Blog do Rovai
(11/03/2010 17:23)




A galera da Cooperifa mais uma vez dá exemplo de inteligência. Na última quarta-feira, no dia 10, pelo quarto ano consecutivo, promoveram o “Ajoelhaço da Cooperifa”. Quando os poetas e frequentadores do sarau a pedem perdão às mulheres. E o fazem de joelhos.

Sergio Vaz, o agitador do sarau, explica que sabe que “não vai ser um simples pedido de perdão que vai apagar todas as injustiças a qual nossas guerreiras são submetidas”.

Mas ao mesmo tempo diz que isso “não tem nada a ver com piada. É pura cidadania. Uma coisa é fazer um texto falando da importância feminina na vida dos homens, oferecer uma rosa no dia 8 de março. Outra coisa é aceitar o erro, pedir desculpas, ajoelhar-se.”

Este blogue adere ao movimento da Cooperifa e se ajoelha nesta semana do dia 8 de março. Mesmo sabendo que isso é pouco, o ato é simbolicamente mais significativo do que dar uma rosa. Concordo com o Vaz.

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(10/03/2010 17:10)

Um grupo de comunicadores vai se reunir amanhã às 19h no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo para dar um primeiro pontapé na criação de um movimento à favor da reforma agrária.

Já foi escrito um manifesto que, entre muitas outras, conta com a assinatura deste blogueiro. Seria interessante que todos aqueles que consideram essa luta justa se mobilizassem para que tanto o evento de amanhã seja um sucesso, como que outros encontros possam pipocar Brasil afora. Leia o manifesto abaixo: 



Comunicadores a favor da reforma agrária



"Está em curso uma ofensiva conservadora no Brasil contra a reforma agrária, e contra qualquer movimento que combata a desigualdade e a concentração de terra e renda. E você não precisa concordar com tudo que o MST faz para compreender o que está em jogo.

Uma campanha orquestrada foi iniciada por setores da chamada “grande imprensa brasileira” – associados a interesses de latifundiários, grileiros - e parcelas do Poder Judiciário. E chegou rapidamente ao Congresso Nacional, onde uma CPMI foi aberta com o objetivo de constranger aqueles que lutam pela reforma agrária.

A imagem de um trator a derrubar laranjais no interior paulista, numa fazenda grilada, roubada da União, correu o país no fim do ano passado, numa ofensiva organizada. Agricultores miseráveis foram presos, humilhados. Seriam os responsáveis pelo "grave atentado". A polícia trabalhou rápido, produzindo um espetáculo que foi parar nas telas da TV e nas páginas dos jornais. O recado parece ser: quem defende reforma agrária é "bandido", é "marginal". Exemplo claro de “criminalização” dos movimentos sociais.

Quem comanda essa campanha tem dois objetivos: impedir que o governo federal estabeleça novos parâmetros para a reforma agrária (depois de três décadas, o governo planeja rever os “índices de produtividade” que ajudam a determinar quando uma fazenda pode ser desapropriada); e “provar” que os que derrubaram pés de laranja são responsáveis pela “violência no campo”.



Trata-se de grave distorção.



Comparando, seria como se, na África do Sul do Apartheid, um manifestante negro atirasse uma pedra contra a vitrine de uma loja onde só brancos podiam entrar. A mídia sul-africana iniciaria então uma campanha para provar que a fonte de toda a violência não era o regime racista, mas o pobre manifestante que atirou a pedra.

No Brasil, é nesse pé que estamos: a violência no campo não é resultado de injustiças históricas que fortaleceram o latifúndio, mas é causada por quem luta para reduzir essas injustiças. Não faz o menor sentido...

A violência no campo tem um nome: latifúndio. Mas isso você dificilmente vai ver na TV. A violência e a impunidade no campo podem ser traduzidas em números: mais de 1500 agricultores foram assassinados nos últimos 25 anos. Detalhe: levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostra que dois terços dos homicídios no campo nem chegam a ser investigados. Mandantes (normalmente grandes fazendeiros) e seus pistoleiros permanecem impunes.

