Blog do Rovai
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(23/07/2008 00:30)

Não sei se por herança genética, mas sou obrigado a assumir que tenho um velho tio que me falou alhos e bugalhos da UDN, sempre reajo com certo asco às propostas de cunho moralista, principalmente as do moralismo elitista.

Aliás, para não dizerem que sou seletivo, lembro-me muito bem que há uns 10 anos ou mais conversava na mesa de um bar com Mouzar Benedito, que assina a coluna de humor da Fórum, e me deliciei quando ele me disse que ia se desfiliar do PT por não agüentar mais aquele discurso moralista da maioria do partido.

Nunca tinha ouvido alguém justificar sua saída de um partido por motivo tão nobre. Concordava com Mouzar. Sempre dizia em outras conversas de botequim que se mantivesse aquele discurso o PT corria no mínimo dois riscos: virar um partido de elite ou ser pego com a boca na botija e ter de sair gritando pega o ladrão.

O tempo passou e depois da crise de 2005/2006, viu-se que não estávamos errados. Fazer discurso de guardião da moral e dos bons costumes e algo basbaque, para dizer o mínimo.

Aliás, também por isso nunca me animei com Heloísa Helena. Poucas vezes ouvi um discurso tão moralizante e pouco substancioso como da ex-senadora alagoana. Todo mundo é um bando de corrupto e a rainha justa e séria é ela e os seus súditos. O seu discurso me soa assim.

Aliás, justas são, inclusive, suas convicções anti-aborto e sua visão do universo gay. Eu não me esqueço da campanha para prefeito de Alagoas e de um panfletinho que um amigo meu me enviou quando ela disputava as eleições para prefeita de Maceió. Mas prefiro por respeito à adversária não tocar neste assunto.

Moralistas, ah, claro, sempre eles.

Agora, me vêem a AMB com uma lista de candidatos que estão respondendo processos. Eles vão divulgar quem são os processados....hum. Coisa séria, hein. Mas o Serra está ai? Só por curiosidade.

Aliás, falando em Serra, lembrei-me de compromissos e de um jornalista famoso. Na última campanha, o Gilberto Dimenstein, que não estou nem de longe insinuando ser um moralista, fez com que os candidatos a prefeito assinassem um documento em cartório dizendo que iam ficar os quatro anos no governo municipal.

O atual governador José Serra assinou o tal documento e se comprometeu a ficar quatro anos. Com 1 ano e pouco se foi embora do governo sem dar explicações e deixou-nos de presente o Kassab.

Vocês viram o Dimenstein processá-lo por isso? Claro que não, juridicamente o documento não vale nada.

Então o documento foi usado politicamente, certo?

O documento foi parar na capa da Folha onde o Dimenstein tem coluna e o jornal saiu atirando contra a mentira do governador? Ou Dimenstein fez greve de fome porque Serra mentiu? Ou fez protesto na frente da Prefeitura? Ou ficou protestando em todas as suas entradas na CBN?

Pois é. Nada disso. O que o vi fazer foi um comentário na CBN do tipo que estava chateado, mas que o “prefeito Serra” havia lhe dito que se eleito governador de São Paulo ele iria ser um prefeitão da cidade...

Dá pra entender por que não gosto de moralismo e moralistas?

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(22/07/2008 13:19)

Gosto muito da metáfora da árvore para tratar de coisas que às vezes parecem complicadas. Recentemente o midialivrista Gustavo Gindre utilizou-a para explicar o que significa levar banda larga para todas as cidades, em especial para escolas públicas. Se o esquema Daniel Dantas fosse uma árvore quase todos os partidos teriam seus galhos nela, incluindo o PT, mas sua raiz e seu tronco seriam certamente demo-tucano. Na próxima Fórum vamos tratar com detalhes desse assunto, por isso não vou me alongar nele aqui.

Mas se essa árvore tivesse alguns lenhadores tentando derrubá-la (e têm) entre eles estiveram no campo da imprensa a Carta Capital, sempre com Mino Carta e muito com Bob Fernandes, que hoje faz o mesmo bom trabalho no Terra Magazine; Paulo Henrique Amorim, que foi inclusive grampeado pelo distinto orelhudo; e antes um atento Aloysio Biondi, que nas suas denúncias contra o modelo demo-tucano já falava de como esses partidos viam oportunidades no tal Oportunity; sites como o Vermelho, a Carta Maior, NovaE; e por que não esta Fórum, que em muitos momentos repercutiu o tema em algumas reportagens tanto na revista impressa como neste site.

Também é preciso reconhecer que foi do movimento sindical cutista (principalmente bancário) que sempre veio a maior oposição aos movimentos de Daniel Dantas. Luis Gushiken, ex-líder sindical e um dos mais influentes conselheiros do presidente Lula, foi contra qualquer acordo com Dantas mesmo ainda na campanha de 2002.

Aliás, são da cota de indicação de Gushiken e do movimento sindical bancário no governo Lula os presidentes da Previ e da Petros, Sérgio Rosa e Wagner Pinheiro, também ex-bancários. Em conjunto com o capixaba Guilherme Lacerda, da Funcef, que até onde sei não tem relação com o movimento sindical, mas que como economista sempre foi próximo do PT, foram eles os três mosqueteiros na cruzada no combate ao crescimento dessa árvore chamada esquema Daniel Dantas entre os fundos de pensão.

