Povo Indígena, que resiste a transposição, tem fornecimento de energia restabelecido

Comunidade Truká, que poderá ter seu território utilizado na transposição do Rio São Francisco, tem o fornecimento de energia restabelecido. Para lideranças, o corte no fornecimento, tem fins políticos.

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Comunidade Truká, que poderá ter seu território utilizado na transposição do Rio São Francisco, tem o fornecimento de energia restabelecido. Para lideranças, o corte no fornecimento, tem fins políticos.

Por Redação

O Povo Indígena Truká, que resiste na retomada de seu território contra o projeto de transposição do Rio São Francisco, no eixo norte em Cabrobó, a 500 km de Recife, teve o fornecimento de energia elétrica interrompido na terça-feira, 7. O corte no realizado pela Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), não teve aviso prévio à Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e nem a comunidade Truká, que também sofreu com a falta de água, pois o abastecimento é realizado através de bombeamento elétrico do rio. O fornecimento foi retomado na quinta, 9, após a retenção de técnicos da a Companhia Energética da Bahia (Coelba), na comunidade indígena.

Os oito técnicos, que estiveram na região para verificar a torre de alta tensão, derrubada pelos indígenas, em protesto, foram mantidos, por quatro horas, sob posse indígena. Sem acordo com o governo os técnicos foram liberados e a o fornecimento de energia retomado na manhã de quinta-feira, 9, por solicitação do Ministério Público Federal.

Segundo as lideranças Truká, o acordo estabelecido entre indígenas e governo do estado de Pernambuco, permite que as torres de alta tensão ocupem parte de suas terras e em troca não há ônus na energia elétrica.

A Celpe alega que a Funai teria uma dívida de R$ 14,3 milhões de contas não pagas desde 1984. Entretanto, teve que voltar atrás na decisão do cortar o abastecimento de energia devido a pressão e solicitação do Ministério Público Federal.

Para Neguinho Truká, liderança indígena, o corte no fornecimento de energia tem motivos políticos. “Nosso povo é o maior produtor de arroz do estado. O povo precisa da energia para irrigar suas roças que já estão comprometidas. Agora, o governo simplesmente corta a energia sem nos avisar. Entendemos que essa é uma retaliação contra nosso povo por causa do interesse da transposição”, acusa.

Demarcação de território
O povo Truká, luta há mais de 10 anos pela demarcação do território. A área pleiteada pela comunidade, será construído o eixo norte do projeto de Transposição de águas do rio São Francisco.

Cerca de 500 famílias, tentam garantir estudos que comprovam a legitimidade de seu território e o arquivamento do projeto de transposição. Além disso, exigem a saída imediata do Exército, presente na área desde o dia 4 de junho.



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