Parada Lésbica pede: “seja lésbica por um dia”

A 3ª Parada Lésbica de Brasília reúniu 6 mil pessoas no domingo para pedir fim da discriminação

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A 3ª Parada Lésbica de Brasília reúniu 6 mil pessoas no domingo para pedir fim da discriminação

Por Anselmo Massad

A 3º Parada Lésbica de Brasília, realizada no domingo, 16, reuniu 6 mil pessoas, segundo a Associação Lésbica Feminista de Brasília – Coturno de Vênus, organizadora da manifestação. A partir do lema “seja lésbica por um dia”, o objetivo foi combater o preconceito e a discriminação contra homossexuais e bissexuais.

O movimento apresenta a idéia de se afirmar como lésbica como um rótulo político, por isso o pedido a pessoas e até empresas se assumirem assim por um dia para promover a solidariedade.

Para a diretora da Coturno de Vênus, Kelly Kotlinski, a receptividade foi positiva por parte da população. Segundo ela, a adoção de uma pauta mais política, desde 2006, contribuiu para ampliar a visibilidade lésbica, objetivo principal da manifestação.

Confira a entrevista

Fórum – Qual é a avaliação da Coturno de Vênus a respeito da 3ª Parada?
Kelly Kotlinski –
È muito positiva, porque o público foi grande, não só de lésbicas e gays, mas de familiares e amigos de homossexuais. Foram 6 mil pessoas reunidas em um dia de solidariedade.

Fórum – Como surgiu a idéia da parada em Brasília?
Kelly –
A idéia de fazer a Parada era dar visibilidade à luta das lésbicas. Normalmente, nós participamos em julho da Parada GLBT, mas o machismo é muito forte no país, e há muita dificuldade para colocar questões das mulheres até mesmo dentro da GLBT. A Parada Lésbica é organizada sempre perto do mês de agosto, que é o mês da visibilidade lésbica. A primeira foi organizada em 2005, quando 3 mil pessoas compareceram, sendo que nossa expectativa era de mil. Em 2006, chamamos outros movimentos sociais, na luta contra o machismo, pela reforma agrária, incluindo o movimento estudantil. E deu muito certo. Incluímos debates políticos dentro do evento, paralelamente à parte cultural, dos shows. Foram 4 mil pessoas.

Fórum – Como é a receptividade da população?
Kelly –
Legal você perguntar isso. A Parada é feita em uma rua de muito movimento mesmo aos finais de semana, a W3. Nós passamos com a Parada de um lado, com faixas e cartazes, e passam carros do outro lado. Então, muitos motoristas buzinam, acenam com a mão em apoio. A população tem um imaginário dos homossexuais, mas ao ver as faixas pedindo paz, o fim do machismo e da discriminação, dão apoio. Acho importante pontuar um fato. Na 1ª Parada, os moradores de um bloco de condomínio organizou um abaixo-assinado pedindo que nunca mais acontecesse uma parada ali. No texto, eles escreveram que as lésbicas “deveriam ter vergonha” e “ficar em casa” ou até “procurar tratamento”. Era uma manifestação extremamente homofóbica. Depois disso, nunca mais tivemos esse tipo de reação. Ontem [domingo, 16], ao contrário, muitos moradores desceram para se juntar a nós.

Para conhecer mais:
www.coturnodevenus.org.br



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1 comment

  1. Clarissa

    Realmente tem coisas mais importantes para discutir do que se a minha vida é considerada doença para você. Temos casos de estupro espancamento, assassintos cruéis (não é só com tiro, cortam os seis das mulheres e pênis dos homens pra simbolizar que matou pq era homossexual), crime de ódio, já ouviu falar: Isso é serio, sim, Roberto. Tanto quanto exploração sexual infantil (esse é o termo correto, e não “prostituição“ infantil), usar a mulher como objeto de consumo, como vc disse, capitalismo, com certeza Isso é super importante! Sabe pq? pq tá tudo ligado, companheiro, Verloet, exploração sexual, desigualdade econômica, homofobia, misoginia, racismo, violência. Vc defende as crianças exploradas e incentiva a violência contra lésbicas? Quem é vc, meu querido, de que lado vc joga? Do lado do poder ou das minorias. Engraçado, vcs consideram a pobreza algo sério, então vai lá ver quem vai militar e prestar assistências pra deficientes, quilombolas, crianças exploradas: não são vocês. Somos nós, as lésbicas, os negros, as trabalhadoras rurais. Nós fazemos o trabalho sujo que vc diz ser sério, pq nós já sabemos que é sério pq TB SOMOS MINORIAS. Sentimos na pele, que nem as crianças o que é sofrer discriminação, violência estupro. Não são vcs, seus pseudo-intelectuais de colarinho! Se liga, rapá! Acorda pra vida, sai, dos anos 60 desenvolvimentista racista!

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