Provavelmente se fossem empresários e tivessem ligação com outro partido, hoje seriam considerados os guardiões da moral brasileira. Como tem origem sindical, nunca serão tratados dessa forma. Ao contrário, estarão sempre sob suspeita.



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(21/07/2008 19:39)

De volta do Planeta Amazônia já fui atropelado por uma avalanche de escândalos. Mal tive tempo de fazer a barba e pelo jeito vou ter entrar no debate, mas, como diria aquele velho carniceiro chamado Jack, vamos por partes, amigos:

1 – Fiquei praticamente incomunicável nesses dias e só na última sexta-feira consegui contato telefônico. Ou seja, a ausência de postagens a respeito da viagem que fiz pela Amazônia fundamentalmente se deve a isso.

2 – Estou com uma imensidão de anotações e preciso organizá-las antes de publicar qualquer coisa. Em breve, postarei alguns pequenos textos e fotos das muitas histórias que vivi nas Anavilhanas. Será um aperitivo da matéria a ser publicada na edição de agosto... Em breve.

3 – Tenho compromisso de entregar a matéria a ser publicada sobre esse período amazônico até sexta-feira. Não vai ser fácil, mas vou buscar cumprir o prazo. Enquanto isso, aproveitem a Fórum com capa de Barack Obama que está chegando às bancas. A matéria de capa é assinada pelo professor Idelber Avelar e dá uma visão bastante interessante e diferente tanto do Partido Democrata quanto do seu candidato a presidente da República dos EUA.

4 – Ainda não consegui me atualizar totalmente sobre o que aconteceu no país nos últimos dias, mas pelo que percebi o nome de Daniel Dantas passou a existir para além de Carta Capital e de outros veículos como essa chata revista Fórum. Tão chata essa Fórum que até capa de um certo Ricardo Sérgio já deu. Aliás, alguém aí se lembra do Ricardo Sérgio? Alguém se lembra se ele tinha relações com esse certo Daniel Dantas? Teste para os leitores atentos...

5 – O Glauco Faria me passou o bastão e eu aviso aos amigos que todas as quartas-feiras ele vai tê-lo de volta. É isso. Combinamos que ele que ele terá um espaço semanal fixo neste blogue. Acho que o leitor já percebeu que esse espaço ganhará qualidade com essa nova aquisição.

6 – Hummm.... Ninguém falou nada da República Sindical no governo Lula nessa história do caso Dantas. Até agora não li nadinha de nadica sobre isso. Por que será, hein? Vou tentar responder na próxima nota.

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(21/07/2008 18:45)

Aproveitando o momento quase-olímpico, informo a quem tenha tido paciência de ler os textos desse escriba nas últimas duas semanas, que devolvo o bastão do blogue ao titular Rovai. Não sem antes agradecer a colaboração, as indicações e os temas levantados pelos leitores, que certamente foram fundamentais para compreender melhor o conturbado momento pelo qual o país passou (e continuará passando) nesse período.

Até breve.


Glauco Faria

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(18/07/2008 11:42)

Por Glauco Faria


A divulgação de trechos de uma reunião de três horas onde o delegado Protógenes Queiroz tece elogios a seus superiores é mais uma cena do teatro do absurdo em que se transformou um conflito interno da Polícia Federal. E, analisando a fundo, de novo a mídia tem participação na história. No entanto, desta feita ela é só coadjuvante.

Tudo indica que a decisão da cúpula da PF em divulgar trechos (obviamente editados) da tal reunião é uma resposta aos contínuos vazamentos que o delegado que comandava a Operação Satiagraha faz à imprensa. Em especial, à Rede Globo. Foi por ali que ele articulou o que seria uma defesa contra a suposta má-vontade de seus chefes em apurar o caso Dantas, tornando de conhecimento geral uma guerra de bastidores.

Nesse sentido, um trecho do áudio da gravação é relevante, justo aquele em Queiroz (referindo-se a si mesmo na terceira pessoa) diz: “Na minha avaliação, tirando os erros que a gente está avaliando aqui hoje, a avaliação é feita para nos corrigirmos como policiais. Então houve a presença da imprensa aqui em São Paulo? Houve. Falhou? Falhou. Quem falhou? Queiroz falhou, porque o doutor Troncon me depositou confiança, eu firmei compromisso com ele, mas falhou ao meu controle.”

Após a reunião que definiu sua saída, Queiroz não fez qualquer depoimento público (sem dúvida, um erro) e as versões que pululavam na mídia davam conta de uma “operação abafa” que teria vitimado o delegado. No entanto, quem vira o jogo e põe o delegado na parede é o próprio presidente da República, quando cobra que ele continue no cargo. No dia seguinte, a PF divulga a gravação da reunião, autorizada por Lula.

