Medo limita denúncia de arbitrariedades no Rio de Janeiro

Entre traficantes e milicianos, comunidades pobres têm dificuldade até para chamar atenção da sociedade

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Entre traficantes e milicianos, comunidades pobres têm dificuldade até para chamar atenção da sociedade

Por Anselmo Massad

Na disputa entre traficantes e milícias armadas supostamente formadas por policiais, a população das comunidades pobres do Rio de Janeiro se vê encurralado, sem poder sequer denunciar a situação. Jorge Luís, liderança do Muquiço, em Deodoro, critica as operações policiais de quatro ou cinco horas em uma comunidade que terminam com a morte de jovens ligados ao tráfico ou não. “Minha preocupação é em perguntar se o que acontece nas outras comunidades é o que aconteceu na minha, com a morte de seis jovens”, pondera.

Ele não entra em detalhes, alegando temer pela falta de segurança para relatar. “Foram seis mortos num dia [segunda-feira], duas no outro [terça]. Com outras três das duas últimas semanas, são 11 num único local, sem nenhuma ação do poder público para levantar as causas, dizem apenas que foi num confronto com a polícia”, protesta.

Ele explica que as organizações de luta pelos direitos humanos que atuam nas comunidades defendem que haja oportunidades para os jovens, mesmo os que tenham de fato envolvimento com o tráfico de drogas. “A gente não é contra a polícia nem a favor do tráfico”, explicita Luís.

Mas ele cobra programas sociais que permitam a reintegração à sociedade e que permitam que eles não tenham, no tráfico, o maior referencial de conquista de estatus social, já que conseguem dinheiro e vantagens. “O jovem tem que ter oportunidades de ser útil à sociedade e não morrer assassinado por pessoas que, sob fardas, acham que podem fazer suas próprias leis”, desabafa.

“Nosso grito, mesmo no silêncio, é que as autoridades – porque compete a elas fazer, não tem jeito – para levantar da cadeira e fazer as coisas acontecerem para os jovens não continuarem morrendo”, clama Luís.

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