Blog do Rovai
Busca de artigo por palavra-chave:
(13/10/2008 19:43)

O post em que me posiciono a favor da candidatura Gabeira ante a de Eduardo Paes no Rio de Janeiro está levando boas bordoadas de todos os lados. O que penso disso? Acho ótimo.

Assumi uma posição polêmica e fiz um belo zigue-zague para justificá-la, mas pelo jeito não obtive sucesso com os argumentos. Quem pensa diferente (e são muitos) acha que apesar de o adversário de Gabeira ser o Eduardo Paes, a pior opção no cenário carioca é fortalecer o PSDB e o DEM.

Talvez no comentário do colega Menon esteja o resumo dessa argumentação: “Rovai, estou no estilo Fla-Flu ou Gre-Nal. Onde tem PSDB, DEM e PPS eu corro para o outro lado”. O que posso dizer disso? Nada. É compreensível que aqueles que apóiam o governo Lula queiram distância de uma candidatura parida e abençoada pela oposição a ele.

Há muitos outros bons argumentos contrários a posição que manifestei, mas neste post vou dialogar com os que avaliam que para o governo Lula é melhor que Paes ganhe a eleição.

Eu, honestamente, tenho minhas dúvidas em relação a isso. Acho que a vitória de Paes dá uma condição quase imperial a Sergio Cabral no Rio de Janeiro. E isso não seria bom para a construção de uma candidatura forte na base do governo.

Acho que Cabral, num primeiro momento manteria os compromissos que tem com o governo Lula, mas apenas até 2010. O governo do Rio depende dos investimentos governo Federal e por isso ele não poderia correr antes. Mas algo me diz que seis meses antes das eleições ele tomaria um caminho próprio.

Caminho 1 – Construir a alternativa Aécio dentro do PMDB, filiá-lo ao partido e fazer do mineiro um dos candidatos da base do governo. Isso criaria um grande problema para a candidatura Dilma, que teria dois adversários de peso no primeiro turno.

Caminho 2 – Negociar com José Serra e Aécio e apoiar uma chapa da dupla. Ele é muito amigo pessoal de ambos. E se viesse que a dupla teria grandes chances de vencer as eleições, duvido que ficaria com Dilma.

Mas por que sem Eduardo Paes na prefeitura Sergio Cabral não poderia fazer isso? Entre outras coisas, porque o espaço da oposição já estaria ocupado por Gabeira. E ele teria ao menos de dialogar com o PT (leia-se Lindbergh Farias) e com o PCdoB de Jandira Feghalli para conseguir a reeleição.

Mas se Sérgio Cabral for fiel a base do governo Lula, ainda mesmo assim tudo pode dar errado? Eu diria que sim. Querem um exemplo?

Eduardo Paes que não tem sido fiel a nada e a ninguém pode muito bem depois de três meses na prefeitura voltar para o PSDB e rearticular com mais capacidade política que Gabeira (e isso ele tem, afinal Gabeira é péssimo articulador) a oposição no Rio. Diferentemente do Estado, a prefeitura do Rio é saudável financeiramente. Não depende de outro ente federativo. E Paes pode decidir fazer vôo próprio.

Eu não ficaria surpreso com nenhuma dessas hipóteses.

Não é por isso que acho a opção Gabeira melhor do que a de Eduardo Paes para a prefeitura do Rio de Janeiro. Mas estou refletindo com os leitores o seguinte, não me parece que o Fla x Flu ou o Gre x Nal ali seja algo tão claro.

Tenho muita dúvida em relação a quem favorece ou enfraquece a vitória de Paes ou de Gabeira. Acho que a base do governo Lula já foi derrotada no Rio de Janeiro. E por este motivo, entre as más opções que temos, continuo achando a de Gabeira a menos pior para a cidade. Se posso estar enganado? Evidente e pelo que os leitores têm sinalizado, parece que estou. Por isso mesmo aceito o corretivo. Ficarei com minha opinião, mas não assinarei manifestos de apoio ou qualquer outra manifestação em defesa de Gabeira. Até porque, sinceramente, pelo que ele fez nos últimos tempos, acho que já me expus demais.