Uma coisa é certa: a reforma agrária interessa ao Brasil. Interessa a todo o povo brasileiro, aos movimentos sociais do campo, aos trabalhadores rurais e ao MST. A reforma agrária interessa também aos que se envergonham com os acampamentos de lona na beira das estradas brasileiras: ali, vive gente expulsa da terra, sem um canto para plantar - nesse país imenso e rico, mas ainda dominado pelo latifúndio.

A reforma agrária interessa, ainda, a quem percebe que a violência urbana se explica – em parte – pelo deslocamento desorganizado de populações que são expulsas da terra e obrigadas a viver em condições medievais, nas periferias das grandes cidades.

Por isso, repetimos: independente de concordarmos ou não com determinadas ações daqueles que vivem anos e anos embaixo da lona preta na beira de estradas, estamos em um momento decisivo e precisamos defender a reforma agrária.

Se você é um democrata, talvez já tenha percebido que os ataques coordenados contra o MST fazem parte de uma ofensiva maior contra qualquer entidade ou cidadão que lutem por democracia e por um Brasil mais justo.

Se você pensa assim, compareça ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, nesta quinta-feria, 11 de março. 



Assinam:

Alcimir do Carmo

Altamiro Borges

Ana Facundes

André Freire

Antonio Biondi

Antonio Martins

Bia Barbosa

Breno Altman

Conceição Lemes

Cristina Charão

Cristovão Feil

Danilo Cerqueira César

Dênis de Moraes

Emir Sader

Gilberto Maringoni

Giuseppe Cocco

Hamilton Octavio de Souza

Henrique Cortez

Igor Fuser Jerry Alexandre de Oliveira

Joaquim Palhares

João Brant

João Franzin

Jonas Valente

Jorge Pereira Filho

José Arbex Jr.

José Augusto Camargo

José Carlos Torves

José Reinaldo Carvalho

Ladislau Dowbor

Laurindo Lalo Leal Filho

Leonardo Sakamoto

Lilian Parise

Lúcia Rodrigues

Luiz Carlos Azenha

Marcia Quintanilha

Otávio Nagoya

Paulo Lima

Paulo Zocchi

Raul Pont

Renata Mielli

Renato Rovai

Rita Casaro

Rita Freire

Rodrigo Savazoni

Rodrigo Vianna

Rose Nogueira

Sandra Mariano

Sérgio Gomes

Sérgio Murilo de Andrade

Soraya Misleh

Tatiana Merlino

Terezinha Vicente

Vânia Alves

Venício A. de Lima

Verena Glass

Vito Giannotti

Wagner Nabuco



Serviço:

Quinta-feira,11 de março, às 19h

No Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

Rua Rego Freitas, 530, sobreloja, próximo ao Metrô República

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(10/03/2010 11:37)

Na bolsa de apostas do mercado industrial paulista e também entre os petistas, cresce a impressão de que Ciro Gomes não deve sair nem candidato a presidente nem a governador em São Paulo. Inclusive porque a demora em dar o sim aos paulistas levou a uma articulação para que o senador Aloísio Mercadante saia a governador com Paulo Skaf de vice.

Isso faria com as vagas ao Senado fossem preenchidas por Marta Suplicy e por Chalita (PSB) ou Netinho (PCdoB). Para o grupo de Marta Suplicy seria mamão com açúcar. Todos querem vê-la candidata ao Senado porque imaginam teria uma eleição fácil. Ao mesmo tempo a ex-prefeita liberaria seus aliados para terem boas votações para a Câmara Federal nas áreas da periferia paulistana.

A solução também agrada ao setor industrial de São Paulo. Como presidente da FIESP, aliás, ficaria o big boss da CSN, Benjamim Steinbruch, de quem Mercadante é amigo dileto.

