Crise continua depois da absolvição de Renan, opinam senadores

Tanto senadores da base do governo quanto da oposição acreditam que a absolvição trouxe desgaste e que não acaba com a crise envolvendo o presidente da Casa

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Tanto senadores da base do governo quanto da oposição acreditam que a absolvição trouxe desgaste e que não acaba com a crise envolvendo o presidente da Casa

Por Marcos Chagas

Senadores da base aliada e da oposição acreditam que a crise relacionada ao presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) permanecerá mesmo após a absolvição no primeiro dos quatro processos de cassação, em que o peemedebista venceu por 40 votos a favor, 35 contra e seis abstenções. O vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), e o líder do DEM, Agripino Maia (RN), fizeram comentários nesse sentido.

Um dos aliados de Renan, o senador Wellington Salgado comentou que Renan Calherios sabe como o Senado saiu desgastado desta crise. “Não há o que comemorar. Tem que ver se Renan terá capacidade de aglutinação e capacidade de convencer as lideranças de que ele é um grande presidente do Senado como sempre foi”, disse. Antes, o parlamentar criticou o posicionamento da oposição que quer “parar” a votação do Senado.

“A crise continuará. A Casa continuará vivendo esse movimento de sofrimento e agonia. Nos resta ter a capacidade de entender que as decisões coletivas às vezes não agradam a muitos”, disse Tião Viana. Segundo ele, é preciso aguardar o que a oposição vai fazer. “No Senado, ela é muito forte, tem poder de obstrução, e vamos ter a tolerância e aguardar a devida conclusão do caso. A casa vai continuar sua agonia”, disse. Ele ainda elogiou “isenção” do governo na crise. “Percebi o tempo todo, e comentei isso com o senador Tasso Jereissati.”

O presidente do PSDB, Tasso Jereissati, questionou e disse que há uma “relação promíscua” entre o Congresso e o governo. Além disso, atribuiu o resultado ao PT, que teria sido o “fiel da balança”, e ao voto secreto na sessão. Avaliou também como “totalmente desbaratado” da votação no Conselho de Ética, quando o voto foi aberto, e o resultado foi 11 votos a favor da cassação e quatro contra. Indagado sobre a relação após a absolvição, Jereissati disse que é preciso discutir. “A crise continua, é aprofundada. O meu grande receio, e peço a Deus que não aconteça, é a desmoralização do Senado, o que pode ser gravíssimo. Temos que ver como vamos enfrentar isso”, afirmou.

O líder do DEM, Agripino Maia (RN), avaliou que não existe “clima” para qualquer reunião de líderes ou “qualquer entendimento”. “O Senado perdeu uma grande de oportunidade de se afirmar ao país e à sociedade”, disse. Agora, segundo ele, é preciso exigir que o presidente do Conselho de Ética designe de imediato o relator para dar andamento à representação do DEM e o PSDB para que se investigue a denúncia de que Renan teria “laranjas” de veículos de comunicação.

Em nota, Renan Calheiros considera sua absolvição do processo de cassação no plenário uma “vitória da democracia”, mas também um momento de refletir sobre as “perdas que esse processo político provocou”. disse que, a partir da decisão “madura e soberana” do plenário do Senado, já começou a procurar os líderes partidários para prosseguir na “agenda legislativa”.

Agência Brasil



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