Quem são os responsáveis pelo ódio que avança: um 1964 em câmera lenta

A direita comemora essa imagem: mas e...

A direita comemora essa imagem: mas e quando outros pescoços forem para a forca?
A direita comemora essa imagem: mas e quando outros pescoços forem para a forca?

por Rodrigo Vianna

Não é exagero afirmar que estamos em meio à maior ofensiva conservadora no Brasil, desde 1964.

A violência verbal de blogueiros como Reinaldo Azevedo transbordou para as ruas. Isso desde 2013, quando brucutus de academia e falanges de direita tentaram impedir militantes de movimentos sociais de marchar na avenida Paulista.

Em 2015, o tom subiu: pregou-se abertamente o golpe e a volta da ditadura, atacou-se gente ligada ao PT em restaurantes, hospitais e até na rua. Panelas batem nas varandas da classe média – que está à beira de um ataque de nervos.

O adversário não deve ser ouvido, nem levado em conta. Deve ser esmagado, preso, proscrito. É nesse pé em que estamos.

O músico Tico Santa Cruz recebe ameaças pelo telefone. Alinhado com as políticas sociais de Lula, ele virou alvo de gente que (em chamadas covardes, pelo telefone) fala em atacar os filhos adolescentes de Tico. Ouvi o aúdio de uma das ligações: o homem que ameaça sabe os nomes dos filhos do músico, e diz falar em nome de Eduardo Cunha. Tico pede que o aúdio não seja divulgado, por enquanto, já que está buscando apoio da polícia contra as ameaças – clique aqui para ver o que Tico Santa Cruz conta sobre as ameaças.

Miriam Dutra, que denunciou os esquemas da Globo com FHC, também recebe uma ameaça nada velada: a ex-amante de FHC, que a família Marinho escondeu na Europa para não gerar um escândalo, está internada num hospital espanhol – com grave crise emocional. Enquanto isso, invadem a conta dela no Facebook “anunciando” que Miriam está morta. Sim, são esses os métodos.

A Globo também ameaça blogueiros. Vai citar extra-judicialmente todos aqueles que fizeram referência à emissora. É o poder da Casa Grande que, diante da tibieza do governo, percebe a avenida aberta para uma restauração completa.

Os que se resistem contra o avanço conservador recebem uma dupla mensagem: da direita, vem o aviso de que não estamos mais no terreno dos debates, mas da guerra total; do governo eleito com os votos da esquerda e da centro-esquerda, por outro lado, chegam sinais de rendição e derrota.

A tabelinha mídia/Judiciário avança e aperta o torniquete. Estamos diante de um 1964 em câmera lenta. E não há outro caminho, a não ser enfrentar as ameaças.

Passei os últimos anos estudando a Colômbia, numa pesquisa de Mestrado. Desde o século XIX, o país tem eleições regulares, mas a característica básica do regime colombiano é ser uma democracia restrita: a esquerda e os movimentos sociais foram sempre excluídos do jogo político. Conservadores e Liberais se revezam no poder, enquanto setores populares sofrem com assassinatos, exclusão, perseguição.

Enquanto Brasil e Argentina incorporaram as massas ao jogo político, com o peronismo e o varguismo, a Colômbia viu ser assassinado o líder popular que se apresentava para liderar os trabalhadores: no dia 9 de abril de 1948, Jorge Gaitán foi morto no centro de Bogotá; era favorito para virar presidente nas eleições seguintes.

A morte de Gaitán mostrou a amplos setores que o caminho institucional estava fechado. Por todo o país, pipocaram guerrilhas que nem eram de esquerda, mas “liberais”. De uma dessas guerrilhas, surgiria alguns anos depois, no início da década de 1960, as FARC.

Não adianta dizer que as FARC são apenas uma “narco-guerrilha”. Claro, na Colômbia quase todos os entes têm relação com os interesses do tráfico. Mas as FARC não são filhas da droga. São filhas da exclusão social e do ambiente político excludente.

A democracia restrita jogou parte da população para fora do jogo político. Nunca houve na Colômbia um partido trabalhista. Nunca. O caminho foi o das armas.  

