que esse discurso de “menos Estado” (seja com os fazendeiros/bacharéis da República Velha, seja com Malan ou com Levy) serve sempre para encobrir a prática de “menos Estado para as maiorias, e mais Estado a serviços dos bancos”.
Votei em Dilma (e votaria de novo, repetidas as condições de 2014). E posso entender que o manejo de um país gigantesco requer concessões variadas. Mas aceitar que o discurso liberal fajuto ganhe de novo a hegemonia no debate é ceder em tudo.
Dilma cedeu, em parte. Mas (até agora) não cedeu tudo – como mostra o pito público recebido por Nelson Barbosa (o novo ministro do Planejamento, que propôs o balão de ensaio de mudar a política de ganhos do Salário Mínimo – um dos alicerces do lulismo).
É preciso travar esse debate. Não aceitar a tese da “lição de casa”. E fazer oposição dura a qualquer tentativa de desmonte do Estado e de redução dos direitos sociais e trabalhistas.
Não se trata, aliás, de “Estado x Mercado”. Não! A disputa central no governo Dilma é outra: mais Estado para muitos ou mais Estado para atender aos interesses de poucos.
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mineiro
essa é a turma que vai acabar com o brasil de vez e na proxima eleiçao entregar o brasil ao tucanos e a elite. e o pior de tudo , com a ajuda de uma pres.dita progressista , mas que que na verdade é a fhc de saias entreguista. se as forças progressistas a verdadeira , que vem dos movementos sociais e das militancias tem que reagir a isso. caso se comprove mesmo o ferro que vem para cima de nos. mas pelo jeito e pelas materias de gente seria , é isso mesmo. o pt travado e bundao covarde junto com essa pres. vai ferrar o povo antes mesmo do esperado. é lamentavel , mas essa pres. quer governar longe dos movimentos sociais , das militancias e da esquerda , a verdadeira esquerda. porque que ela quer ficar longe, é porque os movimentos sociais e as militancias cobram e nao aceitam coisa errada. por isso que ela ficar se isolar de nos e deles principalmente.
pedro
No show de horrores do novo ministério de Dilma, sobram desatinos para todos os gostos. Há quem considere Kátia Abreu, a miss motosserra, agora autora da pérola segundo a qual não existe latifúndio no Brasil, o disparate maior. Também há o nobre Ministro dos Esportes, pastor George Hilton, à frente de pasta estratégica para a Olimpíada de 2016.
Seria igualmente fácil se espantar com a escolha de Dilma para a Educação, Cid Gomes. No país que agora se quer, em tom beletrista e cafona, a “pátria educadora”, a presidente abriu mão de uma nomeação de peso para transformar a vaga em mais uma loteada a partir de critérios ditados pela política de alianças.
Pela primeira vez desde que FHC assumiu o poder, em 1994, a pasta é relegada a segundo plano e incluída na bacia de escambos que move a nomeação para ministérios tidos como menos importantes.
Mas confesso que meu maior espanto talvez seja Gilberto Kassab como Ministro das Cidades.
Não é segredo que o PT professa um desenvolvimentismo à moda antiga e que Dilma sempre bateu de frente com os ambientalistas. Nesse sentido, Kátia Abreu não é uma surpresa.
Também está claro, desde a Carta aos Brasileiros, de 2002, que a política econômica de PT e PSDB guardam poucas diferenças entre si e que a gritaria contra os “banqueiros” na campanha eleitoral era apenas a baixaria de hábito dos marqueteiros. Joaquim Levy, vendo por essa ótica, também não chega a ser surpresa.
Mas Kassab? À frente das Cidades? A pasta foi criada em 2003 justamente pelo PT. Seu objetivo era, na época, “combater as desigualdades sociais, transformar as cidades em espaços mais humanizados e ampliar o acesso da população a moradia, saneamento e transporte.”
Dilma conseguiu a proeza de desdenhar até mesmo desse filho dileto e recente do governo Lula.
O primeiro ocupante da pasta foi Olívio Dutra, petista que trazia no currículo a reforma do sistema de transportes de Porto Alegre e a criação do orçamento participativo.
De lá pra cá, ocuparam o posto figuras técnicas apagadas, muitas indicadas pelo PP, já na lógica do loteamento de aliados. Mas ninguém trazia uma marca tão destoante quanto Kassab.
Uma seara em que o PT parecia manter uma agenda arejada e progressista era o urbanismo. Em São Paulo, nos governos Luiza Erundina e Marta Suplicy, o PT tentou, com graus variados de acerto, imprimir transformações importantes, em diálogo com urbanistas como Nabil Bonduki, Raquel Rolnik ou Nádia Somekh, todos ainda associados de algum modo à administração petista da cidade.
