Caixa-preta mantém abertas hipóteses de falha humana ou mecânica

Dados da caixa-preta não permitem, ainda, culpar unicamente o piloto do vôo 3054 pelo maior desastre da aviação brasileira. O diálogo dentro da cabine de comandoindica que o Airbus 320 não conseguiu frear, após tocar a pista principal do Aeroporto Internacional de Congonhas

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Dados da caixa-preta não permitem, ainda, culpar unicamente o piloto do vôo 3054 pelo maior desastre da aviação brasileira. O diálogo dentro da cabine de comandoindica que o Airbus 320 não conseguiu frear, após tocar a pista principal do Aeroporto Internacional de Congonhas

Por Daniel Merli, de Brasília

Diferente do que publicado pela revista Veja e pela Folha de S. Paulo, os dados da caixa-preta não permitem, ainda, culpar unicamente o piloto do vôo 3054 pelo maior desastre da aviação brasileira. O diálogo dentro da cabine de comando, tornado público nesta quarta-feira, 1º, pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo, apenas indica que o Airbus 320 não conseguiu frear, após tocar a pista principal do Aeroporto Internacional de Congonhas.

Os registros do computador de bordo, discutidos em sessão fechada entre os membros da CPI e o chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa) da Aeronáutica, brigadeiro-do-ar Jorge Kersul Filho, porém, indicam erro na posição do manete. Há a possibilidade de posicionamento incorreto por parte do piloto e a de o computador de bordo ter registrado o comando incorretamente.

Na terça-feira, 31 de julho, um deputado tucano da CPI já se preocupava com as reportagens que surgem na imprensa a partir de informações vazadas sobre a caixa-preta. A suspeita dele é de que as matérias podem ter sido alimentadas por informações da própria Airbus, que teve acesso à caixa-preta, e tem interesse em culpar o piloto, para livrar-se de ter de reembolsar a seguradora da TAM.

Oficiais da Aeronáutica, envolvidos na investigação, consideram, por enquanto, mais provável a falha mecânica. Acham difícil que um piloto com dez anos de experiência não tenha lembrado de um mecanismo básico de pouso, como a posição do manete — espécie de comando da aeronave. Consideram, ainda, que um erro dessas proporções seria manifestado pelo piloto ou co-piloto, e estaria registrado nas gravações.

Ao contrário, o fato de que apenas um dos reversos estava funcionando, o que exigia a posição neutra do manete, é citada nos diálogos.

Primeiro-oficial: Reverso número um apenas.”

Em seguida, o próprio comandante relata:

Primeiro-oficial: Spoiler (freio) nada.”

A cabine de comando tenta desacelerar e não consegue. O fato, segundo a Aeronáutica, pode tanto ser provocado por uma falha mecânica no avião, quanto pelo piloto. Se realmente não tiver posicionado o manete corretamente, o computador de bordo não reconheceria que o avião estava pousando. E o freio não seria acionado. Mas essa segunda hipótese é menos provável.

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Texto alterado às 17h20



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