Genoíno quer distância de cargos

No dia do lançamento de biografia autorizada, José Genoíno fala à Fórum sobre seu momento atual. A obra trata da história do deputado federal.

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No dia do lançamento de biografia autorizada, José Genoíno fala à Fórum sobre seu momento atual. A obra trata da história do deputado federal.

Por Anselmo Massad

História do deputado federal é o tema da biografia autorizada lançada nesta segunda-feira, 4, em São Paulo. “José Genoíno escolhas políticas”, da socióloga Maria Fransica Pinheiro Coelho, traz os principais episódios da vida do político.

A obra foi produzida de 1997 a 2002, mas só é publicada agora. Para ocupar os cinco anos, três anexos trazem entrevistas em formato pingue-pongue (pergunta e resposta) em três momentos: como candidato ao governo de São Paulo, em 2002, como presidente do PT e depois da crise política.

No livro, o deputado analisa que errou na condução política e nas relações internas do PT no período em que esteve à frente do partido. Um desses equívocos, segundo ele, foi a expulsão, em 2003, da então senadora Heloísa Helena (AL) e outros três deputados petistas (Babá, Luciana Genro e João Fontes), que deram origem ao PSoL. Na entrevista, ele considera que o partido deveria ter se oxigenado internamente na ocasião. Somado à transferência dos principais quadros do partido para o governo, deixou o PT enfraquecido.

Nesta entrevista, o parlamentar fala sobre seu momento atual, como deputado, em que diz não querer cargos no governo, nem no PT nem na Câmara. Confira a íntegra.

Fórum- A biografia lançada é autorizada e estava pronta desde 2002. Por que escolher este momento para o lançamento?

José Genoíno – Essa biografia autorizada começou a ser feita em 1997. Passei os arquivos das auditorias militares, arquivos do PT, de posições que defendia no partido, arquivos da Câmara dos deputados, de família e de meu histórico no movimento estudantil de 1968. Foi feito pela cientista política Maria Francisca Pinheiro Coelho, que colheu ainda outras entrevistas a meu respeito. O livro estava previsto para ser lançado em 2002, desde quando está pronto. Fui candidato a governdor e deixamos para depois. Fui presidente do PT e veio a crise de 2005. O livro termina em 2002, e tem três entrevistas anexas, uma como candidato a governador, uma como presidente do PT e uma após a crise.

Fórum- O fato de essa biografia sobre o senhor ser publicada agora, depois de cinco meses empossado como deputado federal eleito mostram, de certa forma, que os episódios da crise política de 2005 foram superados. Há algum estigma depois dela?

Genoíno – Veja, fiz três trabalhos para a opinião pública. Uma carta aos petistas, em que prestava contas dos 30 meses à frente do PT. Escrevi um livro-depoimento à jornalista Denise Paraná, publiado 2006. Agora, este livro que já estava pronto. Faço uma avaliação da história política, teórica. A Maria Francisca foi muito correta e fiel com os documentos que colheu e com os depoimentos que ouviu, além dos meus próprios. De certa maneira, estou fazendo uma análise, é como carro com parabrisa e retrovisor. Vivo um novo momento, em que quero participar de debates de ideias e visoes políticas. Não quero cargos no PT, nem no governo, nem na mesa diretora da Câmara. Quero ser militante de causas e me concentrar em dialogar.

Fórum – Mesmo comparando ao período anterior a sua candidatura ao governo de São Paulo, em 2002, hoje, o senhor não tem a mesma projeção. Na época, como membro da oposição, o senhor…

Genoíno – Nem tenho, nem pretendo ter essa projeção. Quero manter meu mandato a respeito da segurança pública, reforma política, defesa e direitos sociais. Sou militante de apoio incondicional ao governo Lula, que considero como melhor da história do Brasil. Quero que apareça a militância.

Fórum – Um dos episódios recentes que o colocaram na mídia foi a votação do projeto da Super Receita, o senhor figurou como um dos votos a favor da emenda 3, junto do José Eduardo Cardoso.

Genoíno– O que ocorreu foi divulgado na ocasião. Estávamos eu e o deputado José Eduardo Cardoso em uma reunião sobre segurança pública e chegamos na hora da votação. Não vimos a orientação ao voto da bancada, e vimos apenas a orientação do bloco, no qual estava o PMDB. Aí votamos errado. Mas já fiz pronunciamento defendendo o veto presidencial, e milito pela manutençao do veto.



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