Sem discutir subsídios da agricultura, Lula enterra Doha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva endureceu o discurso às vésperas da primeira reunião de cúpula União Européia-Brasil, na próxima semana em Lisboa. Lula acusa os países desenvolvidos de exigir mais vantagens do...

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva endureceu o discurso às vésperas da primeira reunião de cúpula União Européia-Brasil, na próxima semana em Lisboa. Lula acusa os países desenvolvidos de exigir mais vantagens do que as oferecidas, em termos de cortes de subsídios agrícolas, aos países pobres.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva endureceu o discurso às vésperas da primeira reunião de cúpula União Européia-Brasil, na próxima semana em Lisboa. Lula acusa os países desenvolvidos de exigir mais vantagens do que as oferecidas, em termos de cortes de subsídios agrícolas, aos países pobres.

“Se eles não abrirem a agricultura, não tem mais conversa”, declarou. “Não podemos trabalhar com eles no século XXI como se trabalhou no século XX. Eles precisam compreender que os países emergentes precisam ter a oportunidade de disputar com eles”, completou em discurso a lideranças e parlamentares ruralistas, no Palácio do Planalto.

Lula atribuiu o fracasso na retomada das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) à insistência dos países ricos na abertura do mercado de bens industriais dos emergentes. “Para se chegar a um acordo, os EUA deveriam reduzir os seus subsídios, que tinham um limite de US$ 40 bilhões”, disse. Segundo ele, os EUA aplicaram subsídios de US$ 15 bilhões nos últimos três anos.

O presidente brasileiro relatou uma conversa telefônica entre ele e o então primeiro-ministro britânico, Tony Blair. O trabalhista teria exigido do Brasil um corte nas tarifas de importação de bens industriais. “Ele disse que, se o Brasil não aceitasse o coeficiente que eles iam propor para a indústria, não tinha acordo. Eu falei: ‘então não tem acordo, porque mais uma vez vocês querem que os países emergentes, os países pobres, abram as porteiras e vocês lacrem as de vocês’”, disse o presidente. No discurso, ele reconheceu que a decisão, neste momento, era muito mais política do que técnica.

Sobre a reunião de cúpula da próxima semana ele prometeu manter a linha-dura. “Se eles não abrirem a agricultura, não tem mais conversa”.

(Com informações do Valor Econômico)



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