Abbas saúda palestinos libertados por Israel

Os 250 prisioneiros libertados por Israel foram saudados como "heróis da liberdade" pelo presidente da Autoridade Palestina

167 0

Os 250 prisioneiros libertados por Israel foram saudados como “heróis da liberdade” pelo presidente da Autoridade Palestina

Por Redação

O presidente palestino Mahmud Abbas deu as boas vindas a cerca de 250 prisioneiros palestinos retirados do cárcere pelo governo israelense como “heróis da liberdade”, em uma celebração que comemorou o retorno deles à Cisjordânia no último fim de semana.

O ato de Israel, realizado na sexta-feira, 20, é visto como um movimento para aumentar o apoio ao governo interino criado por Abbas, em sua luta contra o Movimento de Resistência Islâmica palestino, o Hamas.

Milhares de pessoas se reuniram para saudar os prisioneiros, que chegaram de ônibus ao quartel-general de Abbas, na cidade de Ramalá, na Cisjordânia.

“Esse é o início”, disse Abbas em meio às comemorações. “Os esforços continuarão. Nosso trabalho não cessará até que todos os prisioneiros retornem às suas casas.

Segundo organizações palestinas de defesa dos direitos dos presos políticos, continuam detidos em prisões israelenses 9.850 palestinos. Desse total, 105 deles são mulheres, 359 são crianças e 40 deles são membros do parlamento palestino sequestrados nos últimos meses pelas forças israelenses.

A libertação de 256 pessoas, das 11 mil que mantinha presas em suas casas de detenção, representa 2,3% do total. Quando fez o anúncio da libertação, os israelenses não divulgaram os nomes dos que seria libertados.

Um sentimento de esperança brotou nos onze mil seqüestrados, cada um pensando que seu nome poderia constar da lista. Entre as famílias, cada mãe, cada pai, cada esposa, filho ou filha, que têm familiares seqüestrados por Israel, se atreveu a sonhar que seu ente querido estaria na lista de Olmert-Abbas.

Isso foi mais uma humilhação do governo israelense, que libertou 2,3% dos seqüestrados palestinos e o resto do mundo ainda ignora que a maioria deles, dos que ficaram nas prisões, foram aprisionados sem cometerem delito algum, sem qualquer processo judicial contra eles.

Foram submetidos a torturas e tratamentos cruéis, sem esperanças, proibidos de ver suas famílias, em lugares conhecidos como os “guantânamos israelenses”.

Dividir e conquistar
A estratégia de Israel, segundo analistas, é libertar palestinos em função de sua afinidade política, pois isso criaria mais diferenças entre eles, criaria mais distância entre os seguidores do Hamas, que veriam então como o presidente da Autoridade Nacional Palestina, na ótica israelense, não os defende.

Segundo Maria Jose Lera, do Rebelión, “Esta libertação selecionada de palestinos em função de sua afinidade política cria mais diferenças entre eles, mais distanciamento dos seguidores do Hamas, que verificam como Abbas não os defende, não os trata como palestinos do tipo A, mas como do tipo B, tentando estimular as lutas internas e imitando as mesmas técnicas utilizadas pelos nazistas contra os judeus na Europa”.

Segundo ela, “as histórias que as pessoas contam de seus entes queridos seqüestrados por Israel são incríveis”. Ela conta a história de um casal, separado no nascimento do filho, há 22 anos, pela prisão do marido. O filho da mulher, que tinha 22 anos e não conhecia o pai, foi preso.

“Na prisão, o rapaz contou sua triste história aos novos companheiros, e de como nunca havia conhecido se pai. Para sua surpresa, disseram a ele que na mesma prisão havia um homem que estava preso há 22 anos e que tinha deixado para trás sua mulher e seu filho recém nascido. Pai e filho finalmente voltaram a se ver depois de 22 anos de separação. Agora estão na mesma prisão”.

Vermelho



No artigo

x