Parte da grande mídia tentou ridicularizar Protógenes, como já foi dito aqui, tomando o acessório como principal. E ele mesmo acabou ajudando a afetar sua imagem com todo esse imbróglio, dando mais munição a quem quer atacá-lo. Em um passado recente, membros do Ministério Público colocaram a perder importantes investigações por conta da sanha pelos holofotes. Não será esse o caso, já que, a despeito do acontecido, o delegado Queiroz fez um belo e importante trabalho. Isso que não se pode perder de vista e o governo deve ter habilidade para contornar essa situação sem desmoralizar o resultado de tudo o que foi apurado. Por enquanto, Dantas conseguiu sair do foco e é nele que os holofotes e a volúpia investigativa da imprensa deveriam estar mirando.

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(15/07/2008 12:15)

Por Glauco Faria


Já são inúmeras as manifestações de advogados, juízes e procuradores em relação à postura de Gilmar Mendes no caso Daniel Dantas. Agora, 400 juízes promoveram um ato e assinaram manifesto que prega a independência do Poder Judiciário e presta solidariedade ao juiz Fausto De Sanctis, que também já recebeu apoio de um blogue criado especificamente para este fim. A motivação do ato foi a ameaça feita por Mendes de enviar sentenças de De Sanctis para o Conselho Naciona de Justiça, presidido... por ele mesmo. Eduardo Guimarães participa da articulação de ao menos três atos públicos contra Gilmar Mendes, cujo impeachment é pedido, a essa altura, por 4.840 pessoas em petição online.

Essas movimentações são importantes também para confrontar uma tese que alguns operadores do Direito costumam defender, pública ou privadamente, a respeito do rigor técnico que acompanha as decisões de juízes. Para eles, o Direito é uma ciência quase exata e diz respeito apenas àqueles que dominam os seus meandros. Isso justifica a quase inviolabilidade de magistrados que, por essa ótica, não devem prestar contas ao resto da sociedade, que não deteria o conhecimento necessário para discutir ou contestar aquilo que é decidido nos tribunais.

É essa tese positivista que tenta excluir a população do debate e faz com que membros da alta corte como Gilmar Mendes venham a público dar declarações de uma empáfia ímpar, como se nada devessem a ninguém, já que suas decisões são tomadas sob a luz do mais primoroso e inatacável conhecimento. A mídia, entre atordoada e intimidada, não sabe como lidar com isso. Mesmo aquela imprensa que se acha “corajosa” porque coloca a figura do presidente da República com um “pé na bunda” na capa, jamais faria o mesmo com um ministro do STF.

De um ministro do Supremo, além das qualidades as quais deve ter qualquer servidor e homem público, deve-se esperar serenidade e não destempero quando questionado a respeito das motivações que o levam a uma decisão como a concessão de habeas corpus a Daniel Dantas. Mas Gilmar Mendes, que já atacou em outras ocasiões o Ministério Público, prefere mirar a Polícia Federal, o juiz De Sanctis, o ministro da Justiça, levanta dúvidas sobre se estaria sendo monitorado e se utiliza de outros diversionismos que somente desviam o foco da questão que realmente importa.

Os “excessos” da Polícia Federal já se tornaram a pauta principal. E é bom que sejam coibidos, pois assim exige o Estado de Direito. Mas o mesmo também exige transparência do Poder Judiciário, algo essencial a qualquer democracia que se preze. E Mendes, assim como seus companheiros de STF e de STJ, deveria responder às declaraçãos gravadas de Hugo Chicaroni, atestando que Dantas tem um “trânsito ferrado lá em cima” e que conta com “facilidades” nas altas cortes. Mas, pelo andar da carruagem, logo, logo o delegado Queiroz será o grande vilão da história.

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(13/07/2008 12:38)

Por Glauco Faria


A edição de domingo da Folha de S. Paulo evidencia o que se pode chamar, bondosamente, de extrema má vontade em relação ao delegado reponsável pela Operação Satiagraha, Protógenes Queiroz. São duas matérias que tentam estigmatizá-lo como alguém que maltrata o português, é vaidoso e – talvez o mais importante para o jornal -, acusa a mídia de ser manipulada sem apresentar provas. Outra matéria ainda fala que os “excessos” de Protógenes estariam constrangendo a cúpula da Polícia Federal, que poderia rifá-lo por conta disso.

Na página A12 da edição São Paulo, um texto com o título “Delegado infere 'manipulação' da mídia sem provas” dá voz a todos os jornalistas que são mencionados no relatório da PF. A maioria é apenas citada, segundo a reportagem, não se imputando qualquer tipo de delito. Apenas a repórter do próprio jornal, Andréa Michael, teve a prisão pedida (e negada) por vazar informações sigilosas, o que poderia tipificar crime, mas que o diário trata apenas como fruto da “contrariedade” do delegado. Curioso que a mesma matéria cita erros de nomes colocados ali, enquanto no texto ao lado, de autoria de jornalistas da Folha, o nome do juiz federal De Sanctis é grafado como “De Sancits”. Erro de digitação que deixa claro que isso não invalida nem o relatório e nem a reportagem do jornal.

Já na página A9 o delegado é ridicularizado, dizendo-se que o relatório é escrito em “linguagem truncada e português precário”. Novamente, a tentativa de desvio de foco. O que talvez o jornal não saiba é que não se recomenda, em relatório policial, o uso de linguagem rebuscada ou grandiloqüente, buscando-se sempre ser conciso e claro. Erros eventuais acontecem em qualquer material que não passa por revisão e/ou que é muito extenso e exige ser concluído de forma célere. A própria Folha deve saber disso, se não souber, basta analisar suas edições diárias, repletas de erros de toda ordem.

