Por Redação [Segunda-Feira, 30 de Novembro de 2009 às 17:39hs]
O resultado das eleições presidenciais convocadas pelo governo golísta de Roberto Micheletti em Honduras já foi divulgado: venceu Porfírio "Pepe" Lobo, candidato conservador e opositor do presidente deposto Manuel Zelaya, com quase 56% dos votos ao seu favor. Apesar da campanha movida por simpatizantes de Zelaya para boicotar as eleições, 60% da população hondurenha compareceu às urnas neste fim de semana.
Pepe, membro do Partido Nacional Hondurenho, parabenizou o povo hondurenho pelo comparecimento às urnas no comício para celebrar o resultado das eleições. Ele foi parabenizado pelo seu principal rival, o liberal Elvin Santos, que recebeu 38% dos votos. "Ao presidente eleito, dizemos: conte conosco", disse Santos.
O entrave agora é o reconhecimento internacional das eleições. Até agora, Brasil, Argentina, Venezuela e Nicarágua estão entre os países que afirmam que o pleito é ilegítimo por ter sido realizado por um governo golpista. Já os Estados Unidos defendem que a melhor solução para a "crise política" hondurenha seja a realização de eleições.
No Brasil, parlamentares se dividem no posicionamento que o Brasil deve adotar sobre o caso. Raul Jungmann (PPS-PE), defendeu hoje que, caso o Brasil não reconheça as eleições de Honduras, pode se isolar no cenário internacional. Jungmann é o único observador brasileiro do pleito.
“É inevitável o governo do Brasil mudar de posição. Isso pode não ocorrer agora. Mas tem de reconhecer que o processo eleitoral aqui em Honduras obedeceu aos princípios democráticos”, disse Jungmann à Agência Brasil.
Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou que o Brasil não vai reconhecer o resultado das eleições em Honduras. “O Brasil não tem por que repensar a questão de Honduras. É importante ficar claro que a gente precisa, de vez em quando, firmar convicção sobre as coisas, porque isso serve de alerta para outros aventureiros”, disse.
Segundo Lula, foi “um sinal perigoso e delicado” o fato de os golpistas não terem permitido o retorno de Zelaya ao poder. “Ainda existem muitos países, sobretudo da América Central, em situação de vulnerabilidade política. Portanto, o Brasil não tem que reconhecer nem repensar a questão de Honduras”, afirmou.
Para o governo brasileiro, reconhecer a legitimidade das eleições de Honduras durante a vigência do governo Micheletti é referendar a validade do golpe de Estado ocorrido em junho. No dia 28 de junho, uma manobra política organizada com apoio do Congresso Nacional, da Suprema Corte e das Forças Armadas depôs Zelaya.
Com informações da Agência Brasil e outras agências.
Redação
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