Hora dessas falo um pouco mais sobre a Colômbia. Mas o que me assusta é ver que o Brasil pode, muito tempo depois, seguir caminho parecido.

Tudo leva a crer que setores do Judiciário e da elite política e midiática tomaram a decisão de expurgar a esquerda (e mesmo a centro-esquerda) do jogo político.

Se isso ocorrer, estará aberto o caminho para que a política seja feita por outras vias.

Por enquanto, é a direita que toma a iniciativa de usar a violência. Mas, ao fechar as portas do sistema político para um partido com quase 2 milhões de filiados, e com pelo menos 30 ou 40 milhões de simpatizantes, a direita abre as portas para a guerra política.

Desde já é possível apontar 3 personagens e 2 famílias com responsabilidade pelo clima de ódio que avança:

Reinaldo Azevedo, que cunhou o termo “petralha”, e há anos é pioneiro em espalhar o ódio pelas redes sociais, sempre com patrocínio do tucanato;

José Serra, que na eleição de 2010 trouxe esse ódio das redes para as ruas, com uma campanha feita na base do preconceito e da pregação conservadora;

Ali Kamel, que colocou a máquina da Globo, de forma discreta mas persistente, numa campanha de criminalização da esquerda;

e as famílias Marinho e Civita, pela permanente semeadura do ódio.

Quando o caldo entornar de vez, cada um pagará sua cota por levar o país para um clima de confrontação e ódio. Por enquanto, eles comemoram, porque só um lado bate.

Em breve, talvez, essa gente vai perceber que quem apanha sem parar não esquece jamais os nomes de seus algozes.

A história vai dar o troco. Não tenham dúvidas.

 

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8 comments

  1. Messias Franca de Macedo Reply

    O verdadeiro acarajé baiano ‘desMOROliza’ ainda mais a ‘PORCA-tarefa’ nazifasciterrorista &$ golpista de meia tigela IMUNDA!
    Entenda a criminosa palhaçada jurídico-policialesca!

    ***

    Funcionária da Odebrecht diz à PF que ‘acarajé’ era porção de comida baiana

    26/02/2016

    (…)

    FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/02/1743729-funcionaria-da-odebrecht-diz-a-pf-que-acaraje-era-porcao-de-aperitivo.shtml

  2. Messias Franca de Macedo Reply

    … As organizações criminosas Globo dos mafiosos filhos do “dotô” Robert(o) Marín(ho) tratam explicitamente o PT, o [eterno] presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff como inimigos figadais que devem ser literalmente destruídos, covarde e impiedosamente.
    Ponto!
    Ademais, os supostos benefícios de 1000 inserções publicitárias do governo federal nos veículos de mídias das organizações criminosas Globo dos mafiosos filhos do “dotô” Robert(o) Marín(ho) são pulverizados por um segundo de difamações perpetradas pelas vozes maviosas e as penas sórdidas dos(as) ‘amestrados(as)’ títeres [pseudo]jornalistas a $oldo IMUNDO!
    (…)
    Por que então os governos do PT insistem em abarrotar com recursos públicos os cofres sujíssimos dos Marín(ho)?!

    E a militância de esquerda?
    Infartada em alguma UTI do SUS!

    Ô RRRAAAAIIIIIIIIIIVVVAAAAA!

  3. Messias Franca de Macedo Reply

    O “JORNAL NACIONAL” &$ A MÁFIA DO *PIMG EM DUAS NOTAS
    *PIMG (Partido da Imprensa Mafiosa &$ Golpista)

    Na edição de hoje do fatídico e famigerado ‘JN’ a âncora do casal ‘-20’ vomitou:

    [NOTA 01]


    (…)
    [Foi mantida a prisão de João Santana e da esposa dele Mônica Moura.] João Santana foi o COMANDANTE das últimas campanhas presidenciais do PT.”
    (…)

    ***

    Ou seja, o João Santana subiu de patente: de publicitário/marqueteiro para ‘Comandante’!
    ‘Comandante’ da corrupção petista, a bem da verdade Global!

