Países estão aquém do esperado na luta contra as mudanças climáticas

Dois estudos divulgados nesta semana revelam que, apesar de todos os alertas da comunidade científica sobre as conseqüências do aquecimento global, o planeta está longe de sofrer pouco.

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Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil

Dois estudos divulgados nesta semana revelam que, apesar de todos os alertas da comunidade científica sobre as conseqüências do aquecimento global, o planeta está longe de sofrer pouco. As emissões dos gases do efeito estufa estão aumentando dramaticamente, segundo a publicação annual “Little Green Data Book” lançada pelo Banco Mundial. Em escala global as emissões de dióxido de carbono (CO2) em 2003 foram 16% maiores que em 1990.

A WWF, por sua vez, divulgou os resultados do estudo “Dirty Thirty” que aponta as 30 usinas mais sujas da Europa, com base em cálculos do Registro de Emissões Européias, gerenciado pela Comissão Européia sob o programa de comércio de emissões. A pesquisa mostra que usinas de queima de carvão na Alemanha, no Reino Unido (10 em cada) e na Polônia (4) estão entre as mais poluentes da Europa.

Outra conclusão do relatório do Banco Mundial são que as emissões se espalharam por igual entre países industrializados e países em desenvolvimento. Em 1960, países pobres respondiam por um terço das emissões, mas têm crescido rapidamente e alguns países industrializados não colaboram muito para melhorar o quadro. Estados Unidos e Japão mostraram um aumento de 20% a 15% entre 1990 e 2003, respectivamente, e a União Européia (UE) teve um crescimento de 3%.

O documento mostra ainda que, como grupo, os países industrializados estão longe de alcançar as metas de Kyoto e que as emissões por pessoa na China e Índia são muito menor que nos Estados Unidos e Japão. Um cidadão chinês emite 16% do que um norte-americano emite e um indiano é responsável por apenas 6%.

Nos países em desenvolvimento, as emissões originam principalmente da agricultura e mudança do uso da terra. Desmatamento evitado, no entanto, é um dos componentes chaves da boa política climática nestas regiões.

Enquanto isso no relatório divulgado pela WWF, mais da metade das 30 usinas analisadas são dirigidas pelos grupos RWE (Alemanha), Vattenfall (Suécia), EDF (França) e EON (Alemanha). RWE e Vanttenfall estão entre as maiores corporações poluidoras do clima na União Européia.

Apesar dos esforços para reduzir as emissões de perigosos poluentes atmosféricos (mercúrio, óxidos de nitrogênio e dióxido sulfúrico), usinas de queima de carvão ainda são as mais poluentes em termos de emissões de CO2, um fato que não é mencionado no estudo da WWF. “Os fatos são claros. O setor energético precisa acabar com o carvão sujo o quanto antes”, disse o chefe da Unidade européia de clima e energia da WWF, Stephan Singer.

Segundo ele, isto deve ser feito com um Sistema de Comércio de Emissões da EU melhorado, o que ajudaria o grupo a atingir 30% de redução em 2020. “Não podemos tolerar um setor energético onde os mais sujos são os mais ricos. A EU deve assegurar que apenas aqueles que limpem as usinas recebam prêmios em dinheiro”, afirmou.

CarbonoBrasil com informações da Euractiv
Envolverde

 



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