As relações do senador são tão boas com os representantes do setor empresarial paulista que no Congresso do PT ele defendeu em reuniões internas contra a proposta de 40 horas semanais. Alegava que isso não deveria constar do programa de governo. Derrotado, Mercadante tem articulado para que se aprove já uma proposta intermediária, de 42 horas semanais.

Márcio França, presidente do PSB paulista, ainda prefere a opção Ciro Gomes ao governo. Ele avalia que uma candidatura com número 40 elevaria o número de deputados eleitos pelo partido no estado, seu principal objetivo atual.

No campo tucano, começa a crescer a opção Goldmann. Quem achava que o vice governador era carta fora do baralho, já começa a se preocupar com sua constante presença em todos os eventos de inauguração.

A candidatura Alckmin é a preferida da elite paulista. Destacando-se nessa elite, o quatrocentão Estado de S. Paulo, que não cansa de apontá-la como quase certa em suas reportagens.

Mas entre o tucanato essa certeza é mais do que uma grande dúvida. Muitos interlocutores deste blogue afirmam que Serra avalia que ganha o governo em São Paulo com qualquer candidato. E que não estaria interessado em devolvê-lo a Alckimin. Sua chapa preferida seria Goldman ou Aloísio Nunes com Afif de vice. E Alckmin e Quércia para o Senado. Em breve tudo isso estará resolvido. A conferir. 

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(05/03/2010 14:22)

Já há um grupo de trabalho do Banco Central e da Receita Federal construindo um sistema onde você não terá mais o trabalho de fazer o seu Imposto de Renda. Ele virá pronto e você ou assina embaixo ou já está na malha fina. É o Big Brother total.

Isso será possível porque o sistema criará uma série de cruzamentos que permitirão saber sua renda, investimentos, gastos etc. Tudo fornecido pelo BC à Receita, que a partir desses dados produzirá a sua declaração.

Este novo formato ainda está em fase de testes e não é certo se será inaugurado tão cedo por ser repleto de riscos. Mas a novidade não só dificultará a sonegação, como acabará com qualquer privacidade do correntista.

Não sei vai funcionar ou não, mas se isso de fato for criado acho que a movimentação em dólar e euros vai aumentar muito.

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(03/03/2010 14:29)

Não conhecia o Formspring e na verdade ainda não o conheço direito. Mas vi a ferramenta no blogdomello e resolvi testá-la por aqui. É uma ferramenta onde você faz a pergunta e a pessoa responde.

Como registrou o Mello, ela inverte a mão dos blogs. Em vez de o blogueiro escolher o assunto, quem o faz é o leitor. http://www.formspring.me/bloguedorovai

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(03/03/2010 14:06)

O amigo leitor é bem humorado por isso não vai imaginar que este blogueiro está querendo tornar o nazismo algo menor.

Ou que está querendo chamar quem quer seja de nazista, porque sabe que este blogueiro e suficientemente inteligente para saber que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Nazismo não pode ser confundido com estupidez e golpismo. E bem pior que isso.

Mas mesmo sabendo do risco de ser mal entendido, não poderia deixar de compartilhar com os amigos do blogue este “vídeo secreto” que me foi enviado. Trata-se de uma conversa intramuros sobre o fechamento da Veja. Imaganes provavelmente produzidas por algum infiltrado que estava com um celular.

Pra dizer o mínimo: engraçadíssimo.

Claro, já vi outras adpatações com o mesmo vídeo. Mas esta é a melhor.

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(02/03/2010 16:45)

A famosa filha do Big Mac, a tal da Big Mídia, agora terá como contraponto não apenas os milhares de marimbondos midiáticos que de quando em quando atuam em bando e derrotam os conglomerados mastrodônticos.

Na reunião de sábado, cujo resultado anuncio tardiamente, representantes de inúmeros veículos de mídia livre, alternativa, popular etc., decidiram unir esforços para criar a Altercom (Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação).