Curioso de fato esse movimento do diário paulistano. Para se defender, ataca o delegado e ainda se alia a outros jornalistas e pseudo-jornalistas. No mínimo, curioso...

Em tempo. Na mesma edição de domingo, Elio Gaspari ataca o deputado petista Henrique Fontana por ter se posicionado contra “essa norma de habeas corpus que acaba favorecendo os ricos e prejudicando os pobres”. Curioso é que, na página 2, a colunista Eliana Cantanhêde segue Fontana e pinta com cores mais fortes a crítica do petista, pedindo para que se “mude a lei”. Seria também ela demagógica e igualzinha aos coronéis da ditadura, Gaspari?

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(12/07/2008 14:06)

Por Glauco Faria


Em um artigo publicado na Folha de São Paulo, em 8 de maio de 2002, o jurista Dalmo Dallari falava sobre a indicação de Gilmar Mendes para o STF. Dizia Dallari:



É importante assinalar que aquele alto funcionário do Executivo [Gilmar Mendes] especializou-se em "inventar" soluções jurídicas no interesse do governo. Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governo Fernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas. Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, "inventaram" uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem decisões judiciais.

Medidas desse tipo, propostas e adotadas por sugestão do advogado-geral da União, muitas vezes eram claramente inconstitucionais e deram fundamento para a concessão de liminares e decisões de juízes e tribunais, contra atos de autoridades federais.




Dallari sabia do que falava. No mesmo mês, ele se juntaria a Fábio Konder Comparato em uma manifestação contra a indicação feita pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, promovida por estudantes de Direito. Ali, Dallari voltou a lembrar o "currículo" de Mendes, alertando que o hoje ministro do STF propôs a ação declaratória de constitucionalidade sobre a medida provisória do Apagão, deixando de lado a possibilidade de incidência do Código de Defesa do Consumidor. Dallari citou também a oposição feita por Mendes em relação à investigação de contas no exterior de Paulo Maluf.


Outros também se insurgiram contra a indicação de FHC. O advogado mato-grossense Celso Araújo entrou com uma ação popular para impedir a nomeação e a posse de Gilmar Mendes. Ele finalizou seu pedido afirmando que o artigo 5º da Constituição é uma "quimera", pois existem pessoas "mais iguais que outras", fazendo referência ao fato de que ele foi retirado da lista tríplice para o cargo de juiz no TRE local, com base no fundamento de que tinha contra si um processo criminal, mas o mesmo não se deu com Gilmar Mendes. O futuro ministro respondia à ação de improbidade administrativa, extinta em abril de 2008 por seus colegas de Supremo.


A Associação dos Magistrados Brasileiros também se posicionou publicamente contra a indicação, já que, uma vez no STF, Mendes poderia julgar causas as quais ele mesmo como advogado-geral da União havia sustentado a favor do governo. Mas nenhum tipo de movimentação comoveu o então presidente e Mendes foi ao STF. Arranjou briga com o Ministério Público quando analisou o recurso da prefeita de Magé, em 2006, em que pedia foro privilegiado para julgamento de uma ação de improbidade administrativa. Ali, Mendes tentou desmoralizar o trabalho do MP ao afirmar que os promotores moviam ações em defesa de interesses pessoais, corporativistas e políticos.



Naquela sentença, Mendes dizia que o foro privilegiado servia “para que os chefes das principais instituições públicas sejam julgados perante um órgão colegiado dotado de maior independência e de inequívoca seriedade.” Dada a manifestação de juízes federais em favor de Fausto de Sanctis (clique aqui para ler o blogue feito em sua defesa), de procuradores, delegados e de juristas, talvez hoje muitos duvidem da “independência” e “inequívoca seriedade” de determinados órgão colegiados... Não é à toa que se avizinha uma crise institucional envolvendo o mais hermético dos poderes, o Judiciário.

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(10/07/2008 10:18)

Por Glauco Faria


E o que estava escrito se consumou. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, concedeu habeas corpus da Daniel Dantas e mais dez pessoas presas na operação Satiagraha da Polícia Federal. O ministro já havia sinalizado isso, pra quem quisesse ouvir, quando na noite de terça-feira contestou o uso de algemas pela PF, criticando o que ele chamou de “quadro de espetacularização”. Escolheu o foco e preferiu se ater à parte do todo, a parte que interessava. Mendes deveria ver algum programa policial desses que adoram exibir “suspeitos” sendo algemados e humilhados, nenhum deles com o status de Dantas, obviamente. Para essa parcela da população, o Estado de Direito não existe ou deve existir.

Fundamento jurídico para a concessão do habeas corpus existe, como existe também para a não concessão do mesmo ou como, com base na mesma argumentação utilizada para soltar Dantas, poder-se-ia soltar tranqüilamente o casal Nardoni. Talvez a opinião pública (e boa parte dela sequer sabia que Dantas existia até terça-feira) faça diferença, para o bem e para o mal. Mas outros fatores também fazem.