Kassab é o oposto disso. Prefeito por acaso, após o vácuo deixado por José Serra, é um filho discreto do malufismo. Deixou como marca uma cidade tomada pelas empreiteiras, por espigões neoclássicos, pela corrupção endêmica de fiscais. Fez do posto um trampolim para a carreira política e foi hábil o suficiente para criar um novo (e amorfo) partido e se fazer importante no xadrez de alianças do Governo Federal.
Num momento em que a discussão de ponta do urbanismo envolve a condenação do carro, a prioridade absoluta do transporte público, a preocupação ambiental, a criação de espaços públicos de convivência, a demolição de viadutos e reocupação das regiões centrais, o atual prefeito petista, Fernando Haddad, correu para atualizar a agenda e pensar a cidade em consonância com esses valores.
No meio tempo, na instância federal, a governante de turno dá de ombros para tudo isso e chancela uma figura associada ao que de pior se fez na cidade – exceção feita ao cidade limpa, marca bem-sucedida da administração kassabista.
Seu gesto lembra a CBF logo após a Copa. Enquanto a imprensa e as redes sociais gritavam em favor da renovação do futebol brasileiro, o que fizeram os cartolas? Trouxeram Dunga de volta.
Kassab é o Dunga de Dilma. É a marca por excelência do desprezo da presidente pela interlocução com a esfera pública e por bandeiras que um dia foram importantes para seu partido.
Que preguiça de 2015.
Joao da Costa
Finalmente, uma valiosa apreciação pelo Rodrigo da tão decantada ‘lição de casa’ . E que suscitou uma abordagem ampla, precisa e imperdível, do Domingos Allessandretti a partir do que chamou o ‘show de horrores’ – a outorga que nada pode justificar como a entendo feita por Dilma de importantes ministérios aos mais legítimos representantes do neocolonialismo.
JC
marcosomag
Ficou claro que as declarações de um assessor econômico de Dilma sobre “mudanças no salário mínimo” e o discurso de Levy sobre “patrimonialismo” foram testes para a Presidente. Dilma rebateu de pronto o tal assessor e a mídia estrilou (“está tirando a “autoridade” do homem…) como se a única “autoridade” ungida pelo voto não fosse a Presidente. Deveria dar uma “cotovelada” de leve no Levy, exaltando a luta do brasileiro por um “patrimônio” (a sonhada casa própria) e ligando com o importância do patrimônio pública simbolizada pela Petrobrás, Banco de Brasil e Caixa Econômica Federal. É importante reiterar que Levy e seus blue caps só colocam as manguinhas de fora por acreditarem na velha mídia, e que Dilma não vai fazer nada contra esta velha mídia de partido único. Seria a hora de um reforçar o Ministro Berzoini na Esplanada e falar a favor da democratização das telecomunicações. Está na hora do movimento social cobra duramente a Dilma: ou aplica o programa de governo que ganhou as eleições ou vire-se diante dos golpistas amestrados pelo Departamento de Estado reunidos no Instituto Millenium! Quero ação do governo!
Sergio Saraiva
Perfeito, mas já tem quem acredite que o neoliberalismo no governo Dilma seria de “esquerda”.
Aliás, Fernando Brito de Tijolaço provavelmente não ira repercutir este texto.
Bacellar
O caso é que o debate no Brasil anda muito truncado no pós-eleições. Quando eu digo que compreendo o ministério conservador e a tomada de medidas para conter o desequilíbrio causado pela queda de preço dos principais produtos de exportação já sou taxado de tucano (o que levo como ofensa grave). Mas o fato é que o cenário econômico em 2006 era um e agora em 2015 é outro. Tal mudança de cenário não deve-se exclusivamente às ações do PT durante esse período.
Fala-se muito em estratégias de governo mas a esquerda não consegue dar 5 minutos de paz pra Dilma que é constantemente bombardeada por todos os lados…
Esse maniqueísmo ideológico nos impede de perceber que o manejo do Brasil é complexo e que setores poderosos tem musculatura para impor demandas e travar pautas progressistas. A questão não é fazer X ou Y em cada setor de atuação…é fazer entre A e Z, estudar cada pormenor de cada questão para tomar medidas o mais exatas possíveis. Só fazer cavalos de batalha naquilo que realmente for essencial, em contrapartida apenas entregar o que não for essencial.
Me parece claro a falta de disposição e capacidade dos grandes grupos econômicos nacionais; sempre que o PT aposta nesses caras eles respondem lentamente e aquém do esperado. Como mudar essa cultura da mamata, esse dna rentista, do empresariado nacional? Investir nos pequenos e médios é lindo mas também não da volume em curto e até mesmo médio prazo.