A iniciativa tem por objetivo construir um espaço de articulação para aqueles produtores de comunicação que não se enquadram na lógica comercial tradicional e não consideram informação mercadoria. Isso serve tanto para empresas como para iniciativas individuais, como por exemplo, aqueles que hoje fazem blogues.

Neste primeiro momento dois grupos trabalham para construir uma carta de princípios e um estatuto organizativo para a entidade.

Fórum faz parte da iniciativa e considera que ela pode se tornar um marco para esse grupo que hoje tem força real no espaço midiático, mas pouca representatividade política no debate maior dos destinos da comunicação brasileira.

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(26/02/2010 11:10)

Amanhã acontece encontro promovido por empresários e empreendedores progressistas de comunicação que se organizaram em São Paulo e elegeram 20 representantes para a Confecom.

Por conta do número de eleitos e da diferença de posições em relação ao restante do empresariado, este campo acabou sendo apelidado de G20.

O encontro tem por finalidade debater a criação de uma entidade nacional que represente os interesses de empresas e empreendedores do campo progressisita.

O Seminário terá início com uma mesa redonda, coordenada pelo professor Flavio Aguiar, com duração de duas horas.

Os provocadores convidados para o debate são os professores Bernardo Kucinski (ECA-USP), Venício Lima (UNB), Denis de Oliveira (ECA-USP) e Laurindo Leal Filho (ECA-USP).

O encontro é aberto a todos que tenham interesse pelo tema, não apenas àqueles que estejam interessados em participar da nova entidade. A intenção é produzir uma Carta de Princípios da nova entidade até o fim do encontro.



Local:Maksoud Plaza.

Data: 27 de fevereiro (sábado) das 8 às 18h.

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(24/02/2010 17:03)

Ele vai ser candidato a presidente com o mote de que será o “cara” que vai melhorar a vida das pessoas, o “cara” que vai melhorar a área de saúde no Brasil.

Os tucanos já fizeram pesquisas qualitativas e definiram o mesmo mote que lhe deu a vitória contra Marta Suplicy. Acham que a imagem dele como ministro da Saúde foi muito forteeeee. 

Além disso, o ex-menino da Mooca não vai cansar de repetir “que o que é bom, nós vamos continuar, vamos melhorar. O que é ruim, nós vamos acabar. Eficiência, gestão, seriedade...” Ufa! 

E em relação as privatizações, sabem o que Serra vai falar. Nada. Vai ficar bravo com jornalistas que fizerem perguntas sobre o tema. E vai tentar desqualificar Dilma, quando pensar em tratar do assunto. Importantíssimo por sinal.Talvez Serra não queira tratar mais dele porque já tenha dito muito a respeito.

Vejam essas duas imagens que pesquei no blogue do Douglas Yamagata depois de receber um email do Andre Lux.

As imagens são ótimas, mas os textos da Veja que você pode ler no blogue do Yamagata são melhores ainda.

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(19/02/2010 18:23)

O Congresso do PT incorporou no texto do programa de governo da candidatura de Dilma Roussef emenda do vereador de São Paulo, José Américo, que contou com 150 assinaturas, defendendo a democratização da mídia.

No texto original a questão era apenas tratada de forma genérica, algo como; “o governo deve implementar medidas que incentivem a democratização”. Após a incorporação da emenda de José Américo, o texto passará a ter o seguinte conteúdo.

“O governo deve incentivar medidas que incentivem a democratização do comunicação, em especial aquelas voltadas para o combate ao monopólio, levando em conta as resoluções da Confecom, que aprovou, entre outras medidas: proibição da propriedade cruzada; instalação do Conselho de Comunicação Social; direito de resposta coletivo e incentivo à produção regional”.

Trata-se de um avanço razoável. Nas candidaturas de Lula, o capítulo da comunicação sempre foi absolutamente genérico.

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Renato Rovai
Renato Rovai é editor da revista Fórum outro mundo em debate.
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