A barbárie do golpe: escombros, mortos, exército na rua – chegamos a 1968, sem AI-5

A barbárie se completa com o decreto de Temer: um estado de sítio molambo, disfarçado, covarde, típico de um velhaco que pode levar o Brasil ao abismo....

A barbárie se completa com o decreto de Temer: um estado de sítio molambo, disfarçado, covarde, típico de um velhaco que pode levar o Brasil ao abismo.

por Rodrigo Vianna

O prefeito da maior cidade do país caminha em meio aos escombros. Tinha acabado de mandar demolir um prédio na crackolândia, com moradores dentro.

Do outro lado do Brasil, dez corpos se amontoam, em meio a mais um massacre de trabalhadores rurais no Pará. A polícia paraense teria promovido a matança. O uso da força, sem disfarces, sempre foi a linguagem da elite brasileira: escravocrata, ardilosa, antipopular.

 

 

 

 

Trabalhadores em marcha contra as “reformas” de Temer são atacados brutalmente pela polícia em Brasília. Bombas, porrada, tiros.

Prédios ministeriais incendiados. Brasília arde. A direita de facebook diz que há “vândalos” nas ruas.

Vândalos.

Derrubar direitos trabalhistas e mudar a Previdência, impondo um programa econômico derrotado nas urnas: esse o verdadeiro vandalismo que ameaça o país desde que um golpe derrubou a presidenta eleita.

A Globo e os bancos querem uma semi-democracia sem povo. O mercado já decidiu: as urnas não valem, o que valem são as decisões nas mesas das corretoras e dos operadores das bolsas.

Queimaram votos, vandalizaram a democracia, colocaram meganhas pra lançar bombas contra com o povo. E o vandalismo é de quem?

A barbárie se completa com o decreto de Temer: um estado de sítio molambo, disfarçado, covarde, típico de um velhaco que pode levar o Brasil ao abismo.

O Exército está nas ruas em nome da lei e da ordem.

A Lava-Jato e a Polícia Federal podem tudo.

Enquanto isso, tucanos pisam nos pobres da crackolândia e os mortos se amontoam no Pará (também, sob governo do PSDB).

A Democracia agoniza. Parecemos às vésperas de um momento decisivo. Ou as garantias civis retornam. Ou o Brasil escravocrata, de sempre, vai impor a ordem, a morte e o terror.

Em 1 ano de golpe, caminhamos de 64 a 68. Já é possível ver o abismo que a Globo, os bancos e os tucanos cavaram com seus pés. Uma parte dos golpistas já foi tragada pelo abismo. Mas ameaçam lançar o país inteiro no buraco.

Sete dias de Exército nas ruas de Brasília, segundo o decreto criminoso de Temer. Sete dias em que o lado de cá pode virar o jogo, ou assistir ao enterro definitivo da Democracia.


4 comments

  1. C.Poivre Responder

    Fala sério, a democracia não agoniza ela já foi banida do Brasil desde o momento em que uma Câmara de deputados corruptos foi regiamente remunerada para aprovar um ilegalíssimo processo de “impeachment” contra uma Presidenta constitucionalmente eleita QUE NÃO PRATICOU NENHUM CRIME DE RESPONSABILIDADE. Pior, houve criminosa conivência do sistema judicial superior e das forças armadas que conspiraram contra a Constituição e contra o Estado Democrático de Direito. Não há meia-democracia assim como não há meia-ditadura (ou “ditabranda” como disse a Falha de SP). Não há meio termo aqui, é uma coisa ou outra.

  2. C.Poivre Responder

    Agentes provocadores se infiltraram na manifestação de ontem em Brasília, com cobertura da PM. Manifestantes ainda tentaram impedi-los sem sucesso:

  3. Policarpo Responder

    Hoje o Mercado andou calado. Depois de apoiar Temer e apoiar a deposição de Temer e voltar atrás sobre as duas coisas decidiram manter o silêncio e evitar os prognósticos, isso é que dá contratar o FHHC de guru. Acreditam que estão com a faca e o queijo na mão e que qualquer opção é sempre pró-mercado mesmo que seja uma coisa (Temer) e a coisa contrária (sem Temer). A ideia é que o Congresso é comprável ainda que algumas vezes queiram se fazer de Mercado e aproveitar a situação para “realizar” alguns ganhos. Esperam o cozido preparado pelas velhas raposas de sempre. Não é só nas relações trabalhista que o Mercado é a favor da terceirização. Na política mais ainda. O plano político mais “original” do Mercado continua sendo aquele mesmo de 94. Só que desta vez, vejam só, Temer não foi o Itamar e as Reformas não foram o Plano Real, só a imprensa cumpriu seu papel. O plano tão bem desenhado começa a não sair exatamente na figura planejada. Os tucanos são cada vez mais uma opção “out of money”, e com a volatilidade política nas alturas o Mercado vai ter que pagar caro por outra opção ainda também muito “out of money”. Vão ter que encarteirar o Doria por um preço alto e com todo o risco que ele carrega. Tiveram não uma ideia mas um lamento, que SE as eleições fossem em 2019 ai sim eles (o Mercado) levava fácil (sic). Nas planilhas dele o cenário político e econômico convergem para o céu de brigadeiro da economia em 2019. Ou seja, é melhor continuar com o plano velho mesmo, o de 94. Eles contam mesmo é com o silêncio da população. Enquanto ela ficar caladinha eles vão ensaiando algumas dessas saídas. Será que além de não ganhar mais eleições eles perderam também a mão para o negócio do golpe?
    Ahhh se fossemos um pouquinho mais ousados que eles….

  4. Policarpo Responder

    O Mercado depois de uma semana de “vida loca”, sem saber ao certo aonde e a quem apoiar, começou essa semana em silêncio sepulcral. O silêncio é só aparente atrás das cortinas muitas conversas estão acontecendo. Com certeza aproveitaram os feriados em Londres e NY, para secundar os “operadores” de um grande “acordão”, na melhor das hipóteses, na pior…..
    Acho que vão ligar o botão F de vez.
    Já não falo de democracia suspensa, digo democracia sequestrada mesmo.
    O plano é o seguinte:
    primeiro, não tem plano B
    segundo, Temer ou qualquer outro espantalho que o Mercado quiser,
    terceiro, passar goela abaixo ($) no Congresso as “reformas”,
    quarto, ganhar tempo até 2018 e esperar o “milagre” econômico e a “recuperação”,
    cinco, martelar o “sucesso” econômico na imprensa como um mantra e botar as fichas no primeiro candidato viável a mão (um “técnico”)
    seis, o resto a imprensa dá um jeito.
    sete, abater Lula. Se tiver Lula não tem eleição. Se não tiver Lula e nem nenhum outro candidato viável na oposição ai poderemos pensar em eleição.

    Quanto mais silenciosas as ruas e as oposições mais fácil o trabalho do Mercado. Nesse golpe 3M quem manda mesmo é o M de Mercado (empresários políticos e políticos empresários), o M de Mídia é um elemento de ligação (leva e atrás e se valoriza nesse movimento) e de modelagem da opinião pública, como elemento de ligação repercute os desejos e as sabedorias do Mercado e faz o trabalho de ligação com o M dos Meganhas do Judiciário e da Polícia que executam o trabalho de criminalização do PT, de politização da justiça e de judicialização da política.