Levy não é nem o salvador da raça pintado pelos conservadores nem o vendilhão da pátria pintado pela esquerda…Ele não terá carta branca. Nada é sagrado; nem direitos trabalhistas nem os humores do mercado (pra ficar na discussão recente). Um bom governo é aquele que ciente de cada lei e de cada processo prático referente ao mundo do trabalho sabe onde sanear e onde gastar, um governo que sabe onde ceder e onde barrar os interesses do mercado financeiro.
Não acredito que os tais ajustes por aqui cheguem próximos dos realizados em Espanha ou Grécia…São realidades muito distintas…Maior que o perigo de sermos estrangulados pelo arrocho por parte do governo e esse arrocho minguar a economia é o perigo da desestabilização social que pode ser orquestrada por setores poderosos. Essa sim pode levar a economia ao chão. E a esquerda não pode se deixar levar por essa onda.
Discutimos Selic mas não discutimos, por exemplo, o perfil dos credores da dívida pública…Será impossível para uma nação estimular a aquisição de títulos por setores produtivos ou que entreguem alguma contrapartida social? O bolo necessariamente tem que continuar indo pras barrigas das financeiras, bancos e grandes fundos? Não sei…Em vez de debater essas coisas ficamos presos às últimas baboseiras do Bolsonaro ou desses pseudo articulistas da mídia corporativa.
Levy vem do Bradesco e o Bradesco tem interesse na Selic alta, é um inside man do setor financeiro no governo. Todos sabem disso, principalmente a Dilma
Todo o esforço em eleger Dilma não pode ser rifado aos primeiros sinais de contrariedade às demandas de esquerda, a própria esquerda tem demandas difusas quando não contraditórias.
Frear o desequilíbrio da balança comercial ou ajustar tarifas represadas não significa voltar aos anos 90 se tais esforços forem pontuais e com os olhos no horizonte próximo…Voltar aos investimentos com mais força, depurar a qualidade dos investimentos.
Parum veneni non nocet. Hehehehehe.
Muita hora nessa calma…
Erundina Patrus
Pretendo fazer protestos.Especialmente contra os juros.Nao e possivel engolir o homem da banca e seus 12 por cento de juros.
Ou o brasileiro nao tem vergonha da cara.Cade o Skaf, o pelego que nao tem industria? Nao vai mais protestar contra os juros? Te conheco!
Antonio Lobo Silva
Caro Rodrigo, se fosse há alguns anos atrás eu diria que foi gasto muito papel e tinta para pregar para os convertidos (e escrever muita bobagem). Lula se rendeu ao mercado com Paloci? Onde e como? Só um exemplo, a taxa de juros no período Paloci caiu de 15 para 11,5% (curiosamente o mesmo valor atual e ninguém está batendo no Mantega por causa disso..). No primeiro governo Lula, o Marcos Lisboa economista da FGV) fez uam série de ajustes microeconômicos importantíssimos para azeitar a economia. E sem pacote. E o que o Levy está propondo são ajustes também. Além disso, esta discussão parte do pressuposto de que o Levy iria adotar medidas que a Dilma não teria como evitar. Assim como algumas das bobagens que o Mantega fez – especialmente a enorme quantidade de crédito subsidiado – foram tomadas sem aprovação da Dilma. Acho que você pode escrever coisas mais interessantes.
Mauricio Moreira da Fonseca
Não me lembro pelas minhas andanças de nenhuma placa ou homenagem a gestores que cumpriram fielmente
à Lei de Responsabilidade Fiscal, se cremos que as macropoliticas são determinantes para a manutenção dos niveis de de emprego é hora de eleger pelo mundo afora, quais ministros das finanças asseguraram neste turbilhão que vivemos, empregos para a massa da população. Pelo que leio e vejo um ex-ministro está sendo jogado no limbo, quando muitos ainda vivem da sua obra.
Julio Silveira
É triste constatar a decadência ideologica do PT. Com isso, o partido segue celere para se tornar apenas um partido a mais, sem nenhum atrativo ou ingrediente que motive cidadãos e militantes como antes. Ficou refem dos personalismos de uns pouquissimos dirigentes, que largaram o trabalho cultural de mão para abraçar o oportunismo dos proprios personalismos. Para conseguir se tornar estatuas de bronze descontruiram a construção histórica, tão necessária, de uma nova cultura de cidadania, democratica, para aderir ao Brasil antigo, que tira proveito, que oportuniza o surgimento de fortunas e a manutenção de outras grandes fortunas. Infelizmente com esse novo PT o Brasil muda no pontual mas não muda no essencial.