Entidade apresenta novos empreendedores sociais

Há 21 anos no Brasil, Ashoka divulga 21 selecionados do país para bolsa por três anos. Célia Cruz, diretora da entidade no Brasil e Paraguai, explica o perfil dos empreendores sociais No dia 26 de...

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Há 21 anos no Brasil, Ashoka divulga 21 selecionados do país para bolsa por três anos. Célia Cruz, diretora da entidade no Brasil e Paraguai, explica o perfil dos empreendores sociais

No dia 26 de junho, terça-feira, a Ashoka na América Latina se reúne em São Paulo para apresentar 37 empreendedores sociais do continente. Eles receberão bolsas por três anos para promover mudanças sociais positivas em diversas áreas de atuação.

Há 21 anos no Brasil, a Ashoka fomenta o empreendedorismo social. Oferece cursos para organizações não-governamentais (ONGs) e bolsas de três anos para lideranças que precisam de apoio para transformarem a realidade.

Criada em meados da década de 80 na Índia, pelo norte-americano Bill Drayton, a entidade está presente em 63 países.

Diretora no Brasil e Paraguai, Célia Cruz explica o processo de seleção e o perfil procurado pela entidade.

FÓRUM – Como essas pessoas são escolhidas pela Ashoka?

CÉLIA CRUZ – A Ashoka está no Brasil há 21 anos. Naquela época, buscávamos pessoas com perfil empreendedor voltado para o social, com idéia inovadora que possa causar mudanças sistêmicas, com critividade para solucionar alguma questão, com perfil ético e, em geral, em início de trajetória de organização. Alguns dos bolsistas selecionados no começo da trajetória da entidade no Brasil são a Gabriela Leite, da ONG que se transformou em Daspu, a Marilena Lazzarini, do Idec [Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor], o Wellington Nogueira, dos Doutores da Alegria. São lideranças conhecidas no meio social, alguns internacionalmente, selecionadas quando a idéia que tinham era inovadora e, por isso, não conseguiam apoio para se desenvolver.

Na terça-feira, o evento irá anunciar os 37 empreendedores selecionados, dos quais 21 são brasileiros. Todos os anos, no Brasil, há 20 escolhidos, mas devemos ampliar para 30. Desde a chegada ao país, são 280 empreendedores sociais. Por três anos, oferecemos uma bolsa salário para que a pessoa se dedique à idéia. Mesmo depois desse período, ela continua participando da rede, com benefícios e contrapartidas, como a participação em seminários temáticos — sobre diversidade, políticas publicas –, com a parceria com a consultoria Mckinsey, ou a aproximação de empresas e fundações. Ela passa a se tornar membro de uma rede com ação para fortalecer a trajetória de empreendedores sociais. Tem gente de todas as áreas, de educação, saúde, soluções econômicas…

FÓRUM – Como é o processo de seleção?

CRUZ – Para este ano, foram 600 propostas. Os candidatos enviam uma primeira versão, simplificada. Depois, é solicitada uma proposta mais detalhada. A avaliação é feita em quatro entrevistas com a equipe da Ashoka no Brasil junto com uma pessoa da rede de outro país para verificar se a idéia é inovadora no Brasil. A partir daí, as propostas vão para o conselho internacional. A ashoka tem série de trabalhos para o setor como o um todo, como cursos de plano de negócio para ONGs, trabalho de fortalecimento de recursos etc.

FÓRUM – A senhora fala de pessoas no início da trajetória e inovadoras, mas na relação há gente conhecida, como a ex-jogadora de vôlei Ana Moser, ou o jornalista Gilberto Dimenstein.

CRUZ – No início da trajetoria, fazíamos a opção excusiva por pessoas em início de trajetória. Depois, percebemos que era necessário trazer gente que estava mais avançada, para ajudar a construir novos programas e servir de referência. O Oded Grajew também está na reda. A idéia é criar um referencial das pessoas. Se você perguntar a alguém: “que empreendedor você conhece?”. As pessoas vão saber apontar o Bill Gates ou uma série de empresários bem sucedidos. Mas se perguntar: “que empreendedor social você conhece?”, queremos que haja referências. O prêmio Nobel da Paz, Muhamed Yunus, do Grammeen Bank, de Bangladesh, também é membro. Produzimos materiais sobre a experiência dessas pessoas para apresentar em universidades e buscamos, com eles, conceber novos programas.

FÓRUM – A apresentação dos selecionados é latino-americana. A discussão de formas de cooperação continental é discutida?

CRUZ – Todos os anos, fazíamos o evento de apresentação. Em 2006, eram 25 anos da Ashoka da Argentina, e o encontro foi lá. Ao reunir os empreendedores sociais latino americanos, percebemos que era uma boa experiência, adotada agora. Antes da apresentação, por três dias, os 37 bolsistas discutirão formas de colaborar na América Latina, como troca de metodologias, como influenciar em política etc.



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