Eleição paraguaia é pano de fundo do debate sobre visita de Lula

A tentativa frustrada do presidente Nicanor Duarte de colocar a discussão de Itaipu em pauta pode ser vista como um esforço para roubar uma das bandeiras de Fernando Lugo, oposicionista que lidera todas as...

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A tentativa frustrada do presidente Nicanor Duarte de colocar a discussão de Itaipu em pauta pode ser vista como um esforço para roubar uma das bandeiras de Fernando Lugo, oposicionista que lidera todas as pesquisas de opinião contra qualquer um dos possíveis candidatos do Partido Colorado, alojado no poder há mais de 40 anos.

A tentativa frustrada do presidente Nicanor Duarte de colocar a discussão de Itaipu em pauta pode ser vista como um esforço para roubar uma das bandeiras de Fernando Lugo, oposicionista que lidera todas as pesquisas de opinião contra qualquer um dos possíveis candidatos do Partido Colorado, alojado no poder há mais de 40 anos.

Lugo e os cinco partidos que sustentam sua candidatura querem que o Paraguai possa utilizar mais energia de Itaipu. O contrato da usina, firmado em 1974 durante o auge da cooperação entre as ditaduras paraguaia e brasileira, então no poder, determina que cada país tem direito a 50% da produção, sendo que o outro tem prioridade de compra sobre o excedente.

Do total da energia consumida pelo Paraguai, mais de 90% vêm de Itaipu, mas representam apenas 5% da produção da usina. O restante, pelo contrato, é vendido prioritariamente ao Brasil por um preço fixo. Lugo reclama um reajuste de cerca de 500% do preço pago pelo Brasil. Críticos da política externa brasileira apontam a lei dos hidrocarbonetos da Bolívia como perigoso antecedente para a posição do presidente Lula.

Lugo também reclama da posição de Nicanor frente aos Estados Unidos. O presidente aceitou a renovação de acordo militar que permite o Pentágono ter uma base militar móvel em território paraguaio.

Mesmo com suas tergiversações em relação a Brasil e Estados Unidos, a política externa de Nicanor é o nó da discórdia com seu partido. Os colorados criticam o presidente por não ter aceitado a ampliação do acordo militar proposta pelos norte-americanos. E criticam a aproximação com a Venezuela para exploração de petróleo no Chaco, deserto na fronteira com a Bolívia. Com isso, o vice-presidente Luis Castiglioni busca espaço no Partido Colorado para lançar uma candidatura mais pró-Estados Unidos. Já Nicanor, frustrado em sua tentativa de aprovar a reeleição no Congresso, tenta emplacar a ministra da Educação, Blanca Ovelar, como sucessora.



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