Atividade do FME critica monopólio da mídia e imobilidade dos professores

Atividade autogestionada, no segundo dia do Fórum Mundial de Educação critica monopólio da mídia e a imobilidade dos professores diante o avanço da desregulamentação da educação

227 1

Atividade autogestionada, no segundo dia do Fórum Mundial de Educação critica monopólio da mídia e a imobilidade dos professores diante o avanço da desregulamentação da educação

Por Brunna Rosa

No segundo dia do Fórum Mundial de Educação (FME), uma das atividades mais concorridas foi a mesa “Paulo Freire Vive! Hoje, dez anos depois…”.A atividade leva o nome do livro produzido pelo mandato do deputado federal Ivan Valente (PSOL). O objetivo era discutir o legado do educador e de que forma ele é recriado no dia-a-dia da educação.

Anita Freire, educadora e ex-mulher de Paulo Freire, representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Lisete Arelaro, professora da Universidade de São Paulo (USP) discutiram o pensamento freireano e a educação brasileira.

Em uma palestra marcada pela emoção, Anita Freire falou sobre o aumento da procura pela obra de Paulo Freire. “Paulo é lido em todo mundo. A cada dia a procura pela sua obra aumenta e isso é reflexo da malvadeza do neoliberalismo. Há dez anos me dedico a divulgá-la, mas infelizmente ele não chegou a ver sua obra traduzida para o chinês e o coreano”, lamenta Anita.

Anita, também, falou sobre seu livro Paulo Freire: Uma História de vida, no qual se dedicou durante sete anos para escreve-lo.

A professora Lisete Arelaro, livre-docente da USP, em sua palestra afirmou que os professores precisam se reorganizar e não esperar por mais bônus governamental. “Nós, professores, somos cotidianamente convidados a nos afastar dos sindicatos. São bônus e mais bônus que surgem para quem não falta, para quem não chega atrasada, quem não questiona e quem faz com que os alunos decorem os livros didáticos”, critica. “Precisamos nos reorganizar e parar de aceitar a tripla jornada de trabalho”, convoca.

A professora ainda lembrou do recente episódio que envolve o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) e a Nestlé. “É um absurdo o prefeito aceitar que a multinacional Nestlé diminua a quantidade de carne ou frango de sopas da merenda escolar. Além de aceitar elogia os técnicos da Nestlé e se diz orgulhoso por trocar o antigo fornecedor de leite para a rede municipal pela multinacional”.

Veja
Após uma educadora citar um artigo de Cláudio Moura Castro, na revista Veja, para realizar uma pergunta a mesa de palestrantes mobilizou-se para criticar o monopólio da mídia.

Anita Freire,foi categoria ao dizer que não lê a Veja porque sabe que eles mentem. Ela também citou o episódio da morte de Paulo Freire, que fora noticiada no mundo inteiro, e que a única revista a colocar uma matéria sintética e deturpada fora a Veja. Já o deputado Ivan Valente admitiu que lê por “ossos do oficio”, mas que a odeia.

A professora Lisete Arelaro listou uma série de motivos para qual as pessoas deveriam parar de ler e acreditar em meio de comunicação como a Veja e a Globo.

Plano Nacional de Educação
Após inúmeros questionamentos de “como mudarmos a educação brasileira” o deputado Ivan Valente, membro da comissão de educação da Câmara dos deputados, falou sobre a necessidade de colocarmos em prática o Plano Nacional de Educação (PNE). “O PNE está aprovado desde 2001, mas o governo do Fernando Henrique Cardoso conseguiu vetar. Necessitamos que 10% de nosso PIB [Produto Interno Bruto] seja destinado a educação. Precisamos pressionar o governo Lula a derrubar os vetos que estão barrando um investimento em massa neste setor”.

Para finalizar, o deputado elucidou como a categoria dos profissionais da educação está com o salário achatado em detrimento do aumento do lucro dos banco. Ele conta que, antes da clandestinidade, cursava engenharia e dava aulas de matemática na rede pública. Ele calcula que recebia, por 40 horas, o que equivale hoje a R$ 4.500. Atualmente um professor, não-efetivo, recebe por estas mesmas horas R$ 1.500. “Acontece exatamente o contrário com os bancos. Em dez anos as tarifas bancárias aumentaram 300% e o número de clientes pulou de 35 milhões para 75 milhões. Essa é a verdadeira censura no país, educação não da Ibope”.



No artigo

1 comment

  1. Carlos

    Eu pergunto, como professor universitário. Como os professores podem se mobilizar contra essa avalanche que se chama “massificação“ da educação. Com escolas particulares aumentando exponencialmente o número de alunos, baixando mensalidades, e reduzindo salários de professores em nome de uma educação universitária “meia boca“ que não incentiva a valorização de mestres e doutores e prega a mudança na qualidade com salas de aulas com mais de 100 alunos, diminuição de carga horária dos cursos e outras palhaçadas mais? Vamos parar com essa conversa fiada que algumas intituições de ensino particulares vem vendendo na mídia (Veja reportagem sobre a Anhanguera Educacional na Exame) que é possível dar ensino de qualidade a preços camaradas. Qualquer pessoa que entenda o mínimo de educação e tenha bom senso sabe que isso é mentira, pois somente as grandes instituições privadas estão ganhando dinheiro, algumas merecidamente, mas a maioria age descaradamente com a conivência dos governos, em detrimento do interesse de milhares de estudantes e professores. Se querem regulamentar a educação, então que façam bem feito. Começem por exigir que as instituições privadas de ensino superior só tenham mestres e doutores em seus quadros, determinem uma hora-aula mínima decente, exijam que façam investimentos decentes em bibliotecas, laboratórios e periódicos de qualidade (Quem não pode, não abre). Ou, se não quiserem fazer exigências ao capital privado, então que abram mais vagas nas universidades públicas de qualidade. Acho que temos que valorizar o ensino técnico como forma de qualificar profissionalmente e parar com esse negócio que todo mundo tem que ter curso superior, e todo mundo passa no vestibular e todo mundo se forma do jeito que estamos vendo por aí. E essa doença já está se espalhando pelos cursos de pós-graduação. O que deveria ser valorizado está caindo na mediocridade. Então se queremos assumir uma postura séria em relação a qualidade da educação temos que tomar uma posição radical, ou seja, vai fazer curso superior quem reunir condições ideais para fazer e pronto. Quem não tem condições, vai fazer cursos técnicos de qualidade ou se preparar melhor para ingressar e cursar decentemente uma universidade remodelada e séria como gostaríamos de ver em nosso país. O que adianta vermos nas estatísticas que o número de estudantes universitários está crescendo? E a qualidade destes estudantes? Há notícias que mostram até semi-analfabetos se formando por esse Brasil afora, será que só a estatística bonitinha já basta para nós?

Comments are closed.


x