Blog do Rovai
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(18/11/2008 09:40)

Recebi um manifesto que está circulando na internet em busca de solidariedade. Ele já conta com o apoio do MST. Dada a gravidade do tema, esse blogue irá acompanhar o caso. Trata de uma possível cassação do atual governador do Maranhão, Jackson Lago que estaria sendo articulada pelo grupo de José Sarney, que reinou absoluto durante 40 anos no estado. A herança do sarneyzismo é terrível. O Maranhão é um dos estados mais pobres do país e talvez o menos preparado para construir alternativas de desenvolvimento.

Leiam o manifesto abaixo. Em concordando e querendo participar da ação, basta entrar em contato com Beatriz, pelo email bbissio@gmail.com



"Está na fase final, com decisão iminente, o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral do processo movido pela coligação "Maranhão -a Força do Povo", que apoiou a candidata Roseana Sarney (DEM) ao governo do Maranhão nas eleições de 2006, pedindo a cassação do governador Jackson Lago e do vice–governador, Luis Carlos Porto.

O motivo alegado para justificar o pedido seria a ocorrência de abuso de poder político (uso da administração pública em benefício dessa candidatura).

Não é difícil demonstrar, mesmo conhecendo as sutis filigranas jurídicas, a fragilidade das acusações. A maior parte das supostas irregularidades ocorreu antes do dia 1º de outubro de 2006 (data do primeiro turno). O então Governador do Estado, José Reinaldo Tavares – que apoiou no primeiro turno o candidato Edson Vidigal, seu correligionário do Partido Socialista Brasileiro, teria celebrado convênios com prefeituras como instrumento eleitoral.



No primeiro turno, Roseana Sarney superou Jackson Lago em 101 (cento e um) dos 156 (cento e cinqüenta e seis) municípios beneficiados com repasses de recursos decorrentes de tais ajustes. E, em diversos Municípios, não favorecidos com esses convênios, a candidata Roseana Sarney foi derrotada. Os exemplos mais concretos são os Municípios de São Luís e Imperatriz, nos quais Jackson Lago venceu a eleição com dianteira de mais de 210.000 mil eleitores1.

No segundo turno, Roseana Sarney não conseguiu o apoio de nenhum dos candidatos derrotados no primeiro turno. Sua votação se manteve praticamente inalterada: 1.282.053 votos no primeiro turno e 1.295.745 no segundo. O terceiro e quarto colocados, Edson Vidigal e Aderson Lago, apoiaram Jackson Lago, que tendo recebido 933.089 votos no primeiro turno, saltou para 1.393.647 votos no segundo. A diferença é praticamente equivalente ao total de votos dos candidatos derrotados no primeiro turno2. Não há nada de ilegal ou ilegítimo nisso!

Este breve resumo dos antecedentes do processo contra o Dr. Jackson Lago só permite uma conclusão: o processo movido contra ele é político e não jurídico.

A candidatura de Roseana Sarney em 2006 representava a continuidade no controle do aparelho do Estado de um grupo político–econômico que começou a obter poder quando seu maior expoente, o atual Senador José Sarney, numa reviravolta política, aliou–se ao governo militar após o golpe de 1964, tornando–se desta forma governador biônico. Na verdade, quem teria sido eleito governador pelo voto, caso não houvesse a intervenção militar, teria sido Neiva Moreira, cuja candidatura já era dada como vitoriosa. Mas nessa altura, Neiva tinha sido preso e depois expulso do pais, passando 15 anos no exílio.

Aliado à ditadura, Sarney comandou o Maranhão como um chefe político absolutista, pois além do poder econômico, foi concentrando amplas prerrogativas políticas, como a formação do maior conglomerado de comunicação da região, o sistema Mirante, e a omeação para os principais cargos nos poderes e na burocracia do Estado daqueles que lhe juravam fidelidade plena.

