Líder comunitário denunciava milícias desde 2006

Jorge da Silva Siqueira, desaparecido desde sexta-feira, 7, apontava a presença de quadrilhas de policiais na Penha, no Rio de Janeiro. Aumentam indícios de que corpo carbonizado seja mesmo dele

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Jorge da Silva Siqueira, desaparecido desde sexta-feira, 7, apontava a presença de quadrilhas de policiais na Penha, no Rio de Janeiro. Aumentam indícios de que corpo carbonizado seja mesmo dele

Por Redação

Jorge da Silva Siqueira, presidente da Associação de Moradores da Favela Kelson”s, na Penha, no Rio de Janeiro, sumido desde a sexta-feira, 7, denunciava a ação de Milícias em sua comunidade desde novembro de 2006. Uma carta repassada à Rede Contra a Violência aponta os nomes e registros de cinco policiais militares foi redigida em julho e publicada em dois jornais de grande circulação.

Na Folha de S.Paulo, (para assinantes) a denúncia de Jorge foi notícia em 5 de agosto, diante de inquérito que apontava 200 mortes provocadas pelo grupo. Já no carioca O Globo (exige cadastro), a matéria foi às ruas no dia 25 de agosto.

A partir desta última, quatro dos cinco policiais acusados foram presos administrativamente, mas liberados menos de uma semana depois, na segunda-feira, 3, quatro dias antes do desaparecimento, conforme denunciou Maurício campos, da Rede, à Fórum. Após a prisão, traficantes teriam tentado tomar a área, mas enfrentaram resistência da polícia.

No sábado, um corpo carbonizado foi encontrado por policiais em Campo Grande. A mulher de Jorge, Roselaine Marinho, acredita ter reconhecido o marido no Instituto Médico Legal (IML), no domingo. Apesar de estar desfigurado, o corpo encontrado possui “um furo” no dente da frente. Ela e a família pediram proteção policial.

Em abril, Jorge foi expulso da comunidade sob ameaças. Antes dele, Iraci Moreira da Silva, presidente da mesma associação, havia deixado o local em dezembro de 2006 pelo mesmo motivo.

Segundo o delegado Altair Queiroz, responsável pelas investigações, o irmão de Jorge Cláudio Rodrigues Ferreira prestou depoimento e declarou ter sido seqüestrado por cinco homens durante quatro dias de abril de 2005. Um dos acusados seria Alexandre Barbosa Batista, do 14º Batalhão da PM que, com Antonio Souza dos Santos, Jorge Henrique Alves dos Santos, André Luiz Oliveira Lima e Fernando Barcelos (todos do 16º Batalhão, que cobre a região) são apontados como integrantes da milícia na favela.

Jorge havia registrado boletim de ocorrência contra o PM Alexandre, por ameaça. “Se você não sair daqui (da favela), vai sofrer um acidente”. O delegado revelou ter inquirido testemunha que acusou Jorge de ter vínculos com Gilberto Martins Ribeiro, o Mineiro, chefe do tráfico na Cidade Alta. O governador Sérgio Cabral divulgou a informação no domingo, mas cobrou esclarecimentos sobre o sequestro e provável morte de Jorge. Divulgou ainda nota assumindo compromisso de manter o combate às milícias. No momento do sequestro, testemunhas dizem ter visto viaturas da polícia dando cobertura a ação.

(Com agências) 



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1 comment

  1. fabio

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