Banco Mundial: Círculo de Wolfowitz desmorona

Procurando acalmar os críticos, Wofowitz ofereceu há duas semanas a cabeça de dois de seus principais assessores, Kellems e Robin Cleveland, mal vistos pelos funcionários do Banco por seus estilos agressivos e...

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Procurando acalmar os críticos, Wofowitz ofereceu há duas semanas a cabeça de dois de seus principais assessores, Kellems e Robin Cleveland, mal vistos pelos funcionários do Banco por seus estilos agressivos e altos salários, que, segundo diversas versões, chegam a US$ 250 mil por ano para cada um. Kellems, em particular, é uma das figuras-chave da controvérsia Riza-Wolfowitz

Por Emad Mekay, da IPS

Kevin Kellems, mão direita do atribulado presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, pediu demissão. O gesto foi interpretado por observadores como um esforço para salvar seu chefe. “Kellems, diretor de estratégia em assuntos externos e alto assessor, informou sua intenção de renunciar ao seu cargo no Grupo do Banco Mundial”, e a demissão “se efetivara na próxima semana”, informou em um comunicado o vice-presidente do Banco para assuntos externos, Marwan Muasher. Está informação não detalhou nenhuma razão para a renúncia de Kellems, mas observadores não duvidam em ligá-la ao escândalo em torno de seu chefe e ex-companheiro no governo do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

Em suas explicações a diversos órgãos de imprensa, Kellems atribuiu sua decisão às más condições de trabalho dentro do Banco e à busca de novas oportunidades profissionais. Segundo acusações em exame pela Junta de Diretores do Banco, Wolfowitz pode ter violado normas da instituição ao dar à sua noiva, Shaha Riza, aumentos salariais e compensações extremamente generosas por sua passagem em “missão externa” para o Departamento de Estado norte-americano, porque dois funcionários do Banco Mundial não podem trabalhar dentro do mesmo “cone de autoridade”, segundo regras da instituição.

“A renúncia de Kellems talvez seja um esforço de último momento para evitar um voto de censura na Junta”, disse o diretor-executivo do não-governamental Centro de Informação sobre o Banco, Manish Bapna. “É muito pouco e muito tarde. Parece sugerir, se é que sugere algo, que o futuro de Wolfowitz no Banco Mundial é incrivelmente precário e que seus dias estão contados”, disse Bapna. As acusações de nepotismo lideram uma longa lista de queixas sobre seu estilo de direção e desataram uma revolta entre o pessoal da instituição. Alguns dos principais gerentes uniram, nas últimas semanas, suas vozes aos pedidos de renúncia do presidente.

Procurando acalmar os críticos, Wofowitz ofereceu há duas semanas a cabeça de dois de seus principais assessores, Kellems e Robin Cleveland, mal vistos pelos funcionários do Banco por seus estilos agressivos e altos salários, que, segundo diversas versões, chegam a US$ 250 mil por ano para cada um. Kellems, em particular, é uma das figuras-chave da controvérsia Riza-Wolfowitz. Foi seu escritório que inicialmente desacreditou qualquer possibilidade de conduta errônea por parte do presidente do banco e ex-subsecretário de Defesa dos Estados Unidos.

Nesse sentido, Kellems disse ao jornal The Washington Post que a Junta de Diretores havia autorizado o aumento de salários e a promoção de Riza, o que logo foi desmentido energicamente pela própria Junta e por altos dirigentes do Banco. Membros do Comitê de Ética da Junta, outro órgão com podres de aprovar um pacote de benefícios como o concedido a Riza, informaram que esse organismo não teve nenhum conhecimento do acordo.

Riza, oficial de comunicações do Escritório para o Oriente Médio do Banco, recebeu aumento de 35,5% após a chegada de Wolfowitz à presidência em 2005. Assim, chegou aos US$ 180 mil anuais. No ano seguinte, o salário da funcionaria, já transferida para o Departamento de Estado, aumentou 7,5%, completando US$ 193.590 ao ano. Kellems, ex-porta-voz do vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, e ex-assessor do senador oficialista Richard Lugar, foi designado diretor de estratégias externas do Banco Mundial no ano passado.

Muitos funcionários da instituição não esconderam sua indignação, pois consideraram que a escolha para o cargo, de caráter técnico e tradicionalmente previsto em concurso, foi política. Kellems, logo foi alvo de críticas por sua falta de experiência em matéria de desenvolvimento internacional. Sua responsabilidade ra integrar o papel do Departamento de Assuntos Externos com todas as instancias de ação do Grupo do Banco Mundial, assim, como “fortalecer o impacto global dos assuntos públicos” de toda a instituição.

Em janeiro de 2006, soube-se da queixa anônima de um funcionário do Banco pela afirmação de Wolfowitz segundo a qual “as normas e os procedimentos” do organismo “foram esticadas para a designação de assessores próximos” ao seu presidente. Essa denúncia, que teve grande repercussão pública, também questionava a lógica por trás dos altos salários e contratos por tempo indefinido em favor de Kellems e Cleveland, ex-dirtora-adjunta do escritório de gerência e orçamento da Casa Branca que teve um papel-chave na reconstrução do Iraque no pós-guerra.

Observadores prevêem que a renúncia de Kellems pode ser a última dentro do circulo intimo que Wolfowitz construiu em sua volta desde sua escolha pelas mãos do presidente Bush. “Por acaso esta renúncia será o prelúdio de outras está semana? Assim espero”, escreveu Alex Wilks, do site http://worldbankpresident.org. “Lembremos que Wolfowitz também ofereceu o sacrifício de sua outra colaboradora, Robin Cleveland, oferta que o pessoal do Banco rejeitou”, acrescentou.

 (Envolverde/IPS)



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