E, explico, só fiz isso porque acho esse Eduardo Paes uma das maiores empulhações políticas produzidas nos últimos tempos. Espero estar errado.

Mas ainda acho que pior que ele, talvez só o Acminho. Aliás, viva Salvador, que não lhe permitiu ir para o segundo turno.

( comentar | 4 comentários | Link do texto )



(13/10/2008 13:19)

Por Glauco Faria


É sempre didático, e um indicador importante de quão democrática é de fato uma gestão pública, observar como ela reage diante de uma greve. Colocado em uma situação concreta de embaraço, um governo pode responder com diálogo, com truculência ou repetindo lugares comuns de longa data, que remete ao regime militar.

O governo paulista de José Serra, por exemplo, divulgou nota contra a paralisação dos defensores públicos do estado agendada para esta semana. No tal documento, referiu-se ao movimento como do tipo que “serve somente ao projeto político-ideológico de parcela dos integrantes da Defensoria Pública, e não ao interesse público.” É a tal da “greve política”.

Dever-se-ia cobrar do governador algum tipo de explicação, como uma pergunta elementar: a que “projeto político-ideológico” a paralisação pretende ajudar? E como uma greve pode auxiliar esse projeto? Tentando responder a isso, talvez Serra faça referência à candidatura petista na capital paulista. Ainda assim, repita-se a questão: como essa greve a ajuda, governador? O pior é que esse tipo de alegação ganha títulos e manchetes, obscurecendo a pauta de reivindicações dos grevistas. Talvez, a única intenção desse tipo de argumento seja essa mesma, ganhar destaque na imprensa dita grande que adora reproduzir notas e releases de quem está no poder. Ainda mais se o ocupante do cargo tiver plumagem azul e amarela.

Outra manobra típica é citar a faixa de remuneração de grevistas, jogando-os contra a população que em geral ganha bem menos que as categorias mais organizadas. Isso é feito comumente contra funcionários públicos e, pasme, até contra professores da rede pública, que são chamados a exercer um “sacerdócio” em que a remuneração e as condições de trabalho importam menos que a sua “vocação”. Claro que a mesma lógica não vale para um parlamentar, por exemplo.

Não há dúvida que os salários dos defensores estão acima da média nacional. Mas são justos se comparados a funções equivalentes para profissionais com a mesma formação? Um salário inicial de um defensor equivale a menos de um terço (isso mesmo, um terço) da remuneração de alguém em início de carreira no Ministério Público Estadual ou na magistratura. E é menos da metade de alguém que entra na Procuradoria Geral do Estado. Isso, obviamente, gera desinteresse de profissionais do Direito pela carreira, além de alta rotatividade no órgão. Ou seja, ao contrário do discurso oficial, o governo do estado não parece nem um pouco preocupado com aqueles que precisam de assistência jurídica gratuita.

E tome ladainha contra grevistas! Aliás, creio que deva existir um manual para quem redige as notas em relação a paralisações no estado. E a imprensa dita grande também deve utilizar o mesmo manual. Como recordar é viver, quem quiser acesse o editorial do Estadão a respeito da greve dos professores realizada em junho. De tão favorável e complacente com a posição governista, o texto foi reproduzido no portal do governo do estado. A paralisação é classificada pela assessoria de imprens... ops, pelo jornal, como “política” e visa, olhem só, favorecer Marta Suplicy. Mudam as greves e as reivindicações, mas o tratamento e as justificativas são sempre os mesmos...

( comentar | 2 comentários | Link do texto )



(11/10/2008 22:20)

O estrabismo político histórico do PT carioca deixou o campo das esquerdas sem opção clara no segundo turno. Ao invés de apoiar Jandira Feghali, o que daria à candidata comunista musculatura partidária e tempo suficiente na TV para enfrentar o embate, a seção carioca do partido insistiu com a anêmica candidatura de Alessandro Molon, que morreu sem nem chegar à praia com menos do que 5% dos votos.

E como se não tivessem feito uma baita barbeiragem política, os petistas cariocas já estão todos risonhos nas fotos dos jornais aderindo ao new peemedebista Eduardo Paes.

