Felício: correntes não têm direito de se achar mais éticas do que as outras

Secretário de comunicação da CUT critica tendências que fazem o jogo da direita, mas não aponta os alvos das críticas

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Secretário de comunicação da CUT critica tendências que fazem o jogo da direita, mas não aponta os alvos das críticas

Por Anselmo Massad

O secretário de comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, criticou as correntes do partido que se deixam embalar pela argumentação de setores da direita e da grande mídia na discussão ética.

Ele considera que o PT pode evitar novas crises retomando o lado formador da sociedade, deixado de lado pela institucionalidade dos espaços adquiridos nos legislativos e executivos.

Confira a íntegra.

Fórum – Na sua visão, o que é o socialismo petista?
João Felício –
Todo partido que defende a igualdade, a distribuição de riquezas, a socialização dos meios de produção, a ascensão social da imensa parcela a permitir que ela tenha garantidos seus direitos, a radicalidade da democracia pode ser considerado socialista. Esses princípios se contrapõem aos partidos que querem poder total ao Estado. Os partidos comunistas que acham que o Estado está acima das pessoas não é libertário, o que não cabe no PT, que defende a radicalização da democracia, da liberdade e da distribuição de renda e o acesso aos direitos.

Fórum – Um debate que parece ter sido mais trazido pela mídia e pela decisão do STF de aceitar as denúncias contra membros do partido do que pelas falas no Congresso é o caixa 2. O senhor acredita que o PT pretende criar mecanismos internos que coibam essa prática?
Felício –
O que se tenta fazer é criminalizar o PT na mídia, no STF e algumas correntes do PT embarcam nessa. Uma coisa é a defesa de mais transparência, em criar comissão de ética, em promover maior controle das decisões. Nenhuma corrente tem o direito de achar que é mais ou menos ética do que as outras. Para travar a luta na sociedade, o PT tem de estar unido, e esse tipo de comportamento e de disputa é inaceitável. O PT é exageradamente institucional, na minha opinião. Ele deve ser gestor público e formador do povo, organizando e mobilizando, mas tem pesado mais o primeiro aspecto. Se fizer uma combinação melhor, vai ser um partido socialista. E é algo que também vai contribuir para acabar de vez com práticas ilícitas. Veja, o PT não inventou o caixa 2, é ele quem tem de defender a reforma política, o voto em lista e o financiamento público de campanha. O partido foi vítima de um vício da política que é o caixa 2. E digo mais: que atire a primeira pedra…

Fórum – O senhor identificou esse tipo de comportamento em alguma das correntes no Congresso do PT?
Felício –
Não está tão forte, em que pese a grande imprensa tentando trazer sua pauta para o Congresso. Mas não acredito que o encontro seja contaminado. É algo muito parecido ao que se faz na cobertura da CUT. Ficam criando fantasmas, dizendo que há isso ou aquilo e eu, que estou lá dentro, não vejo nada daquilo.



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