‘”A mídia nas eleições de 2006″‘ é lançado nesta quinta

Livro organizado por Venício A. de Lima, tem lançamento no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

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Livro organizado por Venício A. de Lima, tem lançamento no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

Por Redação

O livro A mídia nas eleições de 2006, da editora Fundação Perseu Abramo, tem lançamento nesta quinta-feira, 30, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. O evento ocorre a partir das 19h30, e terá presença do organizador, Venício A. de Lima, e de autores do livro, como o editor da revista Fórum, Renato Rovai, e Luís Nassif.

Na obra, 11 artigos mostram dados que deixam claro o viés da cobertura praticada pela grande mídia, especialmente a impressa – favorável ao candidato do PSDB Geraldo Alckmin – e discutem o papel exercido na disputa. Mesmo com a atuação dos meios de comunicação, o resultado da disputa foi outro.

A mídia nas eleições de 2006 coloca numa mesma publicação reflexões diferentes produzidas durante as eleições. O lançamento ocorre alguns dias depois do início do julgamento dos 40 acusados pelo inquérito do Ministério Público sobre a compra de votos no Congresso, o “mensalão”.

O livro
Lima dividiu em três partes a discussão. Na primeira, os dados do Observatório Social e do Laboratório de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública/Instituto Universitário de Pesquisas e Estudos do Rio de Janeiro (Doxa-Iuperj) sobre a cobertura dos principais jornais do país. O Doxa realiza análise semelhante desde 2000, incluindo pleitos municipais.

Os resultados são previsíveis: com mais ou menos difuldade de manifestar essa posição para seus leitores, a mídia queria Alckmin presidente. Lula e o PT não.

A segunda parte, sete jornalistas analisam episódios marcantes da cobertura. Rovai elencou sete práticas nada jornalísticas empregadas com frequência na cobertura – como as invenções e ilações, o jornalismo torcedor, entre outros. Bernardo Kuscinsk alerta para o clima dentro das redações de que a mídia estaria protagonizando um momento histórico ao buscar decisivamente derrotar um projeto político.

Paulo Henrique Amorim destacou o episódio das fotos do dinheiro supostamente destinado à compra do dossiê contra a candidatura de José Serra, então na disputa pelo governo de São Paulo, como o primeiro golpe. Diante da memória do caso Proconsult, nas eleições ao governo do Rio de Janeiro em 1982 e ao histórico recente, ele considera que o segundo golpe “está a caminho”.

Nassif avalia que a mídia cometeu um “suicídio editorial” ao apostar todas as fichas numa derrota de Lula, comprometendo sua credibilidade. O fenômeno foi o desfecho de uma crise da mídia na década de 90 e da própria classe média, leitora dos veículos impressos. Ele critica erros do PT ao ocupar a máquina pública e por não manter um sistema de informações dentro do governo que permitisse apuração e respostas rápidas à sociedade, o que permitiu o surgimento de novas denúncias mais ou menos precisas, contra integrantes do Executivo e do Legislativo sem esclarecimentos rápidos.
Sérgio Amadeu, sociólogo, defende que blogues e comunidades virtuais na internet foram capazes de produzir respostas aos meios de comunicação dominantes, ao mesmo que para divulgar denúncias e acusações. O ponto defendido por ele é que as novas tecnologias são alcançadas por lideranças sociais com alguma influência em seus grupos, o que permitiu respostas aos ataques sofridos durante a campanha. Ele ressalva que não se trata de afirmar que os partidários de Lula foram mais eficientes do que os opositores, mas que era ali que se organizava o discurso de defesa.

Marcos Coimbra fecha a segunda parte defendendo que a mídia comercial foi derrotada ao se prestar a um papel pouco nobre de ser caricaturalmente panfletário. Ele entitula o artigo com a tese reconhecidamente provocativa perguntando se “a mídia teve algum papel” no processo.

Na terceira parte, Luis felipe Miguel discute o que se pode fazer para mudar o cenário de concentração da mídia, incluindo a opção da TV Pública.

Quatro reportagens da revista Carta Capital, a resposta de Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo às acusações da revista, a carta do repórter Rodrigo Vianna e o resultado das eleições presidenciais de 2006 são anexos.

Serviço

Lançamento de
A mídia nas eleições de 2006
Venício A. de Lima (org.)
Fundação Perseu Abramo
Quinta-feira, 30, às 19h30
Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
Rua Rego Freitas, 530, sobreloja, Vila Buarque (São Paulo/SP)
Informações: www.jornalistasp.org.br – (11) 3217-6299 ou www.fpabramo.org.br



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1 comment

  1. José Luiz Cou

    Gostaria de parabenizar esses renomados Jornalistas e a fundação Perseu Abramo pelo lançamento dessa obra grandiosa que certamente retrata fielmente as lamentáveis insinuações (!) desse jornalismo fajuto e apelativo que é praticado por certos setores da imprensa no Brasil. De resto, fica o desejo de que esta obra lance luz sobre o que ocorreu nas eleições de 2006 e contribua para que o jornalismo seja praticado com seriedade.

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