Movimentos sociais pedem justiça para o assassinato de irmã Dorothy

Comitê Dorothy, junto aos movimentos sociais do Pará, está organizando um grande acampamento para pressionar o Estado a fazer justiça pelo assassinato da irmã Dorothy Mae Stang, em Anapu (PA), no dia 12 de fevereiro de 2005.

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Comitê Dorothy, junto aos movimentos sociais do Pará, está organizando um grande acampamento para pressionar o Estado a fazer justiça pelo assassinato da irmã Dorothy Mae Stang, em Anapu (PA), no dia 12 de fevereiro de 2005.

Por Adital

Comitê Dorothy, junto aos movimentos sociais do Pará, está organizando um grande acampamento para pressionar o Estado a fazer justiça pelo assassinato da irmã Dorothy Mae Stang, em Anapu (PA), no dia 12 de fevereiro de 2005. O Comitê espera a participação de mais de mil pessoas no acampamento em frente ao Tribunal de Justiça do Estado, durante o julgamento do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, um dos mandantes do assassinato. Bida, que é mantido sob custódia do Estado no Complexo Penitenciário de Americano, irá a julgamento nos dias 14 e 15 de maio na capital do estado, Belém.

Luciney Vieira, coordenador do Comitê Dorothy disse que o objetivo do acampamento é exercer a função dos movimentos sociais: “a busca por justiça”. Mas que esse é também um julgamento pedagógico, no qual se pretende trazer a temática da violência contra trabalhadores rurais para discussão junto à população. Para isso, foram confeccionados cartazes e panfletos que estão sendo distribuídos pela cidade, além de outdoors espalhados pelas ruas de Belém.

No próximo domingo (06), a Praça da República, em Belém, abrigará uma manifestação que visa fortalecer o chamado para que a população participe da luta por justiça no assassinato de irmã Dorothy. Já que em relação à proteção da Amazônia, não se observam avanços, pois na cidade de Anapu, as práticas ilegais de extração de madeira, razão pela qual a irmã foi assassinada, continuam a serem feitas.

Segundo Luciney Viera, o comitê está preparando um esquema de segurança para o dia do julgamento, pois os movimentos sociais dividirão o mesmo espaço, em frente ao tribunal, que um grupo de pessoas contratadas pelos réus do julgamento e estão “apreensivos porque sabem com que tipo de gente estão lidando”. Vieira teme também o resultado do julgamento, pois, segundo ele, “a impunidade é a Rainha e Senhora sempre” no estado do Pará. Para muita gente a justiça já foi feita, porque os que apertaram o gatilho já estão presos, mas ainda falta os mandatários do crime serem condenados. O Comitê Dorothy tem provas que incriminam Bida.

Vieira acredita que só a força dos movimentos populares pode alcançar mudanças na maneira como esses crimes contra os defensores das terras na Amazônia são julgados; já do Estado, ele “não espera nada”. O coordenador do Comitê Dorothy denunciou que represálias à pressão dos movimentos sociais pelo fim da violência contra trabalhadores rurais já estão sendo feitas. O assassinato, na última quarta-feira, do trabalhador rural Antonio Santos do Carmo, que estava em um acampamento do MST na Fazenda São Felipe, município de Irituia (a 140 km de Belém), foi um exemplo dessa repressão. “No estado do Pará há um consórcio para matar trabalhadores rurais”.

Além de Bida, mais quatro homens estão envolvidos no assassinato de irmã Dorothy. Raifran das Neves Sales, o Fogoió, autor do seis tiros que mataram a religiosa. Clodoaldo Batista que assentiu a toda a execução. Os dois foram os primeiros a serem julgados, sendo sentenciados a cumprir, respectivamente, 27 e 17 anos de reclusão em regime fechado. Raifran e Clodoaldo estão detidos em presídio da Região Metropolitana de Belém. Em razão do tamanho da pena a que foi condenado, Raifran deve ser submetido a novo julgamento pelo Tribunal do Júri. Amair Feijoli da Cunha, o Tato, fazendeiro responsável por intermediar o assassinato, julgado no final de abril de 2006 e condenado a uma pena de 18 anos de prisão e o fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, que aguarda, em liberdade, beneficiado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal, o julgamento dos inúmeros recursos interpostos para evitar o júri popular.



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