Como nas monarquias hereditárias, José Sarney “preparou” os filhos para assegurar a continuidade do seu domínio sob o Estado, sempre amparado na falta de democracia, de liberdade de imprensa, na construção de mitos e no uso e abuso da maquina burocrática. Quando a abertura política permitiu uma eleição de compromisso entre o passado autoritário e um futuro democrático, Sarney teve o benefício do destino trágico de Tancredo Neves para chegar à Presidência.

Desde que as eleições se tornaram, de fato, diretas, esse grupo vinha mantendo o seu poder graças a essa forma autoritária de controle do Estado. Assinale–se, por exemplo, que as emissoras de rádio e de televisão que funcionam nos país com prazo de concessão vencido, estão alguns das que pertencem ao grupo Mirante.

Há alguns anos que a família Sarney está sendo investigada por irregularidades de todo tipo (eleitorais, financeiras, administrativas) que praticou durante décadas.

Chama a atenção que o grupo Sarney, que teve a ousadia de pedir a cassação do governador Jackson Lago confiado em seu imenso poder, tenha um dos seus membros, Fernando, filho do senador Sarney, sob investigação da polícia e do Ministério Público por financiamento ilegal de campanha de Roseana Sarney para o governo do Maranhão em 2006!

Alguém duvida, diante desta pequena síntese, de que o processo contra o Dr. Jackson Lago é político? Alguém duvida que se trata de mais uma jogada suja de um clã que não se resigna a aceitar a realidade de que o Maranhão, pelo voto popular, disse que não aceita mais ser um feudo da família Sarney?

A Justiça no Brasil está sendo observada pelo povo, que em duas décadas de exercício do voto e da prática cotidiana da DEMOCRACIA aprendeu que O VOTO TEM VALOR!!

A família Sarney foi destronada pelo voto popular e confia-se que a Justiça Brasileira mais uma vez referende a vontade do eleitor não cometendo um equívoco que certamente trará graves e imprevisíveis conseqüências políticas para a governabilidade do Estado do Maranhão."

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(17/11/2008 16:27)

Diferentemente do que as corporações midiáticas e seus quase-jornalistas tentam provar, Hugo Chávez é craque em eleições. Ele costuma resolver tudo no voto. Quando algo lhe toca, bora fazer um plebiscito.

A estratégia sempre dava certo, até a última tentativa, quando propôs uma reforma constitucional. E perdeu. Entre os muitos pontos tal reforma permitia a reeleição indefinida do presidente da República.

Agora, neste domingo, o governo enfrenta seu primeiro teste de fogo depois daquela derrota. Estão em jogo os governos dos estados e as mais de 100 prefeituras do país. E Chávez, pelas informações que tenho, não terá vida fácil.

O sociólogo e amigo venezuelano Élio Hernandes, que apóia o governo de Chávez, me envia uma análise das disputas estaduais.

Segundo ele, “a situação é preocupante em sete estados: Carabobo, Zulia, Miranda, Mérida, Nueva Esparta, Yaracuy y Táchira.”

A diferença entre os candidatos da situação e da oposição nesses estados, segundo Élio, “é menor do que 10 pontos nas diferentes pesquisas de opinião”. É bom lembrar que na Venezuela as pesquisas sempre erraram, porque antes todas eram ligadas à oposição. Hoje o governo também tem seus institutos.

Élio, diz que, no entanto, dos sete estados, em seis a situação é mais delicada. Ou seja, tudo indica que em Yaracuy o governo vença.

Ele ainda explica que do ponto de vista populacional e econômico os estados mais importantes do país são; Zulia, Carabobo, MIranda, Bolivar, Tachira, Mérida, Sucre, Guarico y Distrito Capital. Ou seja, nove.

E por isso seria péssimo se a situação perdesse simultaneamente em Tachira, Zulia, Miranda e Carabobo, que são estados emblemáticos.

Outra matemática utilizada por Élio Hernandes é que atualmente a oposição já governa cinco: Nueva Esparta, Zulia, Sucre, Aragua, Guárico y Carabobo. Sendo que os governadores dos últimos quatro foram eleitos com o apoio de Chávez e se afastaram dele. Aliás, neste aspecto Chávez é também craque. Muitos dos seus opositores são ex-aliados.