Como o PT de São Paulo pretende comparar a biografia política de Marta com a de Kassab, vou fazer o mesmo com a de Gabeira e Eduardo Paes para explicar porque prefiro um ao outro. Mas antes, um detalhe, a de Eduardo Paes talvez seja pior do que a de Kassab.

Paes, para quem não se lembra, fazia dupla com Acminho Neto na CPI dos Correios. Era da turma jovem dos urubus do impeachment e vivia à procura de uma câmera de TV para acusar Lula de chefe da quadrilha do mensalão. Mas alguém pode dizer, mas o Gabeira fez diferente? Honestamente, o vi fazendo muita demagogia política e tabelando com gente do calibre de ACM, mas não me recordo de ataques pessoais seus. Ademais, certo ou errado Gabeira ainda mantém boa parte das suas opiniões a respeito daquele episódio. Ele não está rebolando para se justificar ou para pedir o apoio de Lula.

Mas Eduardo Paes não é só um dos urubuzinhos do impeachment. Ele nasceu para a política pelas mãos de César Maia, para o qual hoje faz aquele biquinho do tipo eu nem te conheço. Em 1992, Maia fez do então estudante de advocacia (ele tinha 23 anos) o subprefeito da Barra e de Jacarepaguá. Depois de quatro anos à frente do pelotão do prefeito maluquinho (era a época em que César Maia pedia picolé no açougue, lembram?), o moço saiu candidato a vereador e foi eleito. Em 1996, virou deputado federal e foi mudando de partido conforme o vento do conservadorismo carioca mudava. Hoje está no PMDB do governador Sérgio Cabral. Mas quando era urubu do impeachment pulava no galho tucano. Na época de Maia, foi do PFL e do PTB.

E Gabeira. Bem, Gabeira também não é um poço de coerência política. E hoje nem de longe lembra o político do final dos 80 e começo dos 90, que com seu discurso moderno empolgava a galera que sonhava com um novo jeito de fazer política. O verde que Gabeira hoje tenta representar está mais para a pasmaceira tucana do que para algo de fato inovador. De qualquer maneira, ele sempre esteve mais para cá do que para lá. Teve apenas dois partidos desde que voltou do exílio: PV e PT. E como deputado colocou seu mandato à disposição das lutas ambientais e das minorias. Falar isso hoje parece pouco. Mas lembro-me de que a mesma mídia que faz olas a Gabeira hoje, antes o achava exótico porque seu mandato estava sempre pautando a diversidade. Parecia coisa de doidão, algo engraçado.

Aliás, gostava muito mais do Gabeira antes, quando ele era tratado como um doidão, do que hoje, quando passou a ser o queridinho dos coleguinhas da imprensa comercial.

De qualquer maneira, Gabeira tem história política. E não estou tratando aqui da sua luta conta a ditadura militar. Falo da redemocratização para cá.

Desde que voltou do exílio ele apontou temas que interessam aos libertários. Gabeira falou da descriminalização das drogas, do direito das prostitutas, de meio ambiente, da discriminação vivida pelos homossexuais, da luta pela preservação da Amazônia etc. Posso até discordar das posições dele em alguns desses temas, mas ele os debate. Outros saem de ladinho quando o assunto é polêmico. Como faz Eduardo Paes.

E tem mais um motivo que me leva a ser Gabeira no Rio. Sérgio Cabral, que ainda não disse a que veio, ficará muito poderoso se vier a eleger Paes. O que também acontecerá com Serra por aqui, se eleger Kassab. Não gosto de nenhum dos dois com poder demais.

Confesso que já achei que Sérgio Cabral pudesse fazer um governo mais humano e inclusivo no Rio de Janeiro. Mas tudo o que leio na imprensa e o que ouço dos meus colegas cariocas vai em outra direção. Ele faz um governo policialesco e utilizando a mesma burocracia do chaguismo. Acho importante que ele tenha nas suas barbas um prefeito independente, que dê uns berros de vez em quando, que o conteste. E isso, podem ter certeza, Gabeira será e fará.

Gabeira pode até nos incomodar pelos seus vai-vens, pela sua dificuldade em trabalhar em projetos coletivos. Mas não é um oportunista ou menininho de recados de quem quer que seja. Gabeira é Gabeira, com seus erros e acertos. Por isso, se meu domicílio eleitoral fosse no Rio, votaria com tranqüilidade nele.

