O pedido de prisão da cúpula do PMDB: Janot avança e o sistema político se desfaz; o que virá depois?

O poder se desloca para duas instâncias que não se submetem ao escrutínio popular: de um lado, o consórcio MPF/Moro/PF, sob comando de Janot; de outro, o consórcio Globo/Veja, sob comando de João Roberto Marinho....

O poder se desloca para duas instâncias que não se submetem ao escrutínio popular: de um lado, o consórcio MPF/Moro/PF, sob comando de Janot; de outro, o consórcio Globo/Veja, sob comando de João Roberto Marinho.

O poder hoje está com eles: a tabelinha Janot e Globo
O poder hoje está com eles: a tabelinha Janot e Globo

por Rodrigo Vianna

PMDB BBC

Está claro há muito tempo que o processo em curso no Brasil não é apenas um ataque ao PT, ou ao que se convencionou chamar de lulismo. É um ataque ao sistema político estabelecido pelo pacto da Constituição de 88; e, talvez, chegue a ser também um ataque à ideia de Estado Nacional – que se constrói desde a Era Vargas.

A bomba de hoje, confirmando que o Procurador Geral da República pediu mesmo a prisão de Sarney, Renan e Jucá (pedido este que repousa na mesa de Teori, no STF) mostra que o sistema político desmoronou.

Em 64, Lacerda achava que, demolindo o trabalhismo e derrubando Jango com apoio dos militares, herdaria o poder. Acabou cassado e a UDN foi extinta da mesma forma que o PTB.

Um advogado, fonte deste blogueiro e que atua na Lava-Jato, dizia já em 2015: “o PSDB, o Aécio e o PMDB terão o mesmo fim de Lacerda; não percebem que a Lava-Jato ataca hoje o PT, mas que o passo seguinte será a destruição do PSDB e do PMDB”. Não perceberam. tentaram surfar na onda do antipetismo. E agora serão destruídos pelo tsunami.

Agora, isso tudo ficou claro.

Há quem comemore os pedidos de prisão da cúpula do PMDB. Este blogueiro não comemora, por uma razão simples: vivemos o colapso da política. O poder se desloca para duas instâncias que não se submetem ao escrutínio popular: de um lado, o consórcio MPF/Moro/PF sob comando de Janot; de outro, o consórcio Globo/Veja sob comando de João Roberto Marinho.

Vivemos, formalmente, sob Democracia; mas as decisões já não se tomam à luz do dia. A Democracia está sequestrada pelo poder jurídico-midiático.

Da mesma forma que em 64, os ridículos lacerdas de ocasião (aécios e seus tucaninhos de segunda linha, além dos garotos podres de temer) serão tragados pelo turbilhão.

Se Teori (que parece ser o último bastião da razoabilidade democrática, em meio ao turbilhão) prender mesmo a cúpula do PMDB, o poder dos togados e da PF se consolida. Aécio e Lula serão os próximos na lista. Qual limite pra isso?

O poder está com a toga e a mídia. Mas mesmo esse é um poder fluído, que não controla todas as variáveis.

O processo de impeachment virou uma incógnita. E já há gente no PSDB desesperada com o avanço de Janot. Vejam o que postou hoje um tucano patético, desses criados às sombras de FHC:

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Mas há mais a se considerar:

  1. Se Renan for afastado do Senado, o impeachment passa a se conduzido pelo vice Jorge Viana, que é do PT; Viana também é quem pode acolher pedidos de impeachment contra ministros do STF;
  2. Aumentam as chances de governo Temer se desfazer, abrindo a possibilidade de Dilma ser absolvida no julgamento do Senado;
  3. Dilma voltaria ao poder sob o compromisso de chamar um Plebiscito, para que o povo decida se quer ou não novas eleições diretas para presidente e vice

A crise, no entanto, estaria longe de se esgotar.

Novo presidente eleito, com esse Congresso sequestrado pelos interesses privados, significaria apenas a renovação do impasse.

O Brasil precisaria, isso sim, de uma Constituinte para renovar o sistema político. Mas faltam lideranças para encampar essa bandeira.

O risco é o país ser sequestrado pelo discurso moralista do “partido da Lava-Jato”. Tudo se resolveria com os “escolhidos”, os “limpos”. A agenda do país passaria a ser “o combate à bandalheira” (num retorno patético ao janismo dos anos 60; não é à toa que vassouras reapareceram como símbolos da política).

O povo seria alijado do debate. A desigualdade, os programas de redução da pobreza, o desenvolvimento e o projeto de um país independente: tudo isso ficaria em suspenso.

Esse é o risco da agenda Globo/Janot. O lógico é que essa agenda (hoje provisoriamente vitoriosa) termine não em Temer ou nos tucanos. Mas num homem das togas – que cumpra o papel que em 64 foi exercido pelo general Castelo Branco.

Mas há um fator que Janot e os Marinho não controlam totalmente: as ruas.

O começo catastrófico de Temer ajudou a criar um novo movimento social: mulheres, jovens, estudantes e trabalhadores organizados. Esse movimento pode construir um programa e uma candidatura que signifiquem a consolidação de uma outra agenda, para disputar espaço com a direita moralista.