A partir desta realidade, Élio diz o seguinte: “a oposição vai cantar vitória se vencer em quatro estados pelo menos. Mas para de fato avançar, terá de ganhar ao menos em seis”.

E completa com a seguinte frase: “Se eles ganharem em cinco ou menos do que isso, podemos dizer que o projeto bolivariano está se recuperando da derrota pela reforma constitucional. Seria um cenário favorável ao governo.”

É uma análise de um venezuelano que apóia Chávez, mas bastante franca e interessante. A meu ver, muito mais honesta e transparente do que as que tenho lido nos últimos dias nos nossos jornalões. Que em tese deveriam ser mais imparciais, mas não o são.

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(12/11/2008 23:23)

Faz tempo que estou pra escrever algo sobre essa história de se a anistia vale ou não para torturadores. Acho que isso acontece porque inconscientemente tento escapar de temas onde apresento minhas vísceras aos leitores.

Agora, que há duas posições importantes com as quais concordo e que trazem, a meu ver, algo novo para o debate pelos segmentos que representam, toco no assunto:

"Torturador tem que ser punido. Tortura não é crime político, é um crime abominável, que tem que se julgado e punido. Para isso não há perdão, não tem desculpa. Torturou, tem que pagar". A afirmação foi feita pelo jornalista e escritor, pai do governador do Rio de Janeiro e um dos fundadores do jornal O Pasquim, Sergio Cabral.

Espero que o filho dê uma declaração tão forte quanto a do pai e tente demover seu correligionário Nélson Jobim da posição estúpida em que se encontra.

Afora isso, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC colocou na rede uma nota de apoio ao ministro Vannuchi, solicitando a responsabilização de torturadores

“Como Vannuchi, os Metalúrgicos do ABC entendem que tortura é crime de lesa-humanidade, imprescritível e não pode ser objeto da Lei de Anistia. A legislação não pode ser mal interpretada e usada em benefício de torturadores, muito menos deve impedir o debate público para escancarar nomes e números dessa macabra passagem da história brasileira, justamente para que nunca mais se repita.”

(...)

Como categoria que também entrou para a história do País por enfrentar as perseguições e cassações impostas pelo regime militar, o Sindicato entende a indignação e apóia a ação do ministro Vannuchi contra o parecer emitido pela Advocacia-Geral da União (AGU), que considera perdoados, pela Lei da Anistia (6.683), os crimes de tortura cometidos na ditadura. O parecer da AGU integra o processo que responsabiliza os militares reformados Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi, e Audir Santos Maciel por morte, tortura e desaparecimento de 64 pessoas durante a ditadura militar.

(...)

Estima-se que pelo menos 20 mil pessoas foram torturadas e centenas foram mortas ou estão desaparecidas, em ações que contrariam a Declaração Universal dos Direitos Humanos por atentarem cotra a vida e a liberdade.

O Sindicato dos Metalúrgicos entende que tortura é crime de lesa-humanidade, imprescritível e não pode ser objeto da Lei de Anistia. A legislação não pode ser mal interpretada e usada em benefício de torturadores, muito menos deve impedir o debate público para escancarar nomes e números dessa macabra passagem da história brasileira, justamente para que nunca mais se repita.”

É hora de intensificar a pressão. Torturador tem que ser julgado em praça pública. E condenado, se culpado, com todos os requintes legais respeitados. Mas precisa servir de exemplo. Sabem por quê? Porque enquanto esses Ustras da vida continuarem desfilando por aí e sendo defendidos com o nosso dindim, as torturas continuarão sendo praticadas em delegacias e prisões.

A questão é: a tortura ainda é praticada, também porque nunca foi punida.

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(12/11/2008 10:43)

Começa hoje a Teia, encontro de todos os 850 pontos de cultura espalhados pelo Brasil. Trata-se de uma ação monumental e que mereceria grande destaque midiático, mas infelizmente nossa mídia coorporativa tupiniquim só trata de iniciativas como essa para cobrar a prestação de contas. Aliás, vou tratar disso num próximo post.