E ainda há a chance de a prefeitura vir a lhe fazer bem. E Gabeira voltar a ser aquele que um dia já fez muito de nós, inclusive este que escreve, a sonhar em vê-lo não só como prefeito, mas até em cargos mais importantes.

( comentar | 26 comentários | Link do texto )



(09/10/2008 15:02)

Para quem conhece o histórico da Rede Globo não há nada de surpreendente na correspondência que recebi da colega Sulamita Esteliam, a competente assessora de comunicação do Sindicato dos Bancários de Pernambuco. Ela explica que com uma desculpa esfarrapada, de que a assinatura do Sindicato estava pequena na publicidade enviada para a afiliada local, a Globo suspendeu a divulgação de uma peça da entidade que tratava da greve dos bancários e da ganância dos banqueiros.

Veja bem, isso acontece no momento em que o pernambucano Lula é presidente da República. Que o governo do Estado está sob a batuta do socialista Eduardo Campos. E dias antes de o PT vencer pela terceira vez, ainda no primeiro turno, na bela e inquieta Recife. Imagine se José Serra fosse o presidente, Jarbas Vanconcelos governador e um tipo, por exemplo, como o Mendonça Filho o prefeito da Capital. Se eles negam espaço para publicidade na conjuntura atual, imagine o que fariam numa outra com esse perfil.

Admiro a luta bancários e devo boa parte da minha formação profissional às oportunidades que me foram dadas quando trabalhei no Sindicato de São Paulo. Também gosto do que conheço da produção de comunicação dos bancários de Pernambuco. Mas preciso ser franco, de alguma forma comemoro esse tipo de acontecimento.

Será que os sindicatos e os movimentos populares ainda não aprenderam que podem usar melhor os seus recursos do que, por exemplo, gastando com publicidade na TV Globo?

Imaginemos, pois, que a publicidade fosse aceita. Existe alguém aí que acredita que a cobertura da TV dos Marinhos seria antagônica aos banqueiros e a favor da luta dos bancários?

Em resumo, seria dinheiro jogado fora, pois a publicidade seria engolida pelo vento que sopraria de forma contrária na cobertura editorial da própria emissora.

Se os sindicatos têm dinheiro para fazer uma campanha publicitária, deveriam usá-lo com rigor. Procurar veículos de comunicação com compromisso ético e que não tratam os movimentos grevistas, por exemplo, como caso de polícia.

Entupir os gordos cofres da mídia gorda e mal-caráter com dinheiro do movimento social e sindical não me parece algo inteligente.

Honestamente, só não vou dizer bem feito para os colegas da direção dos bancários de Pernambuco porque sei que eles são sérios. Mas que dá vontade dá. Claro que a censura é fato grave. E eles devem ir até as últimas conseqüências contra a Globo neste caso (e espero que acionem o veículo judicialmente). Mas tentar colocar uma publicidade na Globo, a meu ver, também é fato grave. Como seria se, por exemplo, o veículo fosse a Veja.

Se fosse os colegas perderia mais tempo refletindo a respeito do que os move a jogar dinheiro na lata do lixo da comunicação. Até porque, pela experiência que têm, não deveriam mais cometer esse tipo de equívoco.


Assista a campanha Salarial dos Bancários de 2008 do Sindicato dos Bancários de Pernambuco


( comentar | 2 comentários | Link do texto )



(09/10/2008 12:21)

Por Glauco Faria


Em 1994, durante a campanha presidencial, passava pelo Vale do Anhangabaú quando presenciei um diálogo entre um rapaz que tomava conta de uma barraquinha do PT e um transeunte. O pedestre provocador brincou: “De novo o Lula? Esse não vai ganhar nunca!”. O petista respondeu, raivoso: “Claro que não vai. O povo é burro”.

Pensei comigo que se os militantes tivessem essa atitude, Lula não venceria nunca mesmo. O tempo passou, o partido e seus adeptos mudaram, assim como a cena política. Mas quando vejo alguns e-mails circulando “culpando” a população por dar a vitória a Kassab no primeiro turno, o fantasma desse petista de 94 volta à minha mente.

