Rondeau pede demissão “irreversível”; Sarney faz o anúncio

José Sarney (PMDB-AP) é padrinho político de Silas Rondeau e, desde a véspera, aconselhou-o a não ficar no cargo, diante de investigações da Polícia Federal que envolvem seu nome no sistema de fraudes trazido a público pela Operação Navalha

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José Sarney (PMDB-AP) é padrinho político de Silas Rondeau e, desde a véspera, aconselhou-o a não ficar no cargo, diante de investigações da Polícia Federal que envolvem seu nome no sistema de fraudes trazido a público pela Operação Navalha

Por Vermelho

O ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, entregou sua carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem se reuniu nesta terça-feira (22). “Ele me disse que entregou a carta para deixar o cargo de maneira irrevogável”, afirmou o senador José Sarney (PMDB-AP), padrinho político de Rondeau, que desde a véspera aconselhou-o a não ficar no cargo, diante de investigações da Polícia Federal que envolvem seu nome no sistema de fraudes trazido a público pela Operação Navalha.

A assessoria de Rondeau havia informado que ele daria uma entrevista à imprensa após o encontro com Lula. No entanto, a coletiva foi cancelada, enquanto se espera a divulgação de uma nota ainda nesta terça-feira.

Fitas são do serviço de segurança do ministério Silas Rondeau é apontado pela Operação Navalha, da Polícia Federal, como receptor de uma propina de R$ 100 mil, supostamente paga pela construtora Gautama, acusada pela PF de coordenar um esquema destinado a fraudar licitações. A PF tem gravações telefônicas e fitas de vídeo que comprovariam a acusação.

As fitas foram gravadas por câmeras do serviço de segurança do Ministério de Minas e Energia. Mostram uma funcionária da Gautama, Fátima Palmeira, entrando no ministério pelo elevador privativo no dia 13 de março. Ela carrega um envelope de cor parda, no qual a PF acredita que estavam R$ 100 mil. O dinheiro teria sido entregue a Ivo Almeida Costa, assessor especial do Ministério e uma das 46 pessoas presas na quinta-feira, quando a Operação Navalha foi deflagrada.

Ivo Costa prestou depoimento nesta terça-feira à ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon, durante cerca de uma hora. Após depor, teve a prisão revogada pela ministra.

Sarney: “Ele é correto e decente” O ministro nega ter recebido propina, embora tenha decidido responder à acusação fora do governo. Ele argumenta que foi o responsável pela entrada da Polícia Federal nos gabinetes do Ministério, tão logo tomou conhecimento das investigações das PF, a quem diz ter fornecido vários documentos.

“Acho correto porque ele é correto e decente e tem o dever de deixar o presidente Lula numa situação confortável”, afirmou Sarney. Segundo informou a jornalista Cristiana Lôbo, da Globo News, o senador já apresentou nomes para suceder Rondeau.

Antes de se reunir com o ministro demissionário, Lula esteve com Sarney e com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também bancou a participação de Rondeau nas Minas e Energia.

O ministro demissionário, maranhense como Sarney, assumiu a pasta das Minas e Energia em 2005, quando Dilma Roussef foi promovida a titular da Casa Civil. É visto como um técnico, mas fazia parte da cota de ministros indicados pelo PMDB na reforma partidária deste ano.

Para Lula, PF deve “ir fundo, doa a quem doer” A saída de Rondeau foi confirmada pelo governo federal por meio de nota à imprensa do Ministério de Minas e Energia. Na reunião do ministro demissionário com o presidente Lula, no Palácio do Planalto, participaram também os titulares da Justiça, Tarso Genro, e da Casa Civil, Dilma Rousseff. Chegou a ser cogitado, segundo observadores, um afastamento temporário, durante a investigação, hipótese desmentida pelo anúncio feito por Sarney.

Horas antes da reunião com Rondeau, Lula fez mais uma defesa da atuação da Polícia Federal. “As investigações têm que ir fundo, doa a quem doer”, disse Lula aos ministros da coordenação, segundo uma fonte oficial do Palácio do Planalto citada pela agência Reuters.

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