Manifestantes tentam protocolar bolo de protesto

Com 90 centímetros, o bolo era um protesto contra um ano de paralisação do Plano BR-163 Sustentável lançado em 2006. Seguranças não permitiram a entrada dos manifestantes no Palácio. Restou distribuir o doce aos...

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Com 90 centímetros, o bolo era um protesto contra um ano de paralisação do Plano BR-163 Sustentável lançado em 2006. Seguranças não permitiram a entrada dos manifestantes no Palácio. Restou distribuir o doce aos ativistas. A rodovia liga Cuiabá-MT a Santarém-PA.

Acompanhados de palhaços em pernas de pau, com faixas, apitos e instrumentos musicais, representantes da sociedade civil organizada tentaram protocolar um bolo no Palácio do Planalto na terça-feira, 5. A data marcava o primeiro aniversário do lançamento do Plano BR-163 Sustentável sem implementação. Impedida por seguranças, a entrega do bolo fez parte de ato realizado pelo Consórcio pelo Desenvolvimento Socioambiental da BR-163 (Condessa), na Praça dos Três Poderes.

O ato começou às 10h, com a chegada do bolo de 6 quilos e 90 centímetros de comprimento, representando os problemas da

BR-163, com carros e caminhões atolados em parte da rodovia não asfaltada. O presidente Lula também estava no bolo, pedindo carona à beira da estrada, em meio a animais e vegetação do mini-cenário. Palhaços tocando instrumentos musicais em pernas de pau, fizeram o apitaço. Com faixas que exigiam comprometimento do governo federal com a implementação do Plano, foram distribuídas de balas, línguas de sogra e narizes de palhaço.

Ao tentar entregar o bolo para o Protocolo do palácio, junto de documento do Condessa com a avaliação do Plano da BR-163, a segurança não barrou a entrada. Apenas alguns representantes de entidades socioambientais puderam prosseguir, para protocolar e encaminhar o documento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O protesto retornou à Praça dos Três Poderes, e o ato foi encerrado logo em seguida, com distribuição de bolo entre os manifestantes e pessoas que passavam.

O Plano Lançado em 2006, o Plano vem sendo apresentado pelo governo federal como exemplo de planejamento socioambiental de grandes obras de infra-estrutura na Amazônia. Foi construído a partir de 2004, pelo chamado Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), que conta com representantes de vários ministérios, em função do plano. A estrada deve passar por obras de asfaltamento e duplicação em um trecho de quase mil quilômetros – uma reivindicação de empresários da região. A BR-163 é considerada uma das principais vias de escoamento da produção de grãos, carne e madeira do norte do Mato Grosso e do Pará. O plano pretende atender às demandas das comunidades ao longo da rodovia, com ações para melhorar a qualidade de vida na região, e reduzir os inevitáveis impactos sociais e ambientais que a obra vai causar, como o aumento do desmatamento e de queimadas, grilagem de terras, migração, entre outros.

Protesto Em 11 páginas, o documento do Condessa lamenta que os avanços conseguidos na elaboração do Plano tenha parado na implementação. “[Neste momento], qualquer retrocesso, tendo o governo intenção de recuar – e vários sinais são dados neste sentido -, vem abalar a sua credibilidade construída com tanto esforço”, conclui a carta.



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