Desnecessário dizer que existe uma carga de preconceito muito grande contra Marta Suplicy, por inúmeras razões. Também fica claro que a classe média paulistana, inclusive muitos daqueles que ascenderam à classe C, portam valores segregacionistas e que colaboram para perpetuar a desigualdade que ofende qualquer pessoa com o mínimo de sentimento de justiça social. Mas, para se vencer uma eleição, é preciso trabalhar com esses dados, só lamentar ou xingar não adianta. E não dá para dizer também que todos os eleitores de Kassab são preconceituosos ou elitistas e aí está o “X”: saber porque essas pessoas votam nele.

O PT ganhou duas eleições municipais na capital paulista. Ambas graças, em grande medida, ao voto útil anti-malufista que trouxe parte da classe média para junto das candidatas do partido. Com a derrocada do malufismo, o PSDB e agora Kassab ocuparam o posto de opositores ao PT e, pior para Marta, o alcaide não carrega a enorme rejeição que o pepista Maluf sempre trouxe consigo.

Portanto, resta a Marta fazer algo que não foi feito no primeiro turno: tentar desconstruir a administração Kassab. Dizer que ele teve mais dinheiro à disposição na prefeitura é praticamente admitir que ele fez uma boa gestão, uma capitulação antes da hora. É preciso atacar os pontos fracos e que afetam o dia-a-dia da população. Um deles é o trânsito que  se encontra nessa situação caótica também por conta dos parcos investimentos feitos no transporte coletivo nos últimos quatro anos. A gestão de Marta tinha um bom plano para a área com a construção de corredores em toda a cidade, que foi praticamente abortado pela atual administração. Por que não discutir isso? Porque aceitar a agenda imposta por Kassab com o lenga-lenga do investimento do metrô, algo que não vai representar melhora a curto ou médio prazo, algo que o paulistano exige ou deveria exigir?

Marta adotou jingles da campanha de Lula, mas poderia adotar também uma atitude que ajudou o petista a superar Alckmin no segundo turno em 2006. Ali, ele politizou o debate quando colocou em pauta a questão da privatização e encurralou o tucano. Por que não fazer o mesmo com Kassab, comparando as prioridades de cada uma das duas administrações – a antiga e a atual - e também cobrando dele posições tomadas como deputado federal e secretário de Celso Pitta? Mesmo que venha a perder, Marta estará dando uma contribuição importante a um processo eleitoral tão pobre em idéias e discussão política de fato.



*****

Em tempo. Assim como Marta foi alvo de ataques homofóbicos na eleição de 2000, agora Kassab também vem sendo vítima do mesmo tipo de expediente. Além de ser algo absolutamente condenável, é um tiro no pé de quem acha que isso hoje em dia ainda funciona.

( comentar | 14 comentários | Link do texto )



(06/10/2008 15:26)

Por Glauco Faria



Com a pequena vantagem obtida pelo atual prefeito Gilberto Kassab (DEM) já no primeiro turno sobre a petista Marta Suplicy, boa parte dos analistas da imprensa de sempre se apressaram em dizer que essa é uma vitória do governador José Serra (PSDB). Aliada ao revés de Aécio Neves com a candidatura Lacerda em BH, parece que o tucano vive o melhor dos mundos, esfregando as mãos como um estrategista brilhante que superou dois inimigos internos em um só domingo.

Mas será que é isso mesmo? Serra trabalhou nos bastidores para a eleição de Kassab, mas a grande arrancada do prefeito paulistano tem pouco a ver com a “forcinha” do governador. Apesar da sua lealdade e de sempre citar Serra nos discursos, Kassab contou com um importantíssimo trabalho de marketing político, fazendo uma campanha que conseguiu valorizar os feitos da sua administração e ocupando o posto de anti-PT, como já dito aqui. Trabalho tão acertado que, antes do início do horário eleitoral, sua administração ostentava 35% de ótimo/bom, segundo o Datafolha, e chegou a 50% na reta final da campanha. Além disso, o atual prefeito contou não apenas com a máquina, mas com o maior tempo de TV e com a maior arrecadação de campanha.

