Blog do Rovai
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(30/06/2009 12:16)

Nossa doce mídia está com um sorriso no canto da boca porque o “neo-chavista” (expressão deles) Manoel Zelaya que presidia Honduras foi seqüestrado e enviado de pijamas para Costa Rica.

O sorriso irônico pode ser notado nos comentários e artigos que praticamente justificam o golpe, afinal, o presidente eleito do país tinha decidido fazer uma consulta popular sem que o Congresso a houvesse autorizado.

E a consulta, segundo nossa doce mídia, seria para lhe possibilitar um novo mandato.

Como isso seria um ato arbitrário, o Exército Hondurenho numa decisão que até pode ser considerada atabalhoada fez um serviço que não pode ser considerado assim tão calhorda.

Os que têm vergonha de assumir a verdadeira face estão dizendo isso.

Há um, no entanto, que se julga o rei da turma que ao menos não faz cerimônia. Este já está chamando os golpistas de patriotas e torcendo para que consigam resistir.

A verdade é que a consulta popular de domingo não era para dar novo mandato nenhum ao presidente Zelaya. A pergunta à população era “se ela queria que o governo convocasse uma Assembléia Nacional Constituinte”.

O medo da elite local era que essa Constituinte mexesse em privilégios históricos e alterasse o rumo do país, que é um dos mais miseráveis do Continente.

Essa Constituinte poderia mudar a lei eleitoral? Claro. O que os nossos colunistas brazucas não dizem é que Zelaya afirmava que não seria candidato à sua reeleição.

Lá como cá eles sempre desconfiam do que dizem governantes que não são sabujos das elites. Tanto é verdade que alguns jornalistas gastaram centenas ou milhares de linhas especulando sobre as armações para um terceiro mandato de Lula. E quando o deputado Genoíno, do mesmo partido de Lula, enterrou essa possibilidade, simplesmente ignoraram o fato.

A verdade é que FHC mudou a Constituição sem convocar referendo e aprovou sua reeleição na maior cara de pau. E essa mesma turma que fica justificando o golpe em Honduras o considera um exemplo de democrata.

Pedir coerência para eles? Mas eles são coerentes. Eles sempre defendem o mesmo lado.

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(25/06/2009 17:36)

Antes do jogo EUA e Espanha disse ao meu amigo Glauco Faria na hora do almoço da redação. Vai dar EUA. Disse isso não porque o time gringo tenha alguma qualidade, mas porque meus patrícios espanhóis não conseguem superar o fato de ser terceiro mundo no futebol. E os estadunidenses são grossos, mas não sofrem dessa síndrome. Em nenhum esporte, aliás

Não disse na redação, mas juro que pensei. O Brasil vai jogar mal, mas vai ganhar da África do Sul. Batata.

A postura brasileira no futebol é daquela certa superioridade imperialista. Mesmo de forma injusta, acaba levando vantagem. Nada a reparar em relação ao gol (aliás, golaço), mas à justiça do resultado.

A África do Sul merecia no mínimo ter direito a uma prorrogação.

Admito, gritei gol na hora que vi a bola entrando, mas depois me arrependi. Desde os quinze do segundo tempo já estava torcendo pro time do Joel Santana. E para o povo negro daquele país, que tive o prazer de conhecer antes de ir ao FSM do Quênia, em 2007.


 

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(25/06/2009 13:04)

O amigo Sérgio Gomes, da Oboré, me envia email avisando que familiares e amigos de Vladimir Herzog, que completaria 72 anos no próximo sábado, lançam hoje em São Paulo um instituto em sua homenagem.



O Instituto vai recolher e organizar todas as informações (fotos, reportagens) sobre a vida e os trabalhos do jornalista e também vai disponibilizar os dados a pesquisadores e estudantes.



Além disso, o Instituto Vladimir Herzog pretende promover debates sobre a questão do papel do jornalista e das mudanças ocorridas na profissão com o advento de novas mídias.



O instituto também ficará responsável, em conjunto com o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, pelo Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Aliás, hoje será lançado o regulamento da sua 31ª edição. Também será lançado o Prêmio Jovem Repórter Fernando Pacheco Jordão, voltado aos estudantes de comunicação.



A cerimônia será às 19h30 na Cinemateca Brasileira (largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino).

