Objetivos do Milênio: Pressão da sociedade civil é chave

No Fórum de Desenvolvimento 2007 da Sociedade Civil, que acontece em Genebra, os ativistas destacaram que a corrida para essas metas é muito irregular e que os países da África subsaariana e da Ásia...

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No Fórum de Desenvolvimento 2007 da Sociedade Civil, que acontece em Genebra, os ativistas destacaram que a corrida para essas metas é muito irregular e que os países da África subsaariana e da Ásia ocidental estão longe de alcançá-las, apesar de haver fundos suficientes.

Líderes da sociedade civil convocaram na quinta-feira, 28, as organizações de todo o mundo para que exerçam maior pressão nos governos para se alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

No Fórum de Desenvolvimento 2007 da Sociedade Civil, que acontece em Genebra, os ativistas destacaram que a corrida para essas metas é muito irregular e que os países da África subsaariana e da Ásia ocidental estão longe de alcançá-las, apesar de haver fundos suficientes. Todas as regiões, incluindo a África subsaariana, estão a caminho de atingir a meta da educação primária universal.

Porém, as nações subsaarianas, em média, não poderão reduzir à metade a proporção de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia ou das que sofrem fome, até 2015, disse o diretor da divisão de apoio e coordenação do Conselho Econômico e Social (Ecosoc), Nikhil Seth.

No oeste da Ásia, os índices de pobreza duplicaram nos últimos anos, enquanto a população em todo o Sul em desenvolvimento ainda carece de acesso a serviços sanitários. Tampouco se conseguiu avanços para reduzir o número de crianças desnutridas, disse Seth. A desigualdade tanto dentro quanto entre os países está crescendo, destacou, por sua vez, o diretor da Campanha das Nações Unidas para o Milênio, Salil Shetty. Apesar disso, há nações que mostram progressos, como Bangladesh, Moçambique, Ruanda e Tanzânia, que estão perto de atingir alguns dos objetivos.

Cerca de 500 representantes da sociedade civil de todo o mundo se reúnem nesta cidade suíça convocados pela Conferência de Organizações Não-Governamentais com Status Consultivo nas Nações Unidas (Congo, sigla em inglês) e pela Campanha das Nações Unidas para o Milênio. Os resultados do fórum serão apresentados na reunião anual de alto nível do Ecosoc, prevista para o final deste ano. O objetivo deste fórum também é mobilizar as organizações civis para que promovam os Objetivos um e oito, referente à erradicar a pobreza e a fome, e criar uma sociedade mundial para o desenvolvimento. “Sem a sociedade civil como força motriz por trás das metas, as possibilidades de alcançá-las são muito escassas. Juntos devemos perseguir a visão de que o apoio aos direitos humanos e o desenvolvimento humano seguem juntos”, disse a presidente do Congo, Renate Bloem, em seu discurso inaugural.

A sistemática e ativa participação das ONGs é essencial para fazer os governos responsáveis pelos progressos rumo ao cumprimento dos Objetivos, disse, por sua vez, o presidente do Ecosoc, Dalius Cekuolis. Além disso, informou aos delegados sobre as últimas reformas no Ecosoc, que permitem a participação de organizações civis em políticas de desenvolvimento em nível internacional. O Ecosoc realizará o Fórum de Cooperação para o Desenvolvimento no próximo ano.

As ONGs também deveriam usar os escritórios de seus respectivos países na ONU para defender assuntos que lhes correspondem, afirmou Kumi Naidoo, secretário-geral da Civicus, aliança mundial da sociedade civil. Naidoo recordou aos delegados que as metas são pretensões mínimas. No momento em que foram redigidas, os ativistas estavam preocupados se os Objetivos do um ao sete para os países do Sul tinham prazo de cumprimento, e não o número oito para as nações do Norte, explicou Naidoo. Isto é especialmente preocupante considerando o “déficit de cumprimento” que sofre o sistema da ONU, afirmou. Muitas metas foram fixadas e ficaram no passado. Parte do problema está na falta de vontade política, especialmente importante quando se trata de financiamento, disse o diretor-geral do escritório das Nações Unidas em Genebra, Sergei Ordzhonikidze. Vários delegados ressaltaram que há recursos suficientes para financiar o cumprimento das metas. O gasto mundial atual de US$ 1,2 bilhão em armas excede o investimento global em desenvolvimento, disse Ordzhonikidze.

O crescimento econômico alcançou seu nível máximo em 50 anos, o que leva à pergunta para onde vai toda essa riqueza, disse o diretor-executivo da organização não-governamental Social Watch, Roberto Bissio. Aproximadamente 12 milhões de pessoas no mundo têm mais que US$ 1 milhão em investimentos, o que totaliza US$ 12 trilhões. Cálculos demonstram que se for aplicada uma taxa aos juros destes fundos, mesmo a mais ínfima, seriam obtidos importantes recursos para financiar projetos visando atingir os Objetivos, afirmou Bissio.

 

Envolverde/ IPS



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