Por outro lado, Serra não pôde dar seu apoio público ao demo, portanto não faz sentido atribuir qualquer transferência de votos de um para o outro. O mérito que a mídia atribui a ele então passa a ser o de grande mentor político que consegue pavimentar seu caminho rumo ao Planalto em 2010. E é aí que uma aparente vitória hoje pode implicar em derrotas futuras.

Não é a primeira vez que Serra atropela, de uma forma ou de outra, aliados/adversários para conseguir o que quer. Em 2002, por exemplo, detonou a candidatura de Roseana Sarney e depois massacrou Tasso Jereissati na disputa interna para ver quem seria o candidato presidencial do PSDB. O resultado da manobra é que o então PFL não se aliou aos tucanos formalmente, o que diminuiu o tempo de TV e a sustentação política de Serra, e Tasso fez tanto esforço pelo colega de partido quanto o governador paulista fez por Alckmin nesta eleição. Ganhou, mas não levou. De quebra, na mesma eleição, conseguiu atrair o ódio de Ciro Gomes com o uso de métodos pouco ortodoxos para tirar seu adversário do segundo turno. Uma aliança improvável dos dois na reta final se tornou impossível e Ciro foi para os braços de Lula.

Agora, novamente derrota um adversário de seu próprio partido. Criou para Alckmin uma situação embaraçosa e isso pode resultar em fraturas e feridas que não vão se fechar até 2010. Mesmo enfraquecido, Alckmin conta com o apoio boa parte da bancada paulista na Assembléia Legislativa e tem influência no estado. O vereador mais votado da capital, aliás, é seu aliado Gabriel Chalita, que também se tornou um desafeto de Serra após a atual secretária de Educação paulista jogar em suas costas a maior parte do medíocre desempenho da área no âmbito estadual. Ou seja, Alckmin está longe de ser carta fora do baralho.

Permanecendo no partido, Alckmin é uma pedra no sapato do governador e a divisão pode se acentuar até 2010. Mais que habilidade, Serra terá que refrear o instinto de escorpião que acaba envenenando gente do seu próprio partido. E, obviamente, se esforçar para eleger Kassab. Caso contrário, será cobrado de forma brutal pela derrota em São Paulo e passará do paraíso ao inferno em três semanas. Das “estrelas políticas” no cenário brasileiro, Serra é quem mais tem a perder no segundo turno.

( comentar | 18 comentários | Link do texto )



(02/10/2008 11:55)

As eleição municipais estão terminando neste fim de semana para a ampla maioria das cidades brasileiras. Sem o fim de segundo turno ainda será difícil dizer quem sai vitorioso, mas algumas eleições já se mostram como fundamentais para apontar os vitoriosos das urnas e as candidaturas quem saem mais fortalecidas, principalmente no que diz respeito à força de eleitoral de Serra, Aécio e Dilma.

As cidades chaves desta eleição são: São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Rio de Janeiro, BH e Natal.

Em São Paulo, Alckmim pelo jeito ficou pelo caminho e duvido que se mantenha no PSDB. A depender de outros resultados, ele pode liderar a debandada de uma ala paulista da tucanada. E fazer esse movimento, inclusive, junto com Aécio Neves. Há duas opções, a do PMDB, que em tese parece a mais convidativa, mas que é repleta de barqueiros-chefes diferentes em cada estado. Parece difícil, por exemplo, ver Alckmin dividindo o partido com o Quércia em São Paulo.

Por isso a canoa do PSB ganha importância e pode vir a ser o novo porto seguro dos anti-serristas. Ciro Gomes adoraria e aceitaria tanto ou ser vice de Aécio ou ser apenas candidato ao Senado pelo seu Ceará. Essa debandada tucana pode se fortalecer se Kassab ganhar a prefeitura, mas se Marta vier a superá-lo no segundo turno o cenário passa a ser outro. Serra vai ser cobrado pela derrota e pode se enfraquecer até para a disputa à presidência. Aí Aécio pode se manter no partido.