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(24/06/2009 20:49)

Amigos e leitores têm me perguntado se não vou me manifestar a respeito da recente revelação de Luis Nassif identificando o blogueiro marrom que criou uma página apócrifa contra ele.


Nassif soube a partir de um texto publicado aqui em 10 de abril do ano passado que o blogueiro que nos atacava era assessor da então vereadora Soninha (PPS).


Nassif ligou para a vereadora e pediu explicações. O blogueiro marrom se disse ameaçado e aumentou seus ataques a este blogue e ao de Nassif.


Soninha me escreveu e foi tratada com o respeito que reservo a todos por aqui.


Depois disso tudo o blogueiro marrom ainda teve a pachorra de criar a página apócrifa que Nassif conseguiu descobrir a partir de uma demanda judicial.


O professor, blogueiro e colaborador da Fórum, Idelber Avelar, escreveu um texto que ajuda a entender o atual imbróglio. Como dizia a frase estampada na camisa de um ex-presidente impichado (e agora senador), o tempo é o senhor da razão.



Já disse tudo o que tinha a dizer à época, inclusive em relação a supostas "relações perigosas" entre este blogue, o petismo e alguns governos.


O marrom ficou mais claro (ou escuro), mas mesmo assim não vou tripudiar. Levo muito a sério a frase que coloquei no título deste post.

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(23/06/2009 20:13)

Já são 94 novos casos no Brasil e um acumulado de 334. A Argentina e o Chile já se tornaram países com transmissão sustentada. Ou seja, em risco de epidemia.

Não aposto nem um fósforo queimado que até agosto estaremos andando de máscaras pelas ruas de São Paulo. Aliás, estado com maior número de casos, 50.

A gripe bate à porta.

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(22/06/2009 19:08)

Em nota publicada no dia 6 de junho questionei a indicação de Romeu Tuma Jr como representante do Ministério da Justiça na comissão que vai organizar a Conferência da Comunicação. O leitor pode descer e ver o que escrevi na nota citada.

Hoje recebi uma resposta assinada por Vera Spolidoro, assessora do ministro, com a posição dele. Publico-a na íntegra.

PS: Já que estamos falando de Tarso Genro, neste final de semana ocorreram os primeiros encontros municipais do PT gaúcho e aqueles que defendem sua candidatura elegeram 66% do total de delegados ao encontro estadual. Ou seja, Tarso dificilmente não será o candidato do PT no estado em 2010.

Segue o email encaminhado pela sua assessoria:



“Prezado Rovai,

Apenas há poucos dias fui informada de seu post “ministro Tarso Genro, qual a sua estratégia?” do dia 2 de junho. O ministro pediu para informá-lo que o secretário Tuma vem cumprindo e cumprirá as decisões estratégicas do ministério e do ministro. Tuma conduz a Secretaria Nacional de Justiça de acordo com as orientações de Tarso. Basta verificar a atuação do setor de classificação indicativa, sob seu comando, que enfrenta os grupos de mídia televisiva.

Fico à disposição para maiores informações.

Abraço

Vera Spolidoro

Assessora de Comunicação

Gabinete do ministro Tarso Genro”

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(19/06/2009 12:33)

O debate sobre a exigência do diploma de jornalismo sempre foi algo tenso e cheio de paixões. Desde minha época da estudante de graduação na Universidade Metodista de São Bernardo, nos anos de 85 a 88, que convivo com a questão. Recordo-me, inclusive, que em 1986 a Folha de S. Paulo liderava a campanha pelo seu fim e que numa das edições em que tratava do tema simplesmente trocou a legenda de uma foto de uma reunião de deputados do Centrão por outra de bois gordos eram confiscados pelo governo Sarney. Pois é, leitor, imagine, como aqueles bois não ficaram ofendidos com a confusão.



Pra gente, que achava que a Folha estava de sacanagem, foi uma festa. Era a prova cabal de que o diploma precisava ser mantido. Afinal, a Folha já descumpria a lei naquela época e muitos dos que trabalhavam no jornal tinham formação em outras áreas.



Bem, o tempo passou na janela e, sinceramente, suspeito que até Carolina viu – aliás, minha filha com esse nome já tem 18 anos. Em 1985 quem tinha 18 era eu. Mas muita gente continuou com a mesma posição.