Ainda no capítulo Justiça, impressiona que na tentativa de suborno, relatada ontem de forma pormenorizada no Jornal Nacional, saia uma declaração dizendo que o problema de Dantas seria a primeira instância, já que no STJ e no STF ele “resolveria”, e não existe qualquer reação mais firme desses órgãos para responder tal acusação. É melhor ignorar do que responder, talvez ninguém se lembre disso daqui a pouco. Se fosse dito algo do tipo “na Presidência da República a gente resolve” será que haveria tanta parcimônia?

*****

A investigação sobre o mensalão permitiu à PF ter elementos que desbaratassem o esquema de Daniel Dantas, mas parte da imprensa já tenta circunscrever o dito cujo a apenas isso e à fusão da BrOi. O deputado Gustavo Fruet (PSDB-RS) conseguiu aprovar a criação de uma subcomissão na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara para investigar a transação.

Mas Dantas foi preso porque a PF detectou que seu grupo movimentou entre 1992 e 2004 aproximadamente US$ 2 bilhões por meio de uma offshore no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe. É excelente e fundamental que se investigue a ação do “banqueiro” no negócio da BrOi, mas ignorar todo essa movimentação feita em um período anterior (durante 13 anos) é querer empurrar muita sujeira pra baixo do tapete. E ignorar como Dantas cresceu e articulou seus tentáculos na classe política e financeira do país.

*****

Em sua coluna na terça-feira, o jornalista Lauro Jardim, da revista Veja, publicou uma nota intitulada “Lula, Lulinha e Daniel Dantas”, contando a história de como o “banqueiro” teria tentado ser sócio do filho do presidente no negócio Gamecorp e Lula, advertido pelo empresário Antoninho Trevisan, teria vetado o negócio. Ao final, pondera: “Se Lula não tivesse procurado Trevisan, a PF teria prendido hoje um sócio de seu filho.”

Pois é, Jardim. Mas acabou prendendo uma ex-sócia, Verônica Dantas, da filha do governador José Serra, Verônica Serra. Cabe refletir se o governador paulista não tem um amigo como Trevisan ou simplesmente não se mete nos negócios de família. Mas claro que ninguém vai perguntar a isso a ele, nem Arnaldo Jabor vai bradar pedindo explicações.

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(07/07/2008 20:03)

Por Glauco Faria


Os 38% alcançados por Marta Suplicy (PT), com vantagem de sete pontos sobre Geraldo Alckmin(PSDB) na pesquisa Datafolha publicada no domingo, por si só já seria motivo de entusiasmo nas hostes petistas. Afinal, o adversário é dos mais fortes e venceu Lula na capital paulista nos dois turnos das eleições presidenciais de 2006. Porém, fazendo uma análise comparativa dos dados, a dianteira de Marta na corrida pela prefeitura paulistana parece ainda mais significativa sob certos aspectos.

A marca alcançada agora foi atingida pela ex-ministra do Turismo em apenas dois dos nove levantamentos realizados pelo mesmo instituto entre abril e outubro de 2004, quando foi derrotada pelo hoje governador e à época, como Alckmin hoje, candidato derrotado à presidência José Serra. Mesmo assim, quando chegou aos 38%, a petista estava empatada com o tucano. Em levantamento realizado nos dias 24 e 25 de junho daquele ano, período próximo ao atual, Marta aparecia com 22%, enquanto Maluf tinha 27% e Serra 33%.

Outro dado relevante é o fato da vantagem de Alckmin em relação a Marta em um eventual segundo turno ser hoje de apenas cinco pontos. No fim de junho de 2004, Serra ostentava uma diferença abissal sobre a então prefeita: 62% contra 29%. Em todos os levantamentos do Datafolha, a vantagem serrista jamais baixou dos dez pontos.

Ou seja, o ponto de partida da petista hoje é bem mais favorável do que naquela ocasião. Claro que a retirada das pré-candidaturas do bloco de esquerda favoreceram Marta, enquanto Alckmin divide votos em em uma faixa do eleitorado com Kassab e também com o desidratado Maluf. Mas Alckmin tem a seu favor o famoso recall da campanha mais recente, a presidencial, em que chegou ao segundo turno. Já Marta não entrou na disputa em 2006 e só apareceu na grande mídia em sua gestão no ministério do Turismo por conta do infeliz “relaxa e goza”.

Um território ainda não conquistado - Embora a condição da candidata petista hoje seja boa, o céu de brigadeiro ainda é uma realidade distante. Em São Paulo, historicamente, tanto nas eleições municipais como na de outros cargos do Executivo, repete-se um padrão desde a derrocada do malufismo. Na região oeste e centro expandido, o PSDB costuma vencer; enquanto nas “franjas” da cidade, Sul, Leste e Norte, a vantagem é petista.

Para ganhar a eleição, o candidato vai ter que entrar no reduto alheio, não necessariamente para derrotar o adversário na região, mas sim para reduzir a sua desvantagem. Marta terá que convencer a classe média e nada indica, pelo menos na pesquisa publicada domingo, que isso já esteja acontecendo. Hoje, Marta tem 24% de intenções de voto entre aqueles que têm curso superior (perde para Alckmin e empata com Kassab) e 33% entre os que possuem ensino médio. Na última pesquisa do primeiro turno de 2004, ela tinha 26% e 32% respectivamente.

