G8: Operação para calar manifestantes

Cerca de 900 policiais invadiram na quarta-feira casas e escritórios de vários ativistas de esquerda suspeitos de planejarem distúrbios durante a reunião do G-8, que acontecerá entre 6 e 8 de junho em Heiligendamm, no mar Báltico, cerca de 200 quilômetros a nordeste de...

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Cerca de 900 policiais invadiram na quarta-feira casas e escritórios de vários ativistas de esquerda suspeitos de planejarem distúrbios durante a reunião do G-8, que acontecerá entre 6 e 8 de junho em Heiligendamm, no mar Báltico, cerca de 200 quilômetros a nordeste de Berlim.

Por Julio Godoy, da IPS 

Uma operação nacional na Alemanha contra ativistas de esquerda acusados de terrorismo e planejar distúrbios por ocasião da cúpula do Grupo dos Oito países mais poderosos no próximo mês é parte de uma grande campanha oficial para sufocar todo protesto durante o encontro. Cerca de 900 policiais invadiram na quarta-feira casas e escritórios de vários ativistas de esquerda suspeitos de planejarem distúrbios durante a reunião do G-8, que acontecerá entre 6 e 8 de junho em Heiligendamm, no mar Báltico, cerca de 200 quilômetros a nordeste de Berlim.

As invasões aconteceram no norte e nordeste do país e, principalmente, em Brlim, Hamburgo, Bremem e outras cidades dos Estados federais de Baixa Saxônia, Brandenburgo e Schleswig-Holstein. A polícia identificou 20 pessoas como principais suspeitas, mas esclareceu que não houve detenções. Também desbaratou conexões via Internet e apreendeu computadores e documentos relacionados com supostos protestos previstos para acontecerem durante a cúpula.

“Grupos de extrema esquerda e seus membros são suspeitos de fundar uma organização terrorista ou pertencerem a uma com o único objetivo de orquestrar ataques com bomba e outros tipos de atos violentos para perturbar ou evitar a realização do encontro do G-8”, diz o comunicado da Promotoria. Esse órgão também acusou as organizações de esquerda de cometerem vários ataques menores nos últimos meses.

O ministro do Interior, Wolfgang Schaeuble, anunciou que o governo vai reforçar os controles na fronteira para evitar a entrada de manifestantes estrangeiros violentos. “As medidas de segurança incluem controles em vários pontos de fronteira para evitar a entrada na Alemanha de delinqüentes potenciais e outros que possam recorrer à violência”, disse Schaeuble. “Será dada atenção especial aos violentos ativistas antiblobalizaçao”, acrescentou. A operação foi parte de uma série de medidas de segurança dispostas pelo ministro em sua luta declarada contra o terrorismo.

Schaebule propôs recorrer ao exército, autorizar a interceptação de conexões de Internet e ampliar a utilização de dados biométricos nos documentos pessoais de identidade. O ministro também pediu autorização para abater aviões comerciais sobre território alemão no caso de terem sido seqüestrados. “Na luta contra o terrorismo não vale a presunção de inocência. Isso significaria que vou permitir 10 atentados terroristas em lugar de deter uma pessoa que pudesse não estar envolvida com nenhum delito”, disse o ministro em entrevista ao semanário Stern.

Entretanto, negou intenções de eliminar as liberdades civis. “Considero a lei e nosso sistema constitucional como defensores da liberdade. É um dever fundamental do Estado defender e garantir nossa segurança e nossa liberdade”, disse. Schaeuble advertiu várias vezes nos últimos meses que a Alemanha corre sérios riscos de ser alvo de ataques orquestrados por organizações terroristas islâmicas. Mas nem todos pensam como ele.

O comissário federal para as liberdades civis, Peter Schaar, qualificou os planos de Schaeuble de “desproporcionados ataques contra nossos direitos. Estamos desmantelando o império da lei garantido pela Constituição alemã”, afirmou. Schaar lamentou que muitas das idéias de Schaeuble já terem tomado forma. “Numerosos inocentes já estão sob suspeita por utilizar a Internet ou telefones. O simples fato de utilizar as telecomunicações basta para me converter em um delinqüente potencial”, afirmou.

Na cúpula de junho, os chefes de Estado e de governo do G-8 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia) se reunirão para discutir assuntos como comércio internacional, aquecimento global e ajuda economia para a África. Também participarão da cúpula chefes de governo dos cinco países com as maiores economias emergentes: Brasil, China, Índia, México e África do Sul. Espera-se que cerca de cem mil ativistas estrangeiros e alemães participem de manifestações em zonas próximas de Heiligendamm, contra o que as organizações de esquerda chamam de políticas neoliberais.

As autoridades construíram uma barreira de concreto e arame farpado de 12 quilômetros, ao custo de US$ 17 milhões, em volta do lugar onde a cúpula acontecerá. Haverá cerca de 16 mil policiais e mais de 1.100 soldados cuidando da segurança do cerco e de manter os manifestantes a vários quilômetros da reunião. Nove navios de guerra vão patrulhar as águas que banham Heiligendamm.

Envolverde/ IPS



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