Nos últimos 25 anos a comunicação virou de cabeça pra baixo. Hoje o processo de informação pode ser realizado de forma muito mais horizontal e democrática do que no passado. Mas para que isso aconteça é fundamental que o maior número possível de pessoas, de todas as partes e com todas as formações (ou não-formações) possa participar da festa. O direito a informação não pode ser exclusividade de uma elite de diplomados. Muito menos de diplomados num único curso.



É por isso, fundamentalmente por isso, que já há alguns bons anos (pra ser franco mais que uma década) que não defendo a manutenção da obrigatoriedade do diploma de jornalista. Acho que ela vai na contramão da democratização midiática.



Não costumo tornar essa opinião pública, porque ela é muito controversa e acaba dividindo o campo dos que lutam contra o domínio das grandes corporações no setor. Também nunca fiz questão de torná-la muito pública, porque acho que na prática há algum tempo a exigência do diploma já é letra morta.



Costumava brincar com minha amiga Ivana Bentes, diretora da ECO-UFRJ, que as pessoas só se lembravam que o diploma era uma exigência porque ela sempre trazia o tema à baila. Ivana, até por conta da sua atividade acadêmica, em muitas de suas participações colocava sua posição a favor do fim do diploma. Parecia um contrassenso, já que é diretora de uma escola de comunicação. Ela não acha isso. Nem eu.



Creio que pouco ou quase nada vai mudar com o fim da obrigatoriedade do diploma. As empresas vão continuar contratando em sua maioria gente oriunda das faculdades de jornalismo, como o fazem as agências em relação aos formandos de publicidade. Como o colega deve saber, não existe obrigatoriedade de diploma para o exercício da atividade publicitária. Ou seja, os recém-formados não precisam queimar seus diplomas. Podem e devem, inclusive, usá-lo para tentar buscar um mestrado na área de comunicação. E ao fazê-lo poderiam pesquisar formas de ampliar a mídia livre, por exemplo.



Agora, algumas faculdades vão fechar. E só as melhores vão se manter. Qual o problema disso? Nenhum. Hoje há uma quantidade imensa de cursos de jornalismo que não formam pessoas nem com preparo técnico nem cultural para o exercício profissional. E até por isso, poucas pessoas formadas por eles tornam-se de fato jornalistas. Muitas acabam dirigindo-se para outras áreas de atividades e ficam com o diploma na gaveta. E com vergonha, inclusive, de dizer que curso fizeram por conta do imenso sentimento de frustração.



Ou seja, não perdemos nada com o fim do diploma. Aliás, essa luta apaixonada pela sua manutenção nos últimos tempos me remetia ao que acontecia nos início da revolução industrial na Inglaterra, quando ao invés de se organizar para entender como proceder no novo contexto, grupos mais radicais de operários invadiam as fábricas para destruir as máquinas.



Muitas das novas tecnologias permitem que o direito à comunicação possa vir a ser de fato um direito humano de todos. E ao invés de a gente, que se reivindica democrata, gastar energia pensando em como agir nesse novo ambiente, estávamos nos dividindo por conta do que pensamos em relação à obrigatoriedade do diploma.



Sei que essa página ainda vai demorar um tempinho para ser virada. Mas acho que o tempo vai nos mostrar que perdemos muito tempo debatendo algo que não merecia tanto tempo.



Claro que estou brincando com o exagero de vezes que usei a palavra tempo. É que já não era sem tempo de deixar essa história para trás. Agora, nossos sindicatos da categoria têm que começar a pensar em como construir novas formas de regulamentação que preservem as conquistas que acumulamos. E formas de unificar nossas lutas com de outras categorias que também fazem os veículos de comunicação. E a gente tem que se desafiar a construir um novo tempo na área, que não seja vinculado às estruturas verticais da corporação. Quem disse que obrigatoriamente para ser jornalista é preciso ter patrão? Será que não podemos também virar esta página? Será que de alguma forma já não estamos virando-a.

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(18/06/2009 14:04)

A edição de Fórum que está chegando às bancas e à casa dos assinantes nesta semana traz uma matéria tratando de irregularidades que estão sendo apuradas pelo Ministério Público em dois museus paulistas: o Museu da Imagem e do Som (MIS) e o Museu da Casa Brasileira.