Tem gente que ainda não sabe como funcionam os Pontos de Cultura. Vou tentar explicar aqui. Eles são espaços nos quais já havia um grupo ou movimento trabalhando com algum aspecto cultural e que passaram a ser reconhecidos pelo MinC como importantes para a nossa plena cidadania.

Por esse motivo, recebem recursos do Estado para tocar o trabalho. Sem que o Estado lhes peça nada mais em troca ou lhe direcione as ações. Simples assim.

Mas não é o simples desejo do grupo ou movimento que torna os projetos em Pontos de Cultura. É preciso ser selecionado a partir de um edital. Mas, a novidade, é que esse edital não tem um modelo único, não impõe restrições às instalações físicas e muito menos cria amarras para as programações e atividades do grupo.

Quando o convênio com o MinC acontece, o Ponto de Cultura criado recebe até R$ 180 mil por ano por um período de até três anos.

O incentivo pode se reverter em equipamentos multimídias, em software livre, microcomputador, mini-estúdio para gravar CD, câmera digital, ilha de edição, enfim o que for importante para o Ponto de Cultura e comunidade a ser beneficiada por ele. Enfim são 850 experiências que você pode acessar a partir deste mapa e ordená-las por Estado ou perfil.

A repórter Brunna Rosa estará cobrindo a Teia 2008 e vai apresentar nos próximos dias muitas experiências interessantes para que você conheça melhor essa nova dinâmica de apoio e articulação cultural.

E querem saber do melhor, o MinC já está discutindo a proposta do Fórum de Mídia Livre de apoiar, também a partir de seleção por editais, Pontos de Mídia Livre.

Ou seja, seu blogue, sua página virtual, seu grupo de vídeo, grafite etc., poderão ter apoio para desenvolver um trabalho de comunicação. Chique, né?

Arrisco dizer que seria o início de uma nova era no processo de produção de informação no Brasil. E que por isso temos de formar barricadas para que de fato esse projeto se realize e dê frutos.

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(09/11/2008 14:16)

A minha colega  de midia-livrismo, Ivana Bentes, diretora da escola de Comunicação da UERJ, tem um bela entrevista publicada no Caderno Mais de hoje da FSP. Publico-a, para reflexão dos leitores.

Só faço um comentário a respeito da última pergunta, onde o entrevistador indaga se Obama não poderia ser o príncipe eletrônico, cujo conceito foi formulado por Octavio Ianni. Não, não poderia. Ianni caracteriza os aparelhos comunicacionais como o príncipe moderno de Maquiavel. E de forma metafórica os chama de o príncipe eletrônico. Obama poderia até ser produto do príncipe eletrônico, nunca o próprio.


por Euclides Santos Mendes



Os meios de comunicação deram à campanha norte-americana atenção e espaço poucas vezes vistos numa disputa eleitoral. Mas, para a professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro Ivana Bentes, a mídia não "elegeu" o democrata Barack Obama. "Mesmo seduzida por ele, a mídia não tem fidelidade a nenhum candidato", diz na entrevista abaixo.



FOLHA - Por que a crise financeira e a eleição presidencial nos EUA monopolizaram a mídia mundial por várias semanas, mesmo havendo hoje um acesso inédito a múltiplos meios de informação?

IVANA BENTES - Os dois "fenômenos" andam juntos. A eleição de Obama e a crise financeira apontam para um cenário de co-dependência global em que as crises, celebrações e lutas explodem as fronteiras nacionais e trazem o vislumbre do que poderia ser, potencialmente, uma mídia e uma democracia globais e também um "presidente das multidões". A eleição do primeiro presidente negro dos EUA foi uma resposta ao Estado militarizado de Bush e ao terrorismo econômico dos mercados financeiros. Só que a mídia não politiza a crise financeira, apresentada na TV como se fosse uma "catástrofe natural". A "resposta Obama", de uma mudança possível, seduz eleitores, a mídia e o imaginário global diante desse terrorismo de Estado e de mercado.



