“Impossível financiar saúde na lógica capitalista”, diz presidente do conselho nacional

Ele diz que críticas à tabela do SUS são falácia e lamenta que o sistema seja refém do sistema privado

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Ele diz que críticas à tabela do SUS são falácia e lamenta que o sistema seja refém do sistema privado

Por Stênio Ribeiro

O presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Francisco Batista Júnior, criticou na terça-feira, 12, o que chamou de “visão capitalista” da medicina e do atendimento hospitalar.

De acordo com ele, essa é a principal responsável pela “crise estrutural e ideológica” que atinge a saúde. Também explica, em parte, os problemas enfrentados pelo setor em alguns estados do Nordeste.

A crise na região, acrescentou, é resultado da falta de dinheiro para pagar procedimentos médicos realizados no setor privado contratado, que trabalha sob a lógica do lucro.

“Determinados setores de saúde contratados pelo SUS [Sistema Único de Saúde] é que determinam os valores que querem receber, à revelia da tabela do SUS. Essa história de dizer que a tabela é ruim não passa de falácia”.

Segundo ele, o que se percebe na prática são setores contratados que, sob a lógica capitalista, exigem os valores que querem. “Se continuarmos dependentes, reféns do setor privado contratado, sempre teremos dificuldades de financiamento, porque é impossível financiar saúde na lógica capitalista”.

Para Batista Júnior, a “visão mercantilista” do setor privado provoca também “a abertura indiscriminada” de cursos na área médica.

“Muitas vezes, sem critérios aconselháveis ou com grade curricular desvinculada da realidade de saúde”. Isso, segundo ele,
compromete a qualidade dos profissionais formados.

O CNS se reuniu hoje para discutir critérios para a abertura de cursos na área médica e disciplinar os já existentes A questão, informou, também está sendo discutida com o Conselho Nacional de Educação (CNE).

“Entendemos a necessidade de rever todo esse processo numa lógica que possibilite a definição de critérios que obedeçam às reais necessidades do país, com grade curricular sincronizada com a realidade do SUS e de modo a superar o viés de mercantilização do ensino universitário”.

Estavam também em pauta as ações da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no atendimento aos postos indígenas e o aprimoramento da política nacional de vigilância sanitária. As discussões seguem até esta quinta-feira, 13.

Agência Brasil



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