Documentário “Armas não Atiram Rosas” conta a história do Massacre de Camarazal

O filme é uma realização conjunta entre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) , a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

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Por Redação

Lançado em Pernambuco, na última sexta-feira, 6,  o documentário “Armas não Atiram Rosas” . O documentário conta a história do assassinato de dois trabalhadores rurais Sem Terra, ocorrido no dia 9 de junho de 1997, e que, ficou conhecido como Massacre do Camarazal. O lançamento foi realizado no auditório do Ministério Público de Pernambuco. Junto com o lançamento, os movimentos sociais aproveitam para reafirmar a campanha “Queremos Justiça Contra os Crimes do Latifúndio”.

O filme é uma realização conjunta entre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) , a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. Além de ter como objetivo contar essa história, o documentário também tem um caráter de protesto e denuncia contra a impunidade dos crimes cometidos pelo latifúndio e uma mostra da força do povo, que mesmo ameaçado, mesmo perdendo entes e companheiros queridos, seguem lutando por justiça e liberdade.

Massacre
Na madrugada do dia 9 de junho de 1997, pistoleiros atacaram o acampamento do Engenho Camarazal, na cidade de Nazaré da Mata, Zona da Mata Norte de Pernambuco, atirando contra trabalhadores rurais Sem Terra acampados na área. Cinco trabalhadores ficaram feridos, inclusive duas crianças. Pedro Augusto da Silva e Inácio José da Silva, cunhados, foram assassinados depois de terem sido brutalmente torturados. O caso ficou conhecido como o Massacre de Camarazal. Dez anos se passaram e até hoje ninguém foi punido, nem mesmo indiciado, pelo assassinato dos dois agricultores

Logo após o massacre, o Engenho Camarazal foi desapropriado e o novo assentamento passou a se chamar Assentamento Pedro e Inácio em homenagem aos dois agricultores que perderam suas vidas para que aquelas terras fossem devolvidas ao povo que nelas cultiva.

Quando o Engenho Camarazal foi ocupado pelos trabalhadores rurais, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já havia considerado a área improdutiva e o imóvel já possuía decreto de desapropriação para fins de Reforma Agrária, conforme determina a lei. Nesse contexto, no dia 5 de junho de 1997, trabalhadores rurais ocuparam o Engenho como estratégia para pressionar pela rápida desapropriação do imóvel.

Por volta de meia-noite do dia 9 de julho, cerca de trinta pessoas armadas invadiram o acampamento disparando indiscriminadamente contra homens, mulheres e crianças, com o claro objetivo de matá-los. Os trabalhadores se dispersaram na mata em busca de abrigo. Depois de horas de disparos contínuos os pistoleiros atearam fogo nos barracos e destruíram todo o acampamento. Pela manhã os corpos de Pedro e Inácio foram encontrados boiando no Rio Capibaribe, no município vizinho de Paudalho.

Segundo os laudos do Instituto Médico Legal, Pedro foi morto por um tiro na nuca, pancadas na cabeça e corte no pescoço. Inácio foi morto por dois tiros no peito. Ambos tinham marcas de tortura.

Em denuncia entregue à Organização dos Estados Americanos (OAE), a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) apontam que foram recolhidos no local trinta estojos de cartucho calibre 12, cinco estojos de calibre 38, dois estojos de calibre 9 mm, um estojo de calibre 380mm. Prova suficiente de que a intenção era matar todos os trabalhadores rurais acampados na área.

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