FOLHA - Até que ponto os meios de comunicação contribuíram para alavancar a imagem do candidato democrata?

BENTES - Não foi a mídia que elegeu Obama, mas, sem dúvida, a sua biografia e a postura "cool", de um afro-americano que, nos discursos de campanha, saudou negros e brancos, gays e héteros, hispânicos, africanos, as mulheres etc. Ao mesmo tempo, a mídia e o próprio Obama apelaram para a imagem do "pós-negro", para um multiculturalismo esvaziado de conflitos. É claro que isso seduz, simbolicamente, num país tão atravessado por clivagens raciais e com uma política tão dura contra os "outros". Mas ninguém foi "manipulado" pela mídia. Mesmo esse multiculturalismo soft, diante da era de intolerância e racismo do governo Bush, tem um poder simbólico grande. Mas, mesmo "seduzida" pela novidade, a mídia não tem "fidelidade" a nenhum candidato. Basta ver o exemplo brasileiro. Lula começou o primeiro mandato na bancada do "Jornal Nacional", com telebiografia celebratória de sua trajetória, tão fabulosa quanto a de Obama, e, quatro anos depois, quase foi destituído na crise político-midiática, antes da reeleição.



FOLHA - As novas mídias, sobretudo a web, tiveram papel central na campanha. Após esta eleição, o que muda na relação da mídia tradicional (jornal, TV, rádio) e das novas mídias com a política?

BENTES - Os eleitores de Obama mobilizaram a blogosfera. O candidato teve recorde de doações pela internet para sua campanha, sendo financiado pelos próprios eleitores, fato inédito. Respondeu a acusações postando vídeos no YouTube, disseminando imagens no Flickr, mensagens diretas para os celulares dos eleitores e mensagens instantâneas no Twitter, seguidas por milhões na rede. A possibilidade de uma "democracia participativa" (apesar do caráter representativo e indireto do sistema de votação nos EUA) surge nessa forma potencial de uso das redes sociais, de relacionamento e compartilhamento. Por meio delas, o eleitor constrói a informação, intervém nos discursos, reage contra a mídia tradicional, repercute, interage e se mobiliza numa forma de ativismo que coloca em xeque a centralidade da mídia tradicional e da democracia representativa. TVs e jornais tiveram que se associar à internet, ao YouTube, fazer debates on-line com a participação dos internautas. Um dos primeiros fatos midiáticos na campanha de Obama surgiu quando uma eleitora escreveu o nome do candidato no traseiro, criou um jingle divertido e postou esse vídeo de "agitprop" no YouTube, obtendo milhões de cliques de atenção na mídia global. Num só ato, sublinhou a caretice do marketing político tradicional e apontou para uma questão decisiva: cultura política descentralizada, heterogênea e novas formas de ativismo.



FOLHA - Obama seria o "Príncipe Eletrônico" (conceito pautado na relação entre política e mídia) preconizado pelo sociólogo Octavio Ianni?

BENTES - Obama me parece estar num lugar de passagem, em que está em jogo a crise da democracia representativa, a emergência de uma democracia participativa, a descrença no mercado financeiro, a crise do Estado-nação, dos nacionalismos e "soberanismos", a emergência de uma democracia global.

No que nos diz respeito, ele é o devir-periférico do mundo.

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(07/11/2008 13:33)

Há um grupo de pessoas que se reivindica de esquerda, aliás, como representantes reais da esquerda. E que nunca dizem sim. Nem mais ou menos. Só apreenderam a dizer não.

São de fatos muito chatos. E por conta deles se criou o mito de que todos nós que não compartilhamos com a visão liberal do mundo também somos chatos.

A chatice da vez é em relação à eleição de Obama. Para eles continua tudo como dantes no quartel d´abrantes. Ou seja, com Bush ou Obama os EUA e sua política permanecem do mesmo tamanho.

Aliás, para esses, as coisas podem ainda ficar piores. Porque Obama, com a sua credibilidade e cara de bonzinho, poderia ainda piorar as coisas.