Porto Alegre – A capital gaúcha sempre foi a vitrine petista e se o partido nem for para o segundo turno isso pode impactar em Dilma. Não se pode esquecer que Dilma é gaúcha. E se o PT de lá ficar fora do turno final e Marta vier a ganhar em São Paulo, será que o grupo paulista aceita a candidatura da mãe do PAC numa boa? Eu duvido.



Salvador – Um segundo turno baiano com João Henrique e ACM Neto seria um desastre para os nordestinos petistas, em especial para o governador Jacques Wagner. Podem anotar que se isso vier a ocorrer a reeleição de Wagner passa a ser um projeto de risco, já que o ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima começa sua campanha para conquista o Estado no dia seguinte ao resultado da capital, principalmente se João Henrique vier a ser reeleito.

Por conseqüência, isso fortaleceria a ala Serrista do PMDB. E Geddel se seguraria no governo até quando pudesse, mas depois se acertaria com Serra para enfrentar Wagner.



Rio de Janeiro – A vitória de Eduardo Paes, que parece quase um fato consumado deve fortalecer ainda mais o governador Sérgio Cabral. Ele não pode ser descartado como uma opção do PMDB para disputar a presidência da República. Não é fácil para o partido viabilizar a candidatura própria, mas isso também não pode ser completamente descartado.



BH – Depois da eleição é que o Acordo Mineiro vai vir à tona. É preciso saber se o PT de Pimentel entregou a prefeitura de mão beijada para a turma de Aécio ou se pode haver alguma contrapartida com vistas às eleições do governo. Mas a grande “fofoca mineira” é que Pimentel poderia migrar com o seu grupo para a canoa do PSB e ingressar no projeto de Aécio se ele viesse a fazer o mesmo movimento rumo ao partido de Ciro. Isso, sem dúvida, daria uma chacoalhada na disputa presidencial e deixaria o caminho livre para Patrus ser o candidato do PT, mas numa situação de fraqueza política.



Natal – Não se trata de uma grande capital, mas se tornou simbólica. Lula quer eleger Fátima Bezerra prefeita de qualquer jeito. Ele está com gosto de sangue na boca e pretende se vingar do senador José Agripino Maia, o pai-político da candidata Micarla, que disputa com Fátima. Pessoas próximas ao presidente dizem que já o viram brincar que se for o caso muda o domicílio eleitoral o Rio Grande do Norte e sai candidato ao Senado só para derrota Agripino em 2010. Se Lula vier a perder, isso lhe trará algum desgaste. Se ganhar, dá um exemplo de que não é muito bom se meter a besta com ele. E nesse caso, pode ficar ainda mais fortalecido para conduzir com tranqüilidade sua sucessão.



Claro que ainda é cedo para falar 2010, aliás, não conheço um político que diga algo diferente disso. Mas não se esqueça que em política cedo ou tarde são palavras com sentido bastante relativos.

( comentar | 11 comentários | Link do texto )



(23/09/2008 14:44)

Em sabatina ´na Folha de S. Paulo, o candidato Geraldo Alckmin disse que o o seu adversário Kassab é “dissimulado"”e o acusou de querer “desconstruir o PSDB”.

O tucano e secretário de Governo da prefeitura de Kassab, Clóvis Carvalho, por outro lado afirmou que o candidato do PSDB não tem projeto e nem moral para fazer críticas. Os dois têm razão, brinca um petista de colarinho alto. Tendo a concordar com ele.



( comentar | 3 comentários | Link do texto )



(23/09/2008 12:28)

O deputado federal Ricardo Berzoni disse a este blogueiro que não faz parte do time que trabalha com a meta de 1 mil cidades para o PT. Na sua opinião, se o PT vier a aumentar o número de prefeituras para algo próximo a 550 cidades terá dado um “salto bastante significativo”.

Segundo Berzoini, “o otimismo exagerado de alguns companheiros não está baseado na realidade. A disputa é muito mais complicada do que parece”.

Ele ainda garantiu que não aceita mudança no estatuto no partido para que possa ser reconduzido ao cargo depois de 2009, quando se encerra seu mandato. E promete que depois das eleições municipais vai liderar um grande debate a cerca de pontos estratégicos em relação à construção partidária.