Lula e Dilma vão se incorporar a esse movimento novo? Ou serão superados por ele? É uma questão ainda em aberto.

Entre a agenda Janot/Lava-Jato e agenda da Nova Esquerda que emerge das ruas, há ainda uma terceira força: liberal e privatizante. Sob comando de Gilmar Mendes/Serra, essa gente sonha com um arranjo pelo alto, em que o país se arrastaria com Temer até onde fosse possível, para depois se costurar uma eleição indireta e um pacto de semi-parlamentarismo, que permitisse fazer “reformas liberais” e privatizações.

O pedido de prisão da cúpula do PMDB é o desmoronamento da política como a conhecíamos desde 88. E o início de um ciclo em que esses 3 projetos acima descritos farão a disputa:

  • agenda moralista de Janot/Lava-Jato (em parceria com a Globo);
  • agenda de reformas da Nova Esquerda (com Lula/Dilma ou sem Lula/Dilma);
  • agenda privatizante de Serra/PSDB e do “mercado” (também em parceria com a Globo).

Pairando por cima (ou por baixo) dessas três agendas, há o mundo dos políticos profissionais: desesperados, acossados pelas denúncias, apodrecidos por seus próprios erros… Eles podem se acertar com qualquer uma dessas agendas, se isso significar a sobrevivência.

A primeiro e a segunda agendas podem se apresentar em eleições diretas, com candidatos mais ou menos fortes. Já a terceira agenda (por impopular e elitista) depende de costuras nas sombras, pelo alto.

A terceira agenda hoje está embutida na primeira, numa aliança provisória que sustenta o governo Temer. Mas esse arranjo parece próximo de se desfazer.

Essa disputa, imprevisível, marcará o tipo de Estado que teremos ao longo das próximas décadas.

 

 


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8 comments

  1. marcosomag Responder

    O PT no Planalto poderia ter barrado tudo isto apenas aplicando a Lei em Moro e seus procuradores talebans e demolindo a Globo apenas com o anúncio da CPI da Fundação Roberto Marinho. A saída de Moro da lista de distribuição de processos no TJ-PR ocorreu paralelamente com as manifestações de 2013. EUA infiltradíssimos nos dois acontecimentos. A Dilma certamente tinha informações da ABIN sobre tais movimentos e, ao invés de manobrar junto ao STF (há ainda republicanos lá) para cortar as asinhas de Moro e mandar prender as “lideranças” das manifestações pelos claros indícios de treinamento e soldos vindos do exterior preferiu não fazer nada. A péssima assessoria que teve do seu “ministro” da Justiça, o famigerado José Eduardo Martins Cardoso, certamente contribuiu em muito para que ficasse inerte perante o país em chamas e as manobras para tirar o PT do Planalto. Se Jorge Vianna assumir a Presidência do Senado espero que barre este processo usando de todas as manobras regimentais de que possa dispor até que o “povão” acorde para o fato de os golpistas querem excluí-lo da vida nacional e coloque Dilma de volta no Planalto, goela abaixo do PMDB. Daí, uma guinada total à esquerda e, com a “onda” das massas a seu favor, demolir o Império do Jardim Botânico, fazer com que os patrocinadores do “pato” paguem a conta do ajuste fiscal e reafirmar a liderança do Brasil no processo de resgate da dívida social na América Latina.

  2. Marcelo Gaúcho Responder

    Ou o povo destrói a Globo ou a Globo destrói a Nação inteira assim como destruiu o Futebol (7×1) e o Carnaval (Globeleza com machismo e racismo).

  3. Antonio Morais Responder

    Os EUA apoiando a agenda privatizante de Serra/PSDB/“mercado”/Globo e todos contra a agenda de reformas da Nova Esquerda.

  4. Policarpo Responder

    As explicações que se procuram dar para o momento que estamos vivendo parecem oscilar entre dois modelos extremos:

    1º. o das “afinidades eletivas” de um mundo forjado por forças visíveis que se combinam em torno de um objetivo comum.

    2º. o das “teorias conspiratórias” de um mundo forjado por forças invisíveis que agem nas penumbras manipulando os diferentes interesses em jogo em prol de seus próprios interesses sempre ocultos

    A realidade e uma série de fatos parecem justificar e corroborar o recurso a estes dois tipos de modelos explicativos. O primeiro parece mais realista já que mais instável, mais desorganizado e caótico. O segundo – vamos dizer assim – parece mais redondo, mais consequente e organizado no entanto e por isso mesmo parece menos realista.

    No primeiro modelo parece existir uma tensão entre, de um lado, a paixão (ou melhor o ódio) que une e congrega, e de outro, a razão (ou melhor o interesse) que empurra a uma ação política consequente mas que, pouco a pouco, pelas próprias contradições internas dos diferentes interesses em jogo, vão levando a uma situação de instabilidade e caos (uma anomia bastante plausível) que pode, por fim, acabar tragicamente (no limite uma guerra civil ainda muito distante ou uma revolução ainda muito mais improvável)

    No segundo modelo aquela tensão ou inexiste ou é manipulada a tal ponto que não aparece, a não ser quando seus resultados se apresentam. Mas aqui fica sempre uma questão importante a resolver, que parece não pesar no primeiro modelo, que é a questão de definir quem é essa força poderosa capaz de definir e se ocultar de todos. E no primeiro modelo se passa a sensação de ingenuidade e falta de interesses claros que motivam a ação.

