Preconceito e mídia entram na agenda das mulheres

Schuma Schumacher, da Articulação de Mulheres, critica contingenciamento de verbas mas vê avanços conquistados pelo movimento

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Schuma Schumacher, da Articulação de Mulheres, critica contingenciamento de verbas mas vê avanços conquistados pelo movimento

Por Daniel Merli 

A 2ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres reuniu 2.800 mulheres de todo país. O processo de eventos estaduais incluiu 120 mil mulheres. O evento ocorreu em Brasília, no dia 17.

A 2ª Conferência acrescentou cinco novos eixos no Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. Foram incluídos o combate ao racismo, sexismo e lesbofobia, comunicação e cultura não-discriminatória, sustentabilidade, direito à terra e políticas para mulheres em qualquer idade.

Uma das organizadoras da conferência representando a sociedade civil, Schuma Schumacher participou das várias etapas do processo. Representante da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) na organização da conferência, ela vê avanços e limites do tema dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fórum – Qual o significado dos novos eixos incorporados ao Plano Nacional?
Schuma Schumacher –
Representam, de cara, uma conquista. Significa também que estamos alargando as possibilidades de recursos de políticas voltadas para a mulher. A questão do atendimento à mulher em todas as idades, por exemplo, foi muito batalhado pelas jovens, que não se vêem representadas nas políticas de juventude nem de gênero. Isso pode significar, em médio prazo, um olhar mais atento do governo federal.
O processo foi difícil e ainda há pouca atenção dos governos estaduais e municipais. Há governos que ainda resistem em ter uma política específica para as mulheres. Apesar da mobilização em todo o país ter sido imensa, com 120 mil mulheres participando das atividades preparatórias da conferência, ainda é pequeno o olhar do Estado para essa mobilização.
Nossas políticas acabam sendo pautadas simplesmente por nossa mobilização. Há temas, como a legalização do aborto, que estão totalmente fora de pauta do governo e são colocados em debate por nós.

Fórum – Um relatório do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfmea) mostra que apenas 4% do orçamento para prevenção à violência contra a mulher foi aplicada este ano. Isso mostra queo tema ainda não é prioridade de governo?
Schuma Schumacher –
A Secretaria Especial de Políticas para a Mulher tem uma gestão muito aberta ao diálogo com movimentos feministas. Há também uma pressão da bancada feminista do Congresso para aprovação de emendas orçamentárias. Só que, infelizmente, há o contingenciamento de verba decretado pelo Ministério do Planejamento, o que gera uma execução às vezes mínima e aquém do necessário para implementar o Plano Nacional, definido pela Conferência. Esse bloqueio orçamentário é geral, mas infelizmente ele é maior nos setores que têm menos atenção do governo.

Fórum – No eixo de comunicação, quais as sugestões da Conferência?
Schuma Schumacher –
Uma das propostas foi a criação de observatórios sociais dos canais de televisão. Isso reflete, em primeiro lugar, a maior preocupação com o preconceito contra as mulheres difundido pelos veículos de comunicação. Queremos observatórios compostos por vários olhares: Estado, sociedade civil e até as empresas de comunicação. As sugestões aprovadas na Conferência também pedem que metade dos integrantes do Conselho Gestor da nova TV Pública sejam mulheres.

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Título alterado: 28/08/2007, 15h40



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1 comment

  1. Ana Elusa Rech

    Fui e continuo sendo uma mobilizadora social comprometida com o processo de transformação de nossa sociedade em um espaço mais justo e digno para todos. Participei da organização de nossas comunidades através da constituição de conselhos de direitos (criança e adolescente, assistência social, saúde, políticas para as mulheres). Atualmente sou secretária geral do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Estado do Rio Grande do Sul. No entanto, ao longo de 17 anos, tenho repensado algumas questões e uma delas é a construção de políticas através de Conferências municipais, estaduais e nacional… Penso que temos alguns ganhos no processo de organização social, no entanto tenho amargado grandes desiluções no resultado final… Tenho dúvidas seo custo benefício representa avanços na construção política e ouso dizer que não!!! Em 1998, fiquei muito triste quando o GAPA/RS custeou meu deslocamento até Brasília para que assinassemos um conjunto de deliberações que nada mais foi que: CUMPRA-SE O QUE A LOAS PREGA E ESTÁ FIXADO EM LEI DESDE 1995… Em 2004 fui até Brasília, com passagem custeada por meu grupo político (visto que só a política de saúde subvenciona passagens aéreas para todos os conferencistas de seu Pleno) para ver que todo o relatório de deliberações da Conferência Estadual de Políticas Públicas para Mulheres havia sido omitido do relatório preliminar distribu[ido às conferencistas. Por conta disto, mesmo sendo membro da II Conferência de Poticas para as Mulheres do Brasil, preferi seguir minha rotina em Porto Alegre ao invés de amargar 36 h de viagem de ônibus até Brasília, coisa que meu corpo não suporta mais. Esta Conferência ignorou totalmente as deliberações estaduais, as demandas encaminhadas da base e impôs eixos pré-estabelecidos sem qualquer compromisso com a realidade vivida pelo duro cotidiano de mulheres em todo o país… Acho um desperdício do dinheiro público, fazer de conta que estamos sendo respeitadas nas nossas lutas para assinar o que o Governo Federal delibera sem qualquer respeito às nossas demandas….Discordo da concepção que CONFERÊNCIA NACIONAL é um evento de marketing do governo…

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