Quanto à renda familiar, a petista tem 35% de preferência entre os que ganham de 5 a 10 salários mínimos e 23% na faixa das famílias que recebem mais de 10 salários. Às vésperas do primeiro turno de 2004, ela tinha 31% e 24%. Como se vê, o padrão é bem semelhante nas duas comparações, o que mostra que Marta ampliou sua vantagem dentro da faixa do eleitorado que já vota tradicionalmente no PT e que lhe deu votos em 2000 e 2004. Isso é importante, mas pode não ser suficiente para vencer Alckmin.

A candidata já sinalizou que deve tentar cativar a classe média. Um dos trunfos deve ser justamente o caótico trânsito da capital, bastante criticado durante a sua gestão, mas que não apresentou qualquer melhora na gestão Serra/Kassab. Mesmo com as experiências realizadas pelo atual prefeito, como a desastrada liberação do rodízio feita em julho de 2007 ou a recente restrição de circulação de caminhões. Para essa questão, o investimento municipal na expansão do metrô junto com o governo federal deve ser outra cartada, ressaltando o famoso “bom relacionamento” entre políticos do mesmo partido. O mesmo argumento usado por Serra em 2004, quando o governador era Alckmin, e que alavancou a então claudicante candidatura tucana.

A vida de Marta não deve ser fácil, dada a tradicional resistência da classe média paulistana o petismo. Mas, como no futebol, perder de pouco fora de casa e vencer bem em seus domínios será fundamental pro sucesso da petista.

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(04/07/2008 17:22)

Assisti à edição de anteontem do Repórter Brasil e tentei ver a de ontem para publicar esta nota, mas outros compromissos me impediram.

Primeiro, quero justificar a palavra "careta" de novo no título. É de propósito. Imagino que foi o fato de tê-la usado que aumentou a insatisfação com o meu texto de alguns colegas que estão na TV Brasil. Mas, mesmo assim, vou mantê-la porque exprime a idéia que tenho do produto.

Antes, porém, quero dizer que acho muito democrática e importante a forma como o gerente executivo da TV Brasil, Eduardo Castro, tem se posicionado aqui no blogue a respeito das minhas críticas. Considero esse caminho do diálogo o melhor deles. Em nome desse diálogo, abro publicamente espaço para que o Eduardo responda este meu texto não só nos comentários, mas aqui, no espaço principal do blogue ou na home da revista, onde preferir. Dessa forma, o jogo fica mais justo.

Em relação ao fato de considerar o jornal careta, vou me valer do comentário feito pelo leitor Lucas K. Ele disse exatamente o que penso a respeito do formato do Repórter Brasil. Não é a fato de as matérias serem mais longas do que o tradicional o que me incomoda, isso pode vir a ser uma qualidade a depender de como se trabalhe a forma. Mas não pode ser feita no “esqueminha” de sempre, com uma locução em off, imagens de arquivo e voltando para o apresentador que chama um repórter para trazer uma curta entrevista com, em geral, alguma fonte oficial.

Esse “esqueminha” é um porre e os telejornais tradicionais fazem muito melhor, até porque tem tem mais recursos. A TV Brasil tem a obrigação de ousar a construção de um modelo mais brazuca de telejornal. Tem a obrigação de mostrar que não precisamos ficar imitando a Fox News ou a CNN, como disse o Lucas K.

Careta é alguém que não se permite ousadias. Se há algo que o Repórter Brasil não tem, na minha modesta opinião, é ousadia.

Quando falei da reportagem de Heliópolis no meu primeiro texto, a elogiei como boa pauta, não o contrário. E achei, inclusive, aquela forma de apresentação da matéria interessante, o que não significa original, até porque a TV Cultura de São Paulo usa esse tipo de fórmula há tempos. Mas aquela matéria, por exemplo, ficou absolutamente jogada no meio de uma abordagem absolutamente tradicional. É meio besta o que vou dizer, mas seria como se a Fórum para se fazer de “muderna” desse uma matéria “ousada” com a Garota Melancia. Ficaria uma coisa sem nexo.

Ao assistir àquela matéria “jogada” no meio do jornal a sensação que tive foi essa. O que me parece é que o formato do Repórter Brasil está em disputa e por isso ele não é nem uma coisa nem outra. A meu ver, necessita de um projeto editorial mais claro. Aliás, acho que as pessoas que estão executando o Repórter Brasil deveriam ampliar os interlocutores pra discutir esse projeto editorial.

Em relação ao fato de o telejornal não ter "cabeça de rede", claro que fica evidente que a equipe se preocupou com isso ao colocar três jornalistas em diferentes praças (Brasília, São Paulo e Rio – aliás, as de sempre). A preocupação me parece justa, a solução pífia. Aliás, se eu estiver enganado o Eduardo Castro pode me corrigir, mas a solução me lembrou o Observatório da Imprensa, programa em que o Florestan Fernandes trabalhou e, suponho, de onde deve ter trazido a idéia. Esse, numa boa, é outro exemplo de caretice. Há, sem dúvida, muitas outras formas mais interessantes para não repetir a fórmula do "cabeça de rede". Aliás, isso poderia ser feito com revezamentos que incluíssem, às vezes, apresentadores de praças como Sobral (CE), São Borja (RS), Picos (PI), a depender do quanto aquele local tivesse de espaço na edição do dia. Ou com repórteres apresentadores que operassem a transmissão de algum ponto diferente... É necessário se desafiar a pensar.