    O mais realista seria a fusão destes dois modelos para algo mais simples e mais realista que podemos chamar de o modelo da guerra, no qual não se vislumbra a composição do bloco inimigo e seus movimentos realizados e possíveis, mas também para a composição e os movimentos em seu próprio campo. E aqui existe a possibilidade do erro e dos acertos, dos avanços e dos recuos, das possibilidades reais e dos sonhos inviáveis, dos cercos, das escapadas e reorganização, etc etc etc Nem um caos inexplicável, nem um deus exmachina, que explicam tudo.

    Seja por “afinidades eletivas” seja pelas “teorias da conspirativas” qualquer que seja a explicação que se dê para o golpe em andamento se não nos organizarmos para a luta estamos lascados. Não podemos cometer mais esse erro se não quisermos nos encontrar com a derrota que nos bate a porta.

  5. Messias Franca de Macedo Responder

    Secretário de Comunicação do PT enfrenta PFs diante da sede do Partido
    QUI, 23/06/2016 – 12:52
    da Rede TVT
    https://www.facebook.com/redetvt/videos/vb.131520310251389/1115899318480145/?type=2&theater

  6. Messias Franca de Macedo Responder

    EXTRA! EXTRA! EXTRA! SENSACIONAL!…
    MAIS MÍSSIL NO COLO IMUNDO DOS(AS) NAZIGOLPISTAS, ANTINACIONALISTAS/ENTREGUISTAS &$ [MEGA]CORRUPTOS(AS)!

    A senadora Rose de Freitas já havia denunciado o golpe bem antes desta última confissão!
    VERDADE!
    Especificamente, a partir dos 03:00 do devastador vídeo abaixo!

    https://www.youtube.com/watch?v=TY8LzYEJRaA

  7. Messias Franca de Macedo Responder

    ATENÇÃO BRASIL DO BEM

    Mais uma prova cabal de que José Dirceu, João Vaccari Neto e o casal Santana são presos políticos!
    E se ‘nois’ não denunciarmos [mais] este crime hediondo contra a [suposta] democracia brasileira e aos Direitos Humanos, a desgraça também se abaterá sobre o [eterno] presidente Lula e, quiçá, sobre a presidenta Dilma Vana Rousseff!
    ENTENDA mais um capítulo!
    Capítulo que somente não é pra de lá de kafkiano porque é golpe!

    ***

    Acusações contra João Santana são dignas das Organizações Tabajara

    03 de Julho de 2016

    Eu já estava convencido de que não havia motivo jurídico para João Santana permanecer em prisão preventiva em Curitiba.

    Ao conversar, ontem, com um advogado criminalista de peso minha convicção se fortaleceu, pois, ele, que entende de leis e não tem nenhuma simpatia pelo PT foi taxativo: “Esse rapaz não merece continuar preso, não é criminoso, é só um marqueteiro. Não importa se ele recebeu dinheiro no exterior e se foi do Marcelo Odebrecht, ele recebeu pelo seu trabalho, o que não caracteriza propina. Se fosse meu cliente, já estaria em casa”.
    A peça acusatória contra Santana é uma sucessão de fantasias e de ilações. Os procuradores tentam (…)
    (…)
    A necessidade de sua libertação ficou mais evidente nos últimos dias, quando o notório Carlinhos Cachoeira, esse sim, bandido envolvido em inúmeros crimes barra pesada relacionado a propina, corrupção, lavagem de dinheiro foi preso e logo em seguida libertado.
    Alguém tem que tirar João Santana da cadeia.

    FONTE [LÍMPIDA!]: http://www.brasil247.com/pt/blog/alex_solnik/241809/Acusa%C3%A7%C3%B5es-contra-Jo%C3%A3o-Santana-s%C3%A3o-dignas-das-Organiza%C3%A7%C3%B5es-Tabajara.htm

  8. Messias Franca de Macedo Responder

    Mais um escândalo dentro do [mega]escândalo nazigolpista!
    E a “Justiça” da IMUNDA Casa Grande &$ da ecumênica plutocracia genocida cada vez mais ‘autodesMOROlizada’!

    $$$$$$$$$$$$$$$$

    (…)
    EM CASA
    Michel Temer foi homenageado com um jantar (terça-feira, 28), pelo ministro João Otávio de Noronha, do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Entre os convidados estavam os ministros do STF Gilmar Mendes e Dias Toffoli, o chanceler José Serra (PSDB/SP) e o senador Aécio Neves (PSDB/MG)
    (…)

    Por jornalista Mônica Bergamo
    em
    ‘Eduardo Cunha levava Funaro para encontros com milionários do PIB em São Paulo
    04/07/2016 02h00

    FONTE [IMUNDA!]: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2016/07/1787846-eduardo-cunha-levava-funaro-para-encontros-com-o-pib-em-sao-paulo.shtml