Com público recorde, Parada Gay pede criminalização da homofobia

Na abertura da 11º Parada do Orgulho GLBT, com o lema “Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia”, o apoio à lei que criminaliza a questão da homofobia foi a principal reivindicação. Organizadores estimam quatro milhões de participantes.

198 0

Na abertura da 11º Parada do Orgulho GLBT, com o lema “Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia”, o apoio à lei que criminaliza a questão da homofobia foi a principal reivindicação. Organizadores estimam quatro milhões de participantes.

Por Brunna Rosa

A parada do orgulho GLBT em sua 11º edição reuniu quatro milhões, segundo os organizadores, e se firma como o maior evento de diversidade do mundo.

O palco da manifestação no domingo, 10, foi novamente a avenida Paulista. A bandeira “Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia” está inserida na busca por pressionar pela aprovação do Projeto de Lei Complementar 226/2006 no Senado, que criminaliza a homofobia.

O projeto de lei sofre resistência entre os senadores ligados a setores religiosos, segundo organizações ligadas ao direito de Gays, Lésbicas, Bissexyais e Transgêneros (GLBT). Para as organizações, o enorme alcance obtido por meio do grande público que freqüenta a Parada Gay levará a discussão para a aprovação do projeto.

Até o fim de junho, mês do orgulho GLBT, a Associação da Parada do Orgulho GLBT (APOGLBT), em parceria com o Fórum Paulista GLBTT, a Rede Afro LGTTB e outras entidades, trabalharão com atividades educativas, culturais e políticas a idéia de um mundo onde preconceitos, especialmente os motivados por raça/etnia, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero, não sejam causa de sofrimentos e violações aos direitos humanos.

O crescimento do público freqüentador leva a Associação da Parada do Orgulho GLBT (APOGLBT) a se preocupar e repensar a logística para 2008. “Essa grandeza começa a preocupar um pouco. O crescimento é importante, mas ele tem que acontecer com qualidade”, afirmou Nelson Matias Pereira, presidente da (APOGLBT), após o termino da parada.

Nelson ressalta que colocar quatro milhões de pessoas na rua e não ter nenhum incidente grave é uma vitória.

Dinheiro Rosa

O “dinheiro rosa”, durante o último feriado, movimentou o mais vasto mercado em São Paulo. Grifes famosas comemoravam a alta das vendas. O prefeito Gilberto Kassab (DEM), presente no carro de abertura do evento, declarou que a parada é o evento que atrai o maior número de turistas a São Paulo.

Com a expectativa de 300 mil turistas a São Paulo Turismo (SPTuris), empresa de turismo da prefeitura, afirmava que a parada Gay ficou à frente do Grande Prêmio de Fórmula 1, que atraiu 80 mil, e do Carnaval, com 27 mil. De acordo com a empresa, os visitantes da parada deixaram R$ 180 milhões na cidade.

A ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), também esteve presente na abertura do evento. Marta, habitual freqüentadora das paradas, declarou em coletiva a imprensa que o evento foi “lindo, tranqüilo, muito bonito como sempre”.

Polêmica

Nos dias que antecederam a parada uma polêmica a respeito do conteúdo de panfleto que seria distribuído na Parada gay, afetou Ministério da Saúde e as Secretarias da Saúde Estadual e Municipal.

O panfleto “Tenho orgulho e me cuido” confeccionado pela APOGLBT dava dicas de como evitar a transmissão de doenças durante o uso de drogas. Frases como “Compartilhe a droga, mas nunca a seringa”, causaram divergências, com acusações de que o panfleto incentivaria o uso das drogas. Com as logomarcas das três instancias do poder, os panfletos foram recolhidos para análise técnica.

Em nota de esclarecimento, Programas Nacional e Estadual de DST/Aids ressaltaram importância do programa de redução de danos para usuários de drogas e observa que a política brasileira está de acordo com as recomendações internacionais adotadas em diferentes fóruns internacionais, incluindo a Sessão Especial das Nações Unidas sobre HIV e Aids (Ungass, na sigla em inglês), que definiu a estratégia de redução de danos como prioritária no enfrentamento da epidemia da Aids. Assim, os termos utilizados no folheto são adaptações dos termos contidos nos manuais de redução de danos para usuários de drogas, usados como referência nas ações de prevenção que, em hipótese alguma, podem ser considerados como incentivo ao uso de drogas.



No artigo

x