Ambos tiveram sua administração entregue às organizações sociais, a famigerada fórmula consagrada pelo tucanato (mas não utilizada com exclusividade por eles) que terceiriza até mesmo a gestão de hospitais.


Segundo o Ministério Público, “há irregularidades que constatam valores desviados por dois grupos que se valeram de bens e espaços públicos para obter vantagens indevidas".


Você viu essa notícia em algum outro órgão de grande imprensa?

A partir de agora ninguém vai poder alegar falta de conhecimento. A reportagem completa está na edição impressa da Fórum e a partir de hoje também está aberta no site.


O mais constrangedor na matéria é que alguns dos citados na investigação do Ministério Público, gente com currículo abonador, diga-se de passagem, foram procurados pela reportagem e ou negaram-se a dar entrevistas e não se dignaram a responder à solicitação encaminhada ou deram informações insuficientes.


O ex-diretor do MIS Amir Labaki atendeu ao repórter de Fórum por escrito e afirmou não poder se manifestar sobre o caso em respeito ao "segredo de justiça ao procedimento civil”. O jornalista afirmou que acompanha “a investigação com tranquilidade” e confia na Justiça. Já a ex-diretora do MCB Adélia Borges não retornou aos telefonemas com pedido de entrevista.



A fotógrafa Graça Seligman, ex-diretora do MIS, indicou seu advogado, Ricardo Tepedino, para falar sobre o assunto. Ele, no entanto, não quis se manifestar sobre as investigações. A pedido de suas secretárias, os arquitetos Carlos Bratke e Ricardo Ohtake receberam as soclitações de entrevista por correio eletrônico e foram informados dos assuntos a serem tratados. Nenhum dos dois respondeu à mensagem. 


Este blogue não está dizendo que a realização de uma investigação enseje culpa. Mas considera que da mesma forma que funcionários da Petrobras e gente do MST precisam se explicar quando alguma denúncia bate à porta, seria de bom tom que artistas e gente da cultura, das artes e da nossa inteligência fizesse o mesmo.


Vejam só, o dinheiro do qual está se tratando é público. Ou seja, o tema é de interesse público. Por isso, tenho certeza de a nossa doce mídia não vai ignorar mais este furo de reportagem da Fórum. Ou vai?

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(18/06/2009 12:03)

Os estádios na África do Sul estão vazios. Segundo os organizadores da Copa das Confedereações, o motivo principal é que os ingressos populares estão muito caros para a população local que gosta de futebol. Ou seja, o povão.

Esses ingressos custam 4 euros. Como o povão ganha em média 1,5 euro dia, seriam necessários quatro dias de trampo para pagar a entrada.

A FIFA decidiu então dar ingressos de graça para evitar o vexame de as TVs transmitirem imagens de estádios vazios.

E depois tem gente que não entende o que é o fosso social entre os países ricos e pobres. Você sabe quanto custa um ingresso na Europa onde os estádios vivem lotados?

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(16/06/2009 16:13)

O PT vai promover nos próximos meses um encontro entre representantes do movimento social e do governo para discutir políticas a serem implementadas neste final do segundo mandato do presidente Lula.

O encontro terá formato de cúpula de dirigentes. A idéia é que participem dele 40 membros do governo e 60 da sociedade. Os representantes do governo serão de alto escalão, ou seja, terão de ter autonomia para bancar os acordos ali firmados.

A idéia do PT é que se busque no encontro o máximo de sinergia para que o maior número de ações ainda possam ser implementadas no período Lula.

Quanto ao que ficou por fazer, a intenção é que se torne agenda para um próximo mandato do chamado campo popular.

Não é exatamente um blogue da Petrobras, mas a proposta tem potencial para deixar a mídia corporativa e a oposição maluquinhas.

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(10/06/2009 09:35)

Em entrevista à edição de hoje da Folha o ex-ministro e ex-deputado federal Delfim Neto comenta a queda de 0,8% do PIB no primeiro trimestre. Como você vai ver a seguir ele diz que o mercado errou nas previsões “porque não sabe nada”. Sabe sim, Delfim. O mercado faz terrorismo econômico contra o governo. E a nossa doce mídia com o Duce acha lindo. E dá manchete.

 

FOLHA - Qual a sua avaliação?

DELFIM - É uma situação um pouco menos ruim do que se supunha. Os pessimistas esperavam 3%, e os otimistas, 1,5%. Acredito que no segundo trimestre tenha recuperado um pouquinho, mas você terá ainda notícias ruins.