    ***

    [NOTA II]

    “(…)
    As investigações sobre um caso do contexto pessoal do ex presidente Fernando Henrique Cardoso correrão sobre estrito e absoluto segredo de Justiça.”

    ***

    “Boa noite, Fernandinho!”

    Dizer mais o quê?!

  4. Messias Franca de Macedo Reply

    MAIS UM FACTOIDE DO *PIMG EM POLVOROSA!
    *PIMG (Partido da Imprensa Mafiosa &$ Golpista)

    ###

    Odebrecht pagou arquiteto da reforma do Instituto Lula
    Segundo a revista Época, funcionário da prefeitura de São Paulo, que tentou regularizar mudança no prédio, recebeu R$ 40 mil da empreiteira
    (…)

    CACHOEIRA – perdão, ato falho -, FONTE: http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/02/odebrecht-pagou-arquiteto-que-assina-reforma-do-instituto-lula.html

    ###

    EM TEMPOS NAZIFASCITERRORISTAS:
    inicialmente *o PIMG &$ a ‘PORCA-tarefa’ da Operação ‘Lava [DEMoTucano a] Jato’ “tinham certeza absoluta que a Odebrecht doara mais de R$ 12 milhões para a construção do [suntuosíssimo (Risos)] prédio do Instituto Lula.
    No entanto, o prédio onde atualmente funciona o Instituto Lula foi construído em 1991!
    Porém, os debochados (ir)responsáveis agora mencionam “um pagamento a um funcionário da prefeitura de São Paulo no sentido de que houvesse uma regularização na mudança do prédio”!
    A fortuna paga: R$ 40.000,00

    EM TEMPOS NAZIFASCISTAS:
    a escrotíssima revista ‘Epoca’ dos mafiosíssimos Marín(ho) do FIFALÃO, da sonegação bilionária, da Mansão Triplex (sic) de Paraty em nome de ‘laranjas podres’… A escrotíssima revista ‘Época’ deve estar esquecendo a fortuna que a mesma Odebrecht doou ao Instituto… Ao Instituto FHC!

    RESCALDO:
    mais um ‘bola fora’, ‘bola murchíssima’, mais um gol contra do timeco dos Marín(ho)!…

  5. Alan Kevedo Reply

    A história humana registra desde sempre a violência dos que querem enfeixar o PODER, e os privilégios, nas mãos do menor número de pessoas possível. Pra refrescar memórias comecemos por Genghis Khan, ou Átila, Adolfo Hitler. Mas, como a ciência que pesquisa o mosquito e a relação sexual, precisamos estudar, pra não falar besteira, se o ódio que explodiu de vez em terras brasileiras e não está poupando seu ninguém, tem alguma relação com a ascensão dos que querem religião e política na nossa Constituição que assim, no ocidente, seria a única a abandonar o laico pelo poder de um segmento religioso apenas, o evangélico. Com a palavra os Calvinista, católicos, luteranos, espíritas, umbandistas, candomblecistas, muçulmanos e ateus.

  6. Policarpo Reply

    Não devemos “dar de comer para cachorro raivoso” como diria o nosso Lenine (o pernanbucano não o russo). Uma imprensa cuja principal característica é a falta de pluralismo só pode oscilar entre duas posições: o governismo (quando está no poder) e o golpismo (quando se encontra fora dele). A situação chegou onde chegou porque tanto o as lideranças petistas quanto o antipetismo erraram em seus prognósticos a respeito do futuro e de suas reais possibilidades e, agora, se encontram nessa posição de pré-guerra. O antipetismo errou porque 1º pensou em ficar no poder por 30 anos (“projeto Serjão” vamos chamar assim) e não resistiu a quatro e 2º acreditaram que os governos petistas logo fracassariam e assim rápido retomariam seu projeto de poder (essa aliás é a razão do porque falam tanto em projeto de poder petista). E as lideranças petistas porque 1º pensaram que podiam utilizar a estrutura e os velhos métodos políticos herdadados em seu próprio proveito e sem custos (a conta vem sendo cobrada ao longo desses anos) e 2º desconsideraram os riscos envolvidos nessa mudança camaleônica. O realismo das lideranças políticas petistas se mostrou totalmente irrealista e agora voltam de novo o olhar e as esperanças na velha força dos milhões de simpatizantes e militantes que são os que de fato viabilizaram o projeto petista de poder e os que sentem mais de perto o calor do lento cozido sob suas barbas.