Será, por exemplo, que novas tecnologias não podem ser usadas a despeito de haver alguma perda na qualidade técnica, mas que garantiriam inovações de forma e novas possibilidades de trabalhar o conteúdo?

Não estou aqui para me meter no trabalho dos muitos colegas que estão botando a TV Brasil para acontecer, em especial seu Repórter Brasil, mas será que o cidadão não deveria ser convidado a trabalhar de forma colaborativa nas reportagens.

O Eduardo Castro disse que há uma editoria específica para tratar de jornalismo colaborativo, o que é um grande avanço. Mas ao mesmo tempo afirma que os pontos de cultura não têm condição de produzir “jornalismo em escala industrial”. Sem ironia, não entendi o que ele quer dizer por “jornalismo em escala industrial”. Se for fazer jornalismo para muitos, não vejo problema algum em tratar de questões locais para o público nacional. Se for fazer muitas matérias, vou dar minha idéia abaixo para mostrar que é possível. Mas se for fazer jornalismo padronizado, pode ser que boa parte da nossa diferença de visão esteja aí. De repente, jornalismo em escala industrial é fazer aquelas matérias assépticas, que sugerem sempre um mesmo ângulo, um tipo de entrevistado, uma tomada standard, um senhor de cabelos alinhados, um fundo bonitinho. Isso também explica um pouco o que chama de caretice do Repórter Brasil.

O Cinema Novo, por exemplo, Eduardo, quando aconteceu foi exatamente para romper com o cinema enquanto produto de escala industrial. Rompeu de forma barata com aquele necessidade que se tinha de fazer coisas sempre bem alinhadinhas. Não estou dizendo que deve-se fazer aquilo, mas talvez se inspirar naquele movimento para romper com as amarras desse telejornalismo de enfermaria que nos enferma.

As novas tecnologias precisam ser usadas para essa reinvenção. Não sou nem jornalista de TV muito menos “avançadinho” nas novidades tecnológicas, aliás, muito pelo contrário, mas hoje algumas centenas de milhares de pessoas têm celulares que fazem filmetes, máquinas fotográficas que fazem vídeos ou mesmo mini-câmeras de vídeo. Esse povo às vezes trabalha em entidades sérias espalhadas Brasil afora e poderia gravar alguma coisa jornalística, claro, e enviar para a TV Brasil. Sei lá, uma matéria feita sobre o assassinato de mulheres em Pernambuco poderia ser feita por uma equipe colaborativa, ou não?

O telespectador deve ser motivado a enviar o vídeo da história que ele acha que merece ser reportada no telejornal. Esse material se tiver qualidade (e não precisa ser algo asséptico para ser de qualidade) pode ser editado e apresentado com o devido crédito. Caso não, pode no mínimo contribuir para a pauta. E aí o repórter do telejornal vai ao local e faz a matéria com o repórter-telespectador. Aliás, acho que umas entrevistas com alguém que esteja num acontecimento, mesmo que por telefone, pode dar alguma agilidade ao telejornal. De repente o Florestan entra ao vivo com algum comandante das Farc falando sobre a operação que levou Ingrid Bittencourt à liberdade. Ele usaria o telefone, que não é exatamente uma nova tecnologia. Isso seria um furo jornalístico, mas para isso o projeto editorial teria de prever esse tipo de ação, de cobertura.

Bem, poderia ficar aqui escrevendo sem parar a respeito de como me parece possível fazer jornalismo menos careta na TV, em especial na TV Brasil. Tenho até vontade de dedicar mais tempo a pensar sobre o tema, mas esse tempo me falta no momento.

Alguns leitores, entre eles o Lucas K., a Vera e o Paulo Ribeiro também já expuseram opiniões com as quais concordo em muito. Ou seja, a pequena nota que coloquei despertou interesse de gente que acompanha a TV Brasil. E nesse sentido, colegas e amigos que estão nesse projeto ambicioso que é a TV Brasil, acho que talvez fosse o caso de pensar se não valeria a pena abrir mais o debate. Fazer com esse projeto fosse um pouco mais construído coletivamente. Mais colaborativamente. Menos verticalmente.

PS: Vou arrumar as malas para a viagem da Amazônia. O Glauco Faria (glauco@revistaforum.com.br) estará operando este blogue de agora até o dia 21. E abrirá todo o espaço democrático para que esse debate continue, se assim o desejarem leitores e os colegas da TV Brasil.

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(04/07/2008 13:48)

Estou indo hoje à noite para Manaus, de onde partirei para uma curta viagem pelo Rio Negro. A intenção é conhecer um pouco da Amazônia antes de ir ao Fórum Social Mundial. Volto no dia 21 de julho.

Apesar de serem dias de férias, vou fazer uma matéria para a próxima edição da revista impressa e também vou tentar publicar uma ou outra coisa aqui. Espero poder ao menos postar fotos e histórias interessantes, mas não sei em que medida terei conexão para isso. Nesses dias estarei num barco visitando populações ribeirinhas.

Mas neste período este blogue não vai ficar apenas nas histórias amazônicas. Ele será interinamente tocado pelo editor executivo da Fórum, Glauco Faria.