FOLHA - Por que todos erraram?

DELFIM - Tudo isso é palpite. Ontem o mercado apostava em [PIB de] menos 3,5%. Leva à conclusão de que o mercado não sabe nada.

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(09/06/2009 23:31)

Na cobertura do blogue que fala pela Veja a repressão policial na USP virou "a democracia de farda". Lembrei-me de um email que recebi com o texto de uma AÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA movida pelo Ministério Público de São Paulo a partir de representação formulada pelo Deputado Federal Ivan Valente e pelos Deputados Estaduais Carlos Giannazi e Raul Marcelo, todos do PSOL.

O objeto é o contrato n.º 15/1165/08/04, firmado em 01 de outubro de 2008, entre a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), órgão público vinculado à Secretaria da Educação do Governo do Estado de São Paulo, e a Fundação Victor Civita, para a aquisição de 220.000 (duzentos e vinte mil) assinaturas da Revista “Nova Escola”, a serem distribuídas, em 10 (dez) edições anuais, para Unidades Escolares da Rede Estadual de Ensino, ao custo de R$ 17,00 (dezessete reais) por assinatura, perfazendo um total de R$ 3.740.000,00 (três milhões, setecentos e quarenta mil reais).

O autor é Antonio Celso Campos de Oliveira Faria, 2o Promotor de Justiça do Patrimônio Público e Social. A representação é muito grande, seguem apenas trechos:

“Causa estranheza o próprio volume de assinaturas contratado, já que as revistas poderiam perfeitamente ser encaminhadas à Biblioteca das Escolas Públicas ou sala de professores. A simples adoção dessa medida causaria uma redução expressiva nos gastos realizados pela FDE. A própria Diretora de Projetos Especiais, ouvida na Promotoria (fl. 113), informou que outras revistas são encaminhadas à sala do professor, a fim de atender séries específicas. Nesses casos, o número de assinaturas é imensamente menor, ou seja, em torno de seis mil assinaturas. Também é importante acrescentar que, em período anterior a este contrato, eram feitas 18.000 assinaturas e não o número estratosférico de 220.000 assinaturas.

(...) Não bastasse a o número injustificável de assinaturas contratado, como bem se anotou na representação, “é de conhecimento público que existem em circulação no estado de São Paulo outras revistas especializadas em educação com conteúdo e abordagem similar ao da Revista Nova Escola, conforme demonstram os exemplares das publicações que seguem anexos” (fl. 03- grifo nosso). De fato, as revistas CARTA NA ESCOLA e EDUCAÇÃO (envelope- fl. 90) demonstram claramente que, no mínimo, caberia a realização de licitação.

Assim, conclui-se que houve a imposição de um único título aos professores da Rede Estadual de Ensino, beneficiando de forma inequívoca uma determinada Instituição privada, no caso, a contratada.

(...) Cabe ressaltar que, só este contrato representa quase 25% da tiragem total da revista e garante fartos recursos para o caixa da Fundação Victor Civita. Como é cediço no mercado de revistas, é o número de assinantes que indica os valores do espaço publicitário da revista. Ainda que sem fins lucrativos, a Fundação Victor Civita beneficia-se sobremaneira com o número astronômico de assinaturas contratado.

Acho que dá pra entender por que a Abril, alguns de seus jornalistas e todos os seus produtos são tão doces com um certo Duce, né? Para agradá-lo vale até defender a invasão de uma universidade pública e o uso da violência contra estudantes, funcionários e professores. E eu achava que a estupidez tinha limites.

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(04/06/2009 10:19)

Está praticamente fechado que o Fórum Social Mundial de 2011 vai ser no Senegal. Mas, antes disso, outros dois Fóruns devem agitar o Brasil no começo do ano que vem.

Está quase tudo certo para que em janeiro de 2010, em datas subseqüentes, um Fórum na região metropolitana de Porto Alegre e outro em Salvador busquem uma certa complementariedade de pauta e de agendas.

A idéia é fazer um evento na região metropolitana de Porto Alegre para celebrar dez edições de Fórum Social Mundial, já que a primeira foi em 2001. E ao mesmo tempo refletir sobre o que mudou no mundo, como deve ser o FSM daqui pra frente etc. Dessa vez o evento não seria apenas na capital, envolveria também as cidades próximas, onde há vários governos progressistas, comandados principalmente por prefeitos petistas.