Não haveria nada simbólico na sua eleição. Nada que pudesse ser reivindicado como uma vitória da luta de um grupo grande de cidadãos planetários, especialmente estadunidenses, contra o bushismo e sua política.

Para esses também não há diferença alguma entre o governo Lula e seus antecessores, em especial, o último presidente que o antecedeu. Lula, ao contrário, estaria fazendo um governo mais comprometedor para a luta dos trabalhadores do que FHC.

Dureza.

Deve de fato ser dura ou mole demais a vida desses que insistem em enxergar o mundo pelas lentes da negação completa das suas idas e vindas, das contradições, das vitórias e derrotas, mesmo aquelas que não são absolutamente completas?

Aliás, o que seria uma vitória absolutamente completa das forças populares nos EUA?

A vitória de Obama foi a melhor construção do possível no atual estágio das contraditórias relações de poder na sociedade estadunidense. E por isso a celebrei e a celebrarei. E por algum tempo.

O fato de Obama ser negro também não significa nada para os que dizem não.

Eles de fato não estão entendendo nada, infelizmente. E são muito chatos.

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(05/11/2008 14:06)

Desde quinta-feria estou no Maranhão. Volto hoje para São Paulo bastante animado com os encontros aqui realizados. A convite do governo do Estado participei de debates para realizar aqui um evento midía-livristico antes do FSM.

Chegou-se a um formato que será o primeiro capítulo do Laboratório Internacional de Midía Livre. Vou explicar depois em detalhes do que se trata, mas é um projeto que visa contribuir na formação de comunicadores e na animação de redes colaborativas, tanto do ponto de vista local, como da intersecção do local com o global.

O projeto está sendo escrito pelos maranhenses. E já há um compromisso tanto da Fapema (Fundação de Amparo à Pesquisa do Maranhão) quanto do Ministério da Cultura, de apoiar esse processo.

Dada as particularidades do Maranhão, onde a comunicação sempre esteve à serviço da política mais conservadora e deletéria, essa me parece uma notícia e tanto. Por isso a compartilho antes mesmo de desembarcar em São Paulo.

Quanto a Obama, acho uma excelente notícia para todos nós.

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(04/11/2008 22:53)

Estou acompanhando as eleições estadunidenses pelo site do professor Ibelber Avelar, o Biscoito Fino e a Massa. As suas primeiras análises já facilitam bastante o entendimento da confusa eleição do quase ex-império.

Idelber é doutor no assunto e fez uma excelente reportagem sobre o Fator Obama há alguns meses na edição impressa da Fórum.

Pelo que estou conseguindo acompanhar nessas primeiras horas, tudo indica que Obama vai ganhar.

De qualquer forma, ainda é cedo para fazer análises, até porque Obama deve perder na Virgina e pelas análises do professor Idelber as coisas se encaminhariam bem se ele vencesse ali.

Por outro lado, deve ganhar na Flórida. O Estado que levou Bush à presidência sem que ele tivesse, de fato, ganhado lá. E sendo que ele tinha perdido no resto do país. Coisas de um quase ex-império.

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(29/10/2008 22:32)

A corrente Articulação do PT Mineiro encaminhou uma carta aos petistas cujo conteúdo, entre outras coisas, traz os seguintes parágrafos que seguem:



“O PT mineiro foi vitorioso nas eleições municipais de 2008. O número de prefeitas e prefeitos cresceu 24% e o número de vereadores e vereadoras, 6%. Passamos de 82 para 109 prefeitos, de 47 para 67 vice-prefeitos onde apoiamos outros partidos e de 622 para 659 vereadores. Dentre as 27 maiores cidades (acima de 100 mil habitantes), o PT é o partido com maior número de prefeituras, subindo de seis para oito nessas eleições (Contagem, Betim, Governador Valadares, Ipatinga, Teófilo Otoni, Pouso Alegre, Varginha e Coronel Fabriciano).”