  7. eduardo de paula barreto Reply

    DÉSPOTAS

    Da minha janela vejo pessoas
    Marchando sem canhões
    Enquanto a mídia apregoa
    As diretrizes das manifestações
    A multidão segue gritando
    Aquilo que ficaram ditando
    Os jornalistas das emissoras
    E assim o povo se torna
    Ingênua massa de manobra
    Da minoria opressora.

    Uns defendem a soberania nacional
    E a preservação da independência
    Outros pregam a desordem social
    Para que se justifique a interferência
    De um líder autoritário
    Que saia de dentro do armário
    No qual se esconde há décadas
    Para retomar o poder
    E fazer o Brasil se submeter
    Ao domínio de um déspota.

    Não permita que usem o seu grito
    Como instrumento de desgraça
    Porque como resultado dos conflitos
    Podem retornar as mordaças
    E a espada que você empunha
    Quando se manifesta nas ruas
    Com determinação e garra
    Talvez seja transformada
    De arma bem-intencionada
    Em mais um pau de arara.

    Eduardo de Paula Barreto

  8. carlos Reply

    O que eu tenho a dizer, é que não existe crime perfeito, enquanto o Ministério Publico de são paulo usa um peso par lula usa outro peso para Alkimim.

    A ideia do fogo amigo perdeu força e ganhou corpo a versão da perda de controle mesmo. Tanto que o Ministério Público Estadual (MPE), do qual Capez é integrante, agiu rapidamente.

    O Procurador Geral do Estado, Márcio Rosa Elias tratou de montar uma comissão de investigação e conseguiu tirar do inquérito o promotor natural.

    A comissão é composta por dois promotores de Bebedouro e dois procuradores de justiça de São Paulo. Os dois procuradores são o próprio Márcio Elias Rosa e Nilo Spínola de Salgado Filho. Na gestão anterior, o PGE anterior, Antônio Araldo Dal Pozzo, criou promotorias especializadas. Uma delas era a de Assuntos Públicos era integrada por Márcio Elias, Nilo Spínola e o próprio Capez.

    ***

    Os dois companheiros irão julgar o terceiro. Segundo parlamentares oposicionistas, Márcio Elias ordenou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Capez, sabendo que não tem nada. O problema nas investigações é se bater em 18 empresas em nome de um cunhado, que têm vários problemas de registro na Junta Comercial.

    ***

    No meio do tiroteio, o ex-chefe da Casa Civil de Geraldo Alckmin, Arnaldo Madeira, saiu da toca para atirar no esquema Alckmin.

    Madeira caiu em desgraça no segundo governo Alckmin, quando articulou a eleição do presidente da ALESP. Sua chapa foi derrotada com humilhação. Em seguida, o presidente eleito da ALESP, Rodrigo Garcia, procurou Alckmin e ofereceu-lhe a vitória. Madeira caiu em desastre.

    Na campanha seguinte para deputado, Madeira se valia de seu cargo para despejar verbas estaduais para projetos tocados por sua esposa na Fundação Seade. Não foi reeleito. Hoje, o espaço político de que dispõe é prestar serviços e atirar contra Alckmin.

    ***

    Narro essa crônica paulistana apenas por mostrar o que é o modelo político brasileiro. É o mesmo que o PT, o PPS, o DEM, e outros partidos virtuosos fazem nos espaços que governam.

    Por ter saído do controle, acabou com a carreira promissora de Capez. Provavelmente, no plano penal vitimará apenas bagrinhos. Com todas essas vulnerabilidades, permite toda sorte de manobras políticas.

    Por isso, quando se ouve o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso bradando pela moralidade, Alckmin deblaterando sobre sítios e pedalinhos, e os procuradores da Lava Jato anunciando a ressurreição geral da virtude, só resta uma reação: decididamente, é o país da hipocrisia