Quando esse Fórum Social Mundial acabasse, começaria outro em Salvador com o objetivo de discutir a crise mundial e as alternativas progressistas para superá-la. A intenção é levar os movimentos sociais e governos de países latino-americanos e africanos para construir uma agenda e firmar compromissos de superação dessa crise.

Neste FSM pela primeira vez funcionaria uma cúpula de chefes de Estado que buscaria promover um grande pacto com o movimento social altermundista. Considero as duas propostas muito interessantes.

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(02/06/2009 17:58)

Colunista de um certo jornal diário que acha que a ditadura foi branda escreveu recentemente que a desconcentração de recursos publicitários no governo Lula é Bolsa-Mídia.

Até acho que ele de certa forma ele tem razão. O Bolsa-Família faz justiça social. E a diversificação dos recursos publicitários coloca os pontos nos is da realidade da comunicação brasileira. Se a iniciativa privada não entendeu isso é porque suas agências são preconceituosas. E vivem de Bonificação por Volume (o famoso BV). Se o colunista não sabe o que é isso e como funciona, me disponho a lhe explicar.

Os veículos ditos grandes a cada dia que passa tem tiragem menor, qualidade mais sofrível e pautam menos o debate. Tanto é verdade que eles se juntaram todos para derrubar o governo em 2005 e foram derrotados. Não só nas urnas. Mas na opinião pública e na esfera da comunicação.

Mas é engraçado como certos colunistas são seletivos. Não me lembro deste, por exemplo, criticando o governo Serra por conta das milionárias assinaturas que fez das revistas da Editora Abril.

Mas já que ele falou do governismo subalterno de certos blogues, vou aqui falar de uma outra coisa bem mais subalterna.

Na campanha de 2006, esse mesmo colunista, na condição de editor de um caderno muito especial para a disputa eleitoral, recebia sempre na mesma hora uma certa ligação. Ele começava então a ler baixinho para o interlocutor as manchetes do dia seguinte, uma a uma. E às vezes explicava o motivo de uma ou outra coisa estar desse ou daquele jeito.

Na redação, não eram poucos os que sabiam o nome do interlocutor.

Será que o leitor pode imaginar quem era?

Menas, coleguinha, menas.

Este blogueiro está à disposição para um debate sobre a nova esfera da comunicação e a necessária diversidade informativa para que a nossa democracia se consolide.

Pode marcar hora e local. E levar a platéia. 

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(02/06/2009 15:48)

O ministro Tarso Genro (PT) indicou como representante do ministério da Justiça na Comissão que vai organizar a Conferência da Comunicação o delegado e ex-deputado estadual Romeu Tuma Jr (PMDB).

Antes de mais nada, preciso dizer que não tenho nada contra Tuma Jr. Aliás, só tive com ele uma vez. E por curioso que possa parecer foi no Quênia, mas precisamente em Nairóbi. Ele estava com Nivaldo Santana (PCdoB) e Renato Simões (PT) representando a Assembléia Legislativa de São Paulo naquela edição do Fórum Social Mundial.

A questão não é se tenho algo a favor ou contra ou muito pelo contrário em relação a Tuma Jr. A questão é saber que pito ele vai tocar na Comissão. Estará lá representando o PMDB e a banda de Hélio Costa ou vai representar os interesses de um ministério cujo titular é do PT, partido que tem histórico na defesa da democratização das comunicações?

A escolha de Genro soa estranha. Espero que não tenha nada a ver com as questões gaúchas e com seu interesse em não ter, por exemplo, uma RBS tão refratária à sua candidatura. Porque se for isso, torcerei muito para que os petistas gaúchos deem um troco nas prévias e escolham um candidato mais comprometido com os interesses populares.

Aliás, falando em interesses populares, o governo tem obrigação de devolver os recursos para a organização da Conferência. Eles eram de 8,2 milhões e sofreram um corte para 1,6 milhão.

É como que dizer que quando Lula anunciou a convocação do evento no Fórum Social Mundial de Belém ele estava só de brincadeirinha. Espero que não seja sério.

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Renato Rovai
Renato Rovai é editor da revista Fórum outro mundo em debate.
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