“Já o número de prefeitos do PSDB, que governa o Estado, caiu de 170 para 160. E o PSDB teve perdas significativas para o PT, como em Betim, Governador Valadares e Caratinga, e para o PMDB em Barbacena, São João del Rei e Vespasiano. Nas 27 maiores cidades de Minas o PSDB terá, no próximo período, somente 5 prefeituras: Juiz de Fora, Sete Lagoas, Divinópolis, Conselheiro Lafaiete e Lavras. Em relação à eleição para vereadores, a bancada do PSDB caiu 8%.”

A vitüria do PT e dos partidos aliados ao Presidente Lula teria sido ainda maior não fosse a política adotada em Belo Horizonte, que tirou do PT o comando político da capital, depois de 16 anos de bons governos transformadores, entregando-o ao governador Aécio Neves e às forças conservadoras que sustentam o seu projeto local e nacional de poder. A imposição de um candidato aecista ao PT teve conseqüências danosas para Belo Horizonte, dilapidando grande parte do acúmulo político e social alcançado na cidade desde que o PT e seus aliados chegaram à Prefeitura, em 1992.”

“Em 2004 o PT obteve 2,3 milhões de votos para prefeito em Minas Gerais. Agora, pela não apresentação de candidato à prefeitura de Belo Horizonte (872 mil votos em 2004), recuamos para 1,5 milhão de votos no Estado.”



O recado do grupo que não aceita o acordo Pimentel-Aécio está dado. Mesmo que o atual governador devolva a gentileza e aceite apoiar o prefeito petista para o governo do Estado, haverá disputa interna. Patrus Ananias é o nome contraponto a essa aliança. A disputa petista começou anteontem em Minas. E se Lula quiser acalmar as coisas por lá, vai ter de comer muito pão de queijo.

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(27/10/2008 17:16)

A vitória de Marcio Lacerda (PSB) em BH, conjugada com a eleição de quatro prefeitos do PMDB em capitais no segundo turno pode transformar o queijo mineiro e a goiabada numa sobremesa Romeu e Julieta.

Um setor do PMDB gostaria muito de ter candidato a presidente da República, mas o partido é uma grande confusão. Mas se Aécio mudasse de legenda, as coisas poderiam se organizar por lá. Afinal, haveria uma possibilidade sólida de um projeto de poder.

Façamos algumas contas.

Aécio tem o compromisso de Ciro que se for candidato o apoiará. Ciro já disse isso mais de uma vez. Disse que topa ser o vice, inclusive. Depois que Aécio entregou a prefeitura que era do PT para o PSB, ele ganhou ainda mais moral com os socialistas.

Se for para o PMDB, poderia ter o apoio de:

Fogaça, no Rio Grande do Sul; Luis Henrique e Dario Berger, em Santa Catarina; Requião, no Paraná; Minas em peso; Geraldo Alckmin em São Paulo (que poderia mudar para o PSB ou PTB, e ainda levar os trabalhistas para a coligação); Paulo Hartung, no Espírito Santo; Eduardo Paes e Sergio Cabral (que é Aécio Futebol Clube, elegeu-se falando em fazer uma administração como a amigo em Minas) e, no mínimo, ainda teria o apoio das seguintes lideranças nordestinas, Renan Calheiros, Garibaldi Alves, Cid Gomes (governador do Ceará), Eduardo Campos (governador de Pernambuco); da família Sarney entre outros.

Convenhamos, teria terra fértil para chegar ao segundo turno.

E criaria dois problemas, um para Dilma e outro para Serra. Que teriam de se coçar para montar alianças fortes com potencial de levá-los para o segundo turno.

Arrisco dizer que Aécio ainda teria um apoio bastante entusiasmado das Organizações Globo.

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Renato Rovai
Renato Rovai é editor da revista Fórum outro mundo em debate.
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Em 11 de abril de 2002, numa ação liderada pelos grandes meios de comunicação, um fugaz golpe de Estado depunha o presidente eleito da Venezuela, Hugo Chávez. Os fatos que ocorreram nos dias seguintes, a reação da população e dos veículos de internet são estudados neste livro-reportagem
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