( comentar | 2 comentários | Link do texto )



(17/09/2008 16:15)

Por Glauco Faria


A crise atual do mercado imobiliário estadunidense, com todos seus efeitos, gera uma série de considerações e ponderações que colocam em xeque os dogmas do neoliberalismo. A mais óbvia delas é o chamamento do Estado para intervir na economia, com o governo dos EUA tendo que assumir o controle de gigantes do setor e injetando recursos para evitar uma catástrofe maior. Ao que parece, o modelo econômico neoliberal parece aquele garotinho rico que sai de casa, grita aos quatro cantos que é independente, mas quando a coisa aperta pede socorro pro papai.

Há quase seis meses, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo já alertava sobre os riscos da crise nos Estados Unidos e também contava que o governo brasileiro já se preparava para os possíveis cenários decorrentes de tal situação. À época, o professor da Unicamp adiantava que os EUA teriam que tomar medidas que contrariavam seu próprio ideário, vendido ao resto do mundo (principalmente aos países em desenvolvimento) como remédio para todos os males. "Na Crise de 29, o endividamento total das famílias era de 40% do PIB. Hoje é mais de 100%. Uma diferença fantástica, o nível de endividamento é fantástico. (...) Esse é um problema de inadimplência, não de liquidez. Como são 14 milhões de contratos de devedores, uma parte substancial não vai ser honrada e você tem que fazer como o Getúlio fez, moratória. Isso é doído pra eles [estadunidenses]. Eles pensam 'como fazer isso e quebrar os contratos'?". E completava: "A coisa é muito clara: vai ter que ter uma operação de salvamento, com uma intervenção do Estado brutal, só comparável ao New Deal. O controle do Fed sobre os bancos vai ter que ser rigoroso." 

Esse é o tipo de crise que pode não apenas questionar fundamentos, mas provocar outros tipos de reflexão sobre a própria eficiência e atualidade do atual modelo econômico, algo que à primeira vista interessa mais aos operadores do mercado do que à esquerda (embora não seja verdade). É disso que trata Ladislau Dowbor, entrevistado principal e capa da Fórum de setembro que está nas bancas. Para ele, o "salve-se quem puder" da concorrência sem limites está se tornando ineficiente para o capitalismo e mesmo quem não está situado no campo progressista começa a enxergar nos princípios colaborativos uma saída para o impasse.

É o que faz, por exemplo, um gigante como o Google quando lança seu navegador próprio em código aberto. Porém, pela frente existe uma série de obstáculos, como as grandes corporações que enxergam na propriedade intelectual seu grande diferencial em relação aos demais. "O problema das patentes e do controle do conhecimento é absolutamente vital. Ignacy Sachs, quando lançou o último livro dele no Brasil, disse que, se no século passado o embate era por quem controlava as fábricas, porque o centro da economia era a indústria, hoje o grande embate é quem controla o direito de acesso ao conhecimento", diz Dowbor.

Se quisermos de fato discutir e propor mudanças no atual modelo econômico, esse é o momento de se debater como democratizar a peça-chave da nova economia, o conhecimento, e a propriedade deste. Do contrário, discutindo nos mesmo moldes de sempre, quem tem a ganhar são os defensores do status quo e esses já ganham há tempos...

( comentar | 3 comentários | Link do texto )



 
próxima página >>
Renato Rovai
Renato Rovai é editor da revista Fórum outro mundo em debate.
Links

. Futebol, política e cachaça
. Ciranda da Informação Independente
. Acerto de Contas
. Blog do Viel
. Blog do Mello
. Cidadania.com - blogue do Eduardo Guimarães
. BocaLivre.org
. Radio Web Boca Livre



Midiático Poder, o caso Venezuela e a guerrilha informativa



de Renato Rovai
Publisher Brasil
R$ 28




Em 11 de abril de 2002, numa ação liderada pelos grandes meios de comunicação, um fugaz golpe de Estado depunha o presidente eleito da Venezuela, Hugo Chávez. Os fatos que ocorreram nos dias seguintes, a reação da população e dos veículos de internet são estudados neste livro-reportagem
Garanta o seu
Creative Commons License
o Blog do Rovai está licenciada sob uma Licença Creative Commons.