Paraguai pede mais energia, Lula oferece biocombustível

Por dois dias, Luiz Inácio Lula da Silva fez sua primeira visita oficial como chefe-de-Estado ao Paraguai. Enquanto a imprensa local cobrava a revisão do acordo de Itaipu, o Brasil freou a discussão e...

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Por dois dias, Luiz Inácio Lula da Silva fez sua primeira visita oficial como chefe-de-Estado ao Paraguai. Enquanto a imprensa local cobrava a revisão do acordo de Itaipu, o Brasil freou a discussão e colocou o biodíesel da soja em pauta.

Por dois dias, Luiz Inácio Lula da Silva fez sua primeira visita oficial como chefe-de-Estado ao Paraguai. Para cumprir as formalidades que diferenciam este tipo de visita das outras, cumpriu alguns trâmites diplomáticos, como depositar flores no Panteao dos Heróis de guerras paraguaias.

Para a imprensa local, interessou menos os “salamaleques” diplomáticos e mais a possibilidade de os dois países revisarem o contrato que deu origem a Itaipu Binacional. As manchetes dos jornais davam o tom de descontentamento da imprensa. “Lula oferece mais promessas” era o título de Ultima Hora, o mais comprado pelos paraguaios. ABC Color, mais antigo do país com seus 40 anos, usou seu editorial como manchete de capa por dois dias seguidos. Nas duas vezes, criticando o presidente paraguaio Nicanor Duarte por não colocar em pauta a revisão de Itaipu.

Em final de mandato e tentando emplacar um afilhado político como candidato à sucessão, Nicanor chegou a ensaiar o pedido. Duas semanas antes da visita de Lula, ao sair de uma reunião, chegou a dizer a jornalistas que “mais cedo do que tarde é preciso buscar um grande acordo social para revisar o tratado de Itaipu”.

O balão de ensaio não deu certo. Na semana seguinte, em entrevista exclusiva a Ultima Hora sobre sua viagem, Lula diria que Itaipu “não está na pauta”. Nicanor obedeceu ao recado do colega. Segundo os funcionários da embaixada brasileira, o tema de Itaipu nunca foi colocado formalmente ao Brasil por nenhuma autoridade paraguaia.

Durante os dois dias de viagem de Lula, Nicanor seguiu o estreito figurino. Não tocou no assunto em nenhum dos discursos, qualquer das reuniões e fugiu do tema durante as entrevistas.

Alheio aos conflitos internos (leia reportagem a respeito), Lula freou, com antecedência, o tema Itaipu e veio oferecer seu tema predileto neste segundo mandato: biocombustíveis. Com a maior parte das terras paraguaias produzindo soja, Lula vê as possibilidades de produzir H-Bio, o diesel à base do produto. Paraguai e Brasil fecharam um “acordo de segunda geração”, conforme classificou a diplomacia brasileira. Nos de “primeira geração”, fechado com os outros países, o Brasil se compromete a dar apoio técnico para a produção de biocombustível.

Com o Paraguai, o governo brasileiro quer mais. Criou um grupo de trabalho que vai executar um plano de ação claro: definir quais matérias-primas, além da soja, o solo paraguayo tem condições de produzir. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) participa das discussões e vai avaliar a possibilidade de financiar a produção agrícola do país. E a Petrobras pode participar da infra-estrutura de refino e distribuição para o mercado externo.

A possibilidade de criar um “combustível genuinamente paraguaio”, na expressão de Lula, foi vista como mais um “espelhinho” brasileiro oferecido ao país, segundo editorial do jornal “ABC Color”. As organizações sociais do país, como o Movimiento Campesino Paraguayo (MCP), temem o aprofundamento do modelo agroexportador do país, já tomado pela soja.

 



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