Dei total liberdade a ele para que faça o que lhe parecer interessante. Ele passa a ser o dono desse quintal nesse período. Glauco é um talentoso jornalista e vocês ficarão em ótima companhia.

Quem sabe essa experiência não o anime a ter um cantinho seu aqui na página virtual.

Hoje, antes de partir, ainda vou, no mínimo, publicar uma nota sobre o Telejornal da TV Brasil.

PS: Se alguém tiver dicas para a viagem, elas serão muito bem-vindas.


 

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(03/07/2008 11:32)

Dias depois do assassinato de Raul Reyes, um dos líderes das Farc, participei de um debate com Altamiro Borges e Valter Pomar. Os três concordamos que só restava uma opção às Farc, a renúncia da luta armada e a opção pela paz.

Digo isso, para que fique clara a opção deste blogueiro. E para que se faça justiça com a postura de pessoas que pensam a política internacional em partidos como o PT e o PCdoB.

Criticamos, juntos, o fato de o governo colombiano ter matado o negociador. E Reyes era o negociador. Mas já há tempos as Farc estavam enfraquecidas e operando com propósitos indefensáveis.

É fácil perder a guerra quando se imagina que a luta é maior que a causa. As Farc estão sendo enterradas sem cerimônias por isso.

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(03/07/2008 11:26)

Torci muito pelo Fluminense. Sou sempre Chico Buarque e Rivelino. E agora Tiago Neves. Mas o goleiro da LDU foi suficiente para derrotar o nervosismo do time carioca na hora dos pênaltis.

A LDU não é um time bobo, como alguns jornalistões a tratavam. O time equatariano sabe fechar o meio campo e sair no contra-ataque, como as melhores seleções da Itália.

Ganhou, aliás, no melhor estilo Itália.

Assim são as coisas.

Viva Chico, salve Rivelino e, da próxima vez, valei-me Tiago Neves.

Por fim, comemorem equatorianos, já era hora de um título. E já não é tarde uma boa participação na próxima Copa. O futebol equatoriano evoluiu muito, hoje tem disciplina tática e bom toque de bola. Não é pouca coisa.

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(02/07/2008 18:53)

Não vamos entrar no mérito de quem é Carlos Apolinário. Hoje trata-se de um demo-vereador que está lista dos fichas-sujas da ONG Transparência Brasil. Estou, por conta desta atividade blogueira, na lista dos que recebem suas mensagens.

Bem, o nobre demo-edil Apolinário faz algumas questões ao Transparência Brasil, não concordo com o tom de algumas, mas de qualquer forma acho conveniente que a ONG as responda. Até porque, como os midiáticos tradicionais só abrem espaço para os moralistas, este blogue decidiu dar vazão aos reclamos do outro lado. 

Também estou abrindo espaço para as perguntas do demo-vereador porque acho essa história de fichas-sujas mais um udenismo de ocasião. Alguns grupos de comunicação que estão nessa campanha têm a ficha muito mais suja do que os nossos políticos. E mesmo assim ficam falando grosso.

Lá vai o texto do vereador Apolinário:



Transparência ou demagogia?

Carlos Apolinario*

A ONG que se denomina Transparência Brasil, por se achar honesta, coloca na Internet críticas generalizadas contra todos os políticos, como se seus dirigentes fossem paladinos da moralidade. Porém agem como aqueles que condenam. Vejamos:

1. Alguns membros da Transparência Brasil estão sendo processados.

2. Por que não colocam na Internet os processos contra eles?

3. A ONG recebe doações, que compõem um chamado fundo livre. Por que não divulga os nomes desses doadores?

4. Recebe doações de:

• Multinacional

• Tribunal de Contas

• Prefeitura.

• Empreiteiros.

• Outros não identificados.

5. A Transparência não identifica quanto ganham os funcionários e diretores:

• Qual o salário de cada um?

• Qual o número do CPF deles?

6. É sabido que não existem corruptos sem corruptores.

7. Por que a Transparência Brasil não defende a CPI das Empreiteiras, parada há anos no Senado?

8. Por que a Transparência Brasil, além de fiscalizar o Legislativo e o Executivo, não fiscaliza também o Ministério Público e o Judiciário?

9. Por que a Transparência Brasil não fiscaliza seus doadores?

10. Uma ONG que se mantém com dinheiro público tem moral para fiscalizar o Poder Público?

11. Infelizmente, virou moda a criação de ONGs. E muitas delas são apontadas pela imprensa como envolvidas em corrupção.

Diante de tudo isso, pergunto: essa ONG que se auto denomina Transparência Brasil, é tão transparente assim?

* Carlos Apolinario, líder do Democrata na Câmara Municipal, foi três vezes deputado estadual, presidente da Assembléia Legislativa, governador de São Paulo por dez dias e deputado federal.



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Renato Rovai
Renato Rovai é editor da revista Fórum outro mundo em debate.
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Em 11 de abril de 2002, numa ação liderada pelos grandes meios de comunicação, um fugaz golpe de Estado depunha o presidente eleito da Venezuela, Hugo Chávez. Os fatos que ocorreram nos dias seguintes, a reação da população e dos veículos de internet são estudados neste livro-reportagem
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