Ocupação: reforma democrática já

A cobertura completa do jornalista Aureliano Biancarelli direto da Reitoria da USP está na edição 51 da Fórum.

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Mesmo os grupos que defendem o fim da ocupação concordam com a necessidade de reforma universitária democrática para ampliar o acesso e criar canais de participação de toda a comunidade na gestão das instituições estaduais. A cobertura completa do jornalista Aureliano Biancarelli direto da Reitoria da USP está na edição 51 da Fórum.

Por Aureliano Biancarelli 

Um grupo de professores pedindo a “desocupação pacífica” da reitoria, e estudantes que há 34 dias ocupam o prédio, fizeram manifestações simultâneas na quarta-feira, 6, no mesmo espaço aberto entre a reitoria e a praça do Relógio, no campus da USP, em São Paulo. Apesar do clima tenso e das propostas opostas – ocupar e desocupar –, os dois grupos revelaram um ponto em comum fundamental: a necessidade de uma reforma democrática dos estatutos da universidade.

“Achamos que a ocupação já se esgotou como forma de manifestação, embora o conteúdo das questões sejam plausíveis de serem debatidos”, disse Sylvio Sawaya, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). “Somos por uma desocupação pacífica e, mais importante, por uma reforma democrática já”, disse aos jornalistas.

A reforma dos estatutos da universidade é um dos 18 pontos da agenda de reivindicações que os estudantes vem apresentando desde o início da ocupação. Segundo eles, um estatuto democrático, com a participação de estudantes e funcionários – além de professores – na escolha dos reitores evitaria crises como a que vem ocorrendo. Os estudantes se referem aos decretos publicados pelo governador José Serra no início do ano criando uma Secretaria de Ensino Superior e retirando dos reitores autonomia para definir prioridades em pesquisa e manejar verbas. Se os reitores representassem de fato a comunidade de estudantes e a sociedade, não teriam se calado diante desses decretos, dizem os estudantes.

Foi a ausência da reitora Suely Vilela numa assembléia para discutir os decretos do governador, no último dia 3 de maio, que levou os estudantes a se dirigirem à reitoria. Impedidos de entrar para registrar um protocolo de protesto, eles forçaram as portas, entraram e não saíram mais. Na última quinta-feira, o governador Serra publicou os chamados “decretos declaratórios”, numa tentativa de dizer que os decretos anteriores não feriam a autonomia da universidade. Os estudantes “estudaram cada um dos decretos, consultaram especialistas”, e chegaram à conclusão de que a autonomia da universidade continua ameaçada. E que a ocupação continuará.

Nesta tarde desta quarta, representantes das três universidades paulistas – USP, Unicamp e Unesp –, além das Fatecs e Escolas Técnicas, estavam reunidos na reitoria ocupada para definir os rumos do movimento. Uma plenária da ocupação estava prevista para esta noite. Ontem, reitorias de três universidades federais também foram ocupadas.

Debates na ocupação

Os estudantes que ocupam a reitoria vêm organizando uma série de eventos culturais, dentro e fora do prédio. Na quinta-feira, 7, o professor Plínio de Arruda Sampaio (da Economia, Unicamp), falou sobre “Universidade Pública e Desenvolvimento”. Nesta sexta feiradia 8, às 14h30, Henrique Carneiro, professor de História da FFLCH-USP, fala sobre “As ocupações na história do movimento estudantil: de Córdoba em 1918 ao debate entre Marcuse e Adorno em 1968”.

Os debates acontecem no auditório da reitoria ocupada e estão abertos a todos os estudantes, de escolas públicas e privadas. É aconselhável que os interessados confirmem a programação pelos endereços abaixo, onde também podem acompanhar noticiário referente à ocupação.

Blogs: http://ocupacaousp.noblogs.org

http://fotosdaocupacao.blogspot.com

E-mails ocupacao.usp@linuxmail.org

culturadegreve@gmail.com